Abstracts

Alba Rodríguez Silgo (Universidade de Santiago de Compostela), A Mulher no cartaz espanhol 1930-1940. Iconografia de uma revolução publicitária
Desde os últimos anos do século XIX até à actualidade, a representação do corpo humano como objeto de consumo visual tem cobrado grande importância no imaginário colectivo. Este trabalho quer analisar a representação da forma-mulher no marco temporário concreto que tem sido escolhido; e, dentro dele, as condições sociais e políticas diversas que se encontram no fundo da questão à hora de explicar as diferenças que existem nas referidas representações.
Na história da Espanha estas duas décadas têm sido muito convulsas e encorajaram uma grande produção de cartazes na medida em que este se tornou um dos meios de comunicação política de massas por definição. Embora exista uma multidão de publicações sobre a Guerra Civil e sobre o cartaz nesses anos, e mesmo sobre a mulher nessa época, ainda não foi tratada a sua vinculação. O objetivo é deitar luz sobre a história da mulher nas décadas de 1930 e 1940 através da sua imagem no cartaz.
Se na primeira década, durante a época da II República, o cartaz publicitário serviu para conscientizar a sociedade a respeito das mudanças sociais que se estavam a produzir no âmbito da mulher, a sublevação militar fascista propiciou uma mudança da mulher libertada para a mulher armada e capacitada para combater e para dirigir departamentos de Estado. Não é por acaso se considerado que as necessidades de funcionamento de um país em processo de guerra civil obrigam as mulheres a enfrentarem uma parte significativa do trabalho que anteriormente tivesse sido fundamentalmente masculino e, portanto, a regressarem à retaguarda. Finalmente, a vitória do exército fascista volveu recluir a mulher na morada, e a desenhar uma edução determinada em função do género, no caso da mulher, vocacionada para a família.
Esta investigação proporciona um estudo iconográfico dos motivos e das formas como a mulher, como princípio icónico, é representada no cartaz. Estudar este aspecto e a situação social em que se produz é necessário para compreender qualquer evolução das pautas de comportamento estético, ainda quando essa evolução não possa considerar-se rotunda e definitiva à vista das evidências do estudo pormenorizado do material. Sem dúvida, porém, verificar-se-á como, no cartaz, o modo de representação é tão fundamental como o conteúdo, a respeito do qual estão a agir, como é claro, os condicionantes sociais e económicos da época que revelam a história como ciência.

Alexandre Busko Valim (Universidade Federal de Santa Catarina), Fazendo cartaz com o cartaz alheio: Propaganda e política nas relações entre Brasil e Estados Unidos durante a II Guerra Mundial
O objetivo desse trabalho é apresentar os resultados de uma pesquisa sobre a propaganda de guerra veiculada por meio de cartazes nos Estados Unidos e no Brasil, durante a II Guerra Mundial. Durante o conflito, os EUA e o Brasil promoveram diversas competições para a escolha dos melhores cartazes de guerra. O que estava sendo buscado nessas competições? Quais as diferenças e similaridades entre esses eventos no Brasil e nos Estados Unidos? Tentarei esboçar alguns caminhos que considero pouco ou mal percorridos e que estão, em minha opinião, na periferia historiográfica brasileira do período Vargas (1937-1945/1950-1954). Para tanto, tomarei como exemplo cartazes de propaganda e algumas questões relacionadas à Diplomacia, mas sem tomá-los como instâncias, fontes ou objetos inseparáveis um do outro. O impacto da propaganda será abordado neste trabalho, não como pressuposto ou premissa de pesquisa, mas como objeto de trabalho. No início da década de 1940, ao mesmo tempo em que o Estado Novo (1937-1945) investia em campanhas propagandísticas que criavam efeitos de mobilização, ainda que limitados, o alinhamento com Estados Unidos implicava em problemas para o regime brasileiro. Os Estados Unidos, como pretendo demonstrar, participavam ostensivamente desses esforços propagandisticos por intermédio do setor privado. A relação que alguns individuos mantiveram com agências governamentais e iniciativa privada sugerem menos processos estáveis e coerentes que, de fato, profundas ambiguidades políticas e sociais. A intensa participação da iniciativa privada no campo da propaganda brasileira, em uma área considerada bastante sensível pelo Estado Novo, punha em xeque não apenas a afirmação de que havia o controle absoluto do Estado sobre os meios de comunicação. O trabalho pretende também, e na contramão de parte da historiografia brasileira que trata da propaganda política varguista, problematizar a efetiva influência de pressupostos e ideais alinhados com os Estados Unidos, mesmo antes da entrada do Brasil na II Guerra Mundial. Se a propaganda era um dos pilares que sustentavam o poder no período, os cartazes e a organização da propaganda brasileira indicam influências importantes para além das alemãs e italianas. Por um lado, discutirei a existência de pontos de confluência fortes o bastante para que Brasil e EUA se aproximassem no campo da propaganda, e como se deu essa aproximação. Por outro, pretendo colacionar alguns dos principais embates entre Brasil e EUA no que diz respeito à propaganda de guerra veiculada por cartazes elaborados no contexto da II Guerra Mundial, com o fito de traçar um panorama acerca da aproximação entre propaganda, política e cultura na formação da opinião pública brasileira. No período de expansão estatal que deixou marcas mesmo nos mais improváveis recônditos sociais, houve o impacto significativo não apenas em termos de design, técnica e percepção artística e propagandística mas, sobretudo, na vida social brasileira e estadunidense. Essas percepções, como pretendo delinear, iam além da estética: eram a base de tendências políticas, materiais e socioeconômicas que se tornaram hegemônicas após a II Guerra Mundial.

Alice Samara (IHC-FCSH-UNL), A resistência à Guerra Colonial em Portugal (1961-1974): desconstruir uma ideia de país
Desde o período da Ditadura Militar (após o golpe de 28 de Maio de 1926), e, sobretudo, com o Estado Novo o poder reutilizou e reconstruiu a ideia de que o império colonial e a missão colonizadora faziam parte do que era entendido como a “essência” do país. A manutenção das colónias era vista como uma das condições fundamentais para a própria sobrevivência de Portugal e, ainda, para manutenção de uma posição de destaque no panorama internacional. Com o início da Guerra Colonial em 1961 (primeiro em Angola e mais tarde em Moçambique e na Guiné Bissau) e até ao final do regime com a revolução de Abril de 1974, o poder tentou manter esta orientação política, mesmo contra os “ventos de mudança”, ou seja, os movimentos de libertação e o crescente número de antigas colónias que se tornavam estados independentes e procurando, a nível interno, evitar clivagens no seu campo político.
Com base em entrevistas a diferentes agentes que iniciavam a sua participação e militância ou que já estavam envolvidos nas dinâmicas de oposição e de resistência, cruzadas com a pesquisa feita na imprensa da época, esta comunicação estrutura-se em torno de dois eixos centrais que se prendem com a recepção dos discursos oficiais ou pró-colonialistas e a maneira como se estruturou uma forma específica de resposta ou reação aos mesmos.
Em primeiro lugar, será feita a análise do processo de desconstrução da imagem propagandística veiculada pelo Estado Novo e por outros grupos e agentes políticos. Interessa-nos assim perceber, com base nas entrevistas e relativamente ao universo trabalhado, quando e como é que se processou a crítica aos discursos oficiais sobre as colónias e sobre a Guerra Colonial. Em muitos casos, esta politização ultrapassou o universo privado e familiar, conduzindo a uma tomada de posição. Por isso, e em segundo lugar, esta comunicação tem também como objectivo o mapeamento dos lugares de reunião e das ações que tiveram lugar no espaço público da Grande Lisboa (Cidade e Margem Sul) com um carácter anticolonial e contra a guerra, durante os anos de 1961-1974.

Amadeu Sousa (CEIS20-UC), A vida e a honra – a propaganda à participação portuguesa na 1.ª Guerra Mundial, na cidade de Braga

Em 10 março de 1916, Portugal retribui à Alemanha a declaração de guerra que esta dirigira ao nosso país no dia anterior. Na cidade de Braga, sob diversos planos, afinar-se-á, entretanto, o contributo para o envolvimento da nação na guerra em solo europeu, ainda que algumas vozes se mostrem mais temerosas, ou até discordantes, para com os tempos de cólera que se avizinham.
Na imprensa republicana, designadamente naquela que é mais próxima dos democráticos, seguindo as instruções do Diretório Republicano, são vertidos textos diversos que apelam para o heroico espírito de sacrifício dos portugueses, em nome da história, da pátria e da honra da República. Na edição de 17 de Abril de 1916 do semanário republicano O Rebate, o padre Pires Lage, um simpatizante da República, proclama o seu patriotismo e parece esperar a cumplicidade de Deus quando escreve: sou padre, sou Portuguez. Como padre revejo-me no clero francez que abandonando despeitos despe a sotaina, empunha a espada e com olhos em Deus e na Patria sabe morrer vencendo. Na Ilustração Católica, uma publicação bracarense dinamizada pela Igreja, as análises relativas ao envolvimento de Portugal na guerra em curso na Europa são menos unânimes: conquanto algumas vozes vislumbrassem desde cedo a inevitabilidade da entrada do nosso país no conflito, mercê dos compromissos internacionais estabelecidos (aliança com a Inglaterra) ou ainda do acautelamento de interesses próprios, outras, porque germanófilas ou menos convictas dos benefícios resultantes da opção belicista do governo nacional, acenam mesmo com futuros acertos de contas. As imagens de soldados de partida para o teatro de guerra europeu familiarizam o público com a realidade ainda mais dura que passará a ameaçar o seu quotidiano.
Os comícios em apoio à participação de Portugal na guerra, ou a dinamização de um sarau/comício pelo núcleo bracarense da Cruzada das Mulheres Portuguesas são ainda exemplos de iniciativas desenvolvidas para fortalecer na retaguarda o esforço de guerra português. Políticos locais e nacionais dão maior visibilidade a estas ações.
A censura à imprensa, interditando ou mitigando as opiniões incómodas ou dissonantes, enquadra-se também no esforço de mobilização de apoios para a causa da guerra. Porém, não sendo a tarefa remunerada, mais do que por escrúpulo democrático pode admitir-se, muitos dos indigitados, designadamente militares na reserva ou reformados, alegam a má visão ou doenças diversas para se escusarem à tarefa.

Ana Dâmaso (IHC-FCSH-UNL), A Primeira Guerra Mundial em Lisboa – a vida quotidiana
Lisboa, 1914. Começara a guerra e apesar dos debates, discussões e notícias, Portugal manteve-se neutral. Contudo as consequências do conflito europeu começaram imediatamente, com aumento de preços e limitação da exportação e importação de produtos alimentícios e combustíveis. A população começava a sentir os efeitos de uma guerra que não via e que se dava num local distante, mas que estava presente na vida diária na forma do desemprego, aumento inflação, falta de farinha, carne, azeite, entre tantos outros géneros. Dentro desta atmosfera mantinha-se a controvérsia da beligerância portuguesa, estando sempre presente a aliança com a Inglaterra e a defesa das colónias.
Na opinião política geral a defesa das colónias mostrava-se um caminho quase obrigatório a seguir – a defesa da pátria era essencial. Quando a participação na guerra incluía já a ida para a Flandres surgiam as desavenças. Os políticos e os jornais mantinham-se divididos. Qual seria contudo a posição e as preocupações do indivíduo trabalhador/a normal, aquele que procurava o seu emprego e o sustento da família? É este o problema a que procuraremos dar resposta, baseando-nos na correspondência do Ministério do Interior e Governador Civil de Lisboa, assim como através da análise de alguma imprensa.
Este trabalho pretende mostrar uma visão do que foi e como era vista a 1ª Guerra Mundial em Portugal da perspectiva das populações da cidade e distrito de Lisboa.

Ana Pavlovic (Centra European University), A recipe for destruction: dehumanization of Jews in World War II propaganda
For the dissemination of ideas in a pre internet era, there was a wide spread usage of pamphlets, books and films. However, most convincing were the posters. The explanation is simple: picture would tell more than a thousand words and it is understandable to everybody. Cruel anti-Jewish propaganda is being so comprehensive that it even addresses the youngest. With most famous book, Poison mushroom, from their earliest days children were taught who was the enemy.
Several themes are almost always found depicting Jews: Jewish greed for money, their obesity as a symbol of their enormous wealth and, without exception, their big noses.  Fairy tale alike, supposedly evil ones are always described as physically ugly. Stereotypes were used repeatedly, applying common biblical motives, like snakes and devils, in order to re-foster mutual Christian-Jewish mistrust and create a climate for one of the greatest disgraces that mankind would allow- the Holocaust.
Authoress will analyze and compare anti-Semitic campaign in several countries, giving a special attention to those most ferocious in Germany, Poland, Croatia and elsewhere.  The Nazis needed visible enemy and quasi-scientific explanation for the pogroms. Thus religious distinction became a racial one and the model was followed by the Nazi puppet states, copy-pasting everything from Hitler’s regime. Sometimes it would obtain more grotesque forms, like was in fascistic so called Independent State Croatia.
The aim of the paper would be to examine the ways of Jewish (miss) representation, most of which unfortunately are still in usage nowadays. To conclude, authoress would strive to explain decisive factors of anti-Jewish sentiment in that époque and relate it with the present state of affairs.

Anabela Silveira (IHC-FCSH-UNL), Dos manifestos à “acção directa”: a propaganda nos movimentos de libertação angolanos (1955-1961)
Os acontecimentos marcantes dos primeiros meses de 1961 – a sublevação dos plantadores algodoeiros da Baixa de Cassange, os levantamentos de 4 de Fevereiro em Luanda e os massacres perpetrados pela UPA a partir de 15 de Março – que deram origem a uma guerra colonial a que a Revolução de Abril veio por um ponto final, apresentam-se como corolário das reivindicações do movimento independentista do pós-guerra que, no caso particular de Angola, se começa a esboçar nos inícios dos anos cinquenta do século XX.
Se, na primeira metade da década, a reclamação autonómica parecia confundir-se com a (re)descoberta duma angolanidade perdida mas também com movimentações em torno do antigo reino do Kongo, a partir de 1955 a reivindicação da independência começa a tomar forma no interior e no exterior do território angolano.
Em Luanda, o Partido Comunista de Angola, fundado em 1955 por Viriato da Cruz, Ilídio Machado, António Jacinto e Mário António, dava o pontapé de saída, exprimindo claramente nos seus estatutos o caminho para a independência e a construção de uma sociedade socialista. No Congo belga, exilados bakongos, a pretexto da restauração do antigo reino do Kongo, enviavam petições à Assembleia Geral das Nações Unidas, solicitando que a tutela daquele território fosse entregue a outra potência, dando início ao processo que levou à criação da UPA [União das Populações de Angola]. Na metrópole, estudantes angolanos empenhavam-se na luta da oposição ao regime, concretamente militando na estrutura do MUDJ.
Entre 1955 e os 1960, a expressão de recusa ao sistema colonial português passava pela distribuição de panfletos e manifestos, publicação de artigos em jornais, envio de petições à ONU, participação em conferências internacionais com um duplo objectivo: a denúncia do colonialismo e do regime de Salazar, bem como a questão da independência de Angola, ganhado assim apoios diversos para a causa.
O ano de 1960 introduziu uma mudança significativa no discurso dos movimentos emancipalistas angolanos, que até aí apelavam para uma resolução pacífica do problema, ou seja, o estabelecimento de negociações com o ditador português com vista à autodeterminação e independência. Em 1960, o ano de África, o ano em que um conjunto numeroso de países africanos proclamou a sua independência, o recurso à luta armada, como forma de obrigar o regime português a negociar, passava do desejo de nacionalistas dos musseques luandenses ou de exaltados militantes upistas emigrados no Congo para fazer parte da narrativa das cúpulas dirigentes quer da UPA quer do MPLA.
Na conferência na Câmara dos Comuns, em Londres, a 6 de Dezembro de 1960, o MPLA, pela voz de Viriato da Cruz, deixava claro que a «acção directa», dito por outras palavras, as actividades da guerrilha, estaria para breve. Aparentemente mais contido, Holden Roberto ia apregoando nos fóruns internacionais que a resolução do problema de Angola passava por negociações com Portugal. Veladamente admitia o recurso à violência armada. Depois da independência do Congo, a 30 de Junho de 1960, a UPA pode contar com os microfones da Rádio Nacional do Congo e, através do programa “A voz de Angola livre”, recebida no norte angolano, inflamar as populações indígenas contra o poder colonial português, prometendo-lhes a libertação.
Panfletos anticolonialistas e pró-independência circulavam clandestinamente quer em território bacongo, quer nos musseques e bairros populares de Luanda, pelo que os acontecimentos que ensombraram os primeiros três meses de 1961, dando origem à Guerra Colonial, apresentam-se como o desenlace óbvio da luta dos movimentos de libertação angolanos.
Em suma: tendo o governo português fechado os ouvidos aos libelos acusatórios, às conferências de imprensa, aos manifestos, às notícias na imprensa, às proclamações produzidas em fóruns e conferências internacionais, às petições à ONU e aos vários pedidos de negociação com vista à autodeterminação e independência das colónias, chegava a hora da confrontação armada. De um lado e do outro da barricada perfilaram- se as armas. O tempo de espera estava prestes a terminar.

Andrew Francis (Independent Scholar), “Be British; Buy British!” Commercial advertising in New Zealand during the First World War, 1914-1919
This paper analyses the New Zealand-based promotion of the British imperial cause during the First World War. Particular attention is paid to the role of commercial advertising and its construction of an imperial brotherhood of consumers; a reconstitution of New Zealand’s national identity within a wider imperial framework; and its success in promoting patriotic, pro- war propaganda. Wartime advertising became an economic, social and cultural instrument through which the virtues of empire could be stressed. As New Zealand service personnel enlisted to fight overseas – by the end of the conflict 100,000, or approximately one-tenth of the wartime population, had served – items as diverse as cigarettes, underwear, fountain pens, cameras, biscuits, motorcycles, soap and boot polish were re-branded to demonstrate the New Zealand home front’s commitment to the British-led war effort.
The promotion of empire-made goods had a dual function: not only was the New Zealand public strongly encouraged to ‘Buy British’, they were asked to do so at the expense of German- made goods, which had sold well in pre-war New Zealand society. In terms of reception, this sparked the establishment of pseudo-patriotic organizations such as the Women’s Anti-German League, whose principal aim was to expunge German trade and traders’ influence from the New Zealand economic landscape. The extreme manifestation of eradicating ‘enemy’ trade influence led to, in a number of cases, German-owned businesses being vandalized by what were often described as ‘overzealous patriots’.
An assessment of New Zealand’s advertising campaigns during the four-year conflict reveals a concerted effort to couch merchandise in pro-British and pro-war language: overt patriotic, imperialistic symbols adorned poster campaigns and product packaging, leaving little doubt as to where these companies placed their loyalty. Politicians, producers and commercial traders seized the opportunity created by the onset of war to safeguard, and then extend, the financial prosperity of the country by fostering, then cementing, more stable economic relations with Britain and other parts of the empire. Also, it was hoped that the process of eschewing ‘foreign- made’ items in favour of British ones, would galvanize the home front further in its support of the war effort. One unforeseen consequence of this was the hostility experienced by traders with German surnames or selling German-made items. As a result, the outbreak of war in August 1914 signalled both the commencement of a relentless campaign from which imperial trade could only prosper, as well as the marginalization of New Zealand’s German-descent population.

Andrew Tait Jarboe (Northeastern University – Boston), All the Empire’s Men: Propaganda and Imperial Citizenship during World War I
The First World War was a global contest. In the span of four years, empires and wartime exigencies facilitated the migration of millions of human beings to and from every corner of the globe. The Entente powers drew heavily on the manpower of their vast overseas territories. Senegalese riflemen joined in the abortive counterattack on Alsace-Lorraine in late August 1914. In total, France supplemented its metropolitan army with nearly 500,000 soldiers from Africa and Southeast Asia. Another 1.4 million Indian soldiers fought for the British Empire in Europe, Africa, the Middle East, and Southeast Asia. These soldiers were only part of a truly global army. At any given time along the British sector of the Western Front, one would have encountered Anglo and First Nation Canadians, Muslims and Sikhs from the Punjab, Afghan Afridis from the Khyber Pass, Gurkhas from the foothills of Nepal, Newfoundlanders, Jamaicans, Australians, New Zealanders, Maoris, South Africans, and Egyptians. Although the German Reich was unable to draw on the manpower of its overseas empire to the extent that its rivals did, African riflemen known as askaris fought alongside German soldiers, defending Germany’s colonial possessions on the African continent.
In light of the significant presence of colonial soldiers in the armies of the major powers, it should come as no surprise that these troops featured prominently as a subject of propaganda – both that produced for metropolitan audiences and colonial audiences. This paper demonstrates that as the warring powers invited colonial subjects to participate in the defense of the empire, government-sanctioned propaganda cultivated affinities for a shared sense of imperial citizenship, the contours of which readily transcended national borders and racial boundaries. As citizens of the British Empire, so the argument went, Punjabi Muslims and Canadians had the same burden as Englishmen to defend the Empire from the ambitions of German Weltpolitik. Yet propaganda appealing to the wartime responsibilities that came with imperial citizenship also opened the door to claims from colonial subjects for greater political rights within the imperial hierarchy. Politicians in West Africa and newspapermen in the Punjab, for example, issued their own steady stream of propaganda and harnessed their appeals for racial equality to the sacrifice and performance of African and Indian troops on the battlefield. The First World War and imperial propaganda, therefore, cultivated imperial attachments and fueled expectations for change. Thus, this paper does more than analyze top-down perspectives on the role of propaganda during the First World War. It compares the propaganda produced for colonial audiences by imperial authorities in London, Paris and Berlin with the responses offered by colonial subjects. While the British and French empires survived the First World War intact, I suggest that wartime propaganda about colonial soldiers significantly undermined the imperial edifice well in advance of the “Wilsonian Moment” at the end of the conflict.[1]

Anne Rosenbush, (National University of Ireland, Maynooth), Por la pátria y por la verdad – Germany’s effort to maintain Spanish neutrality during the First World War
This paper proposes to highlight some of the aspects of the German propaganda campaign in Spain during the First World War. As an important outsider in the conflict, Spain quickly became a battleground for both warring sides. With little regard for the country’s neutrality, the Central Powers as well as the Entente bribed newspaper editors and journalists, bought control over entire publications, fed newspapers with their articles and distributed their own publications, such as Por la patria y por la verdad, all over the country.
In Spain the First World War took place against a backdrop of great political instability which had begun to increase at the end of the nineteenth century after Spain’s defeat in the Spanish-American War. While the ruling elite of wealthy landowners and aristocrats unsuccessfully tried to halt the crisis facing the constitutional monarchy, the reform movement gathered momentum and groups previously excluded from power demanded to have their say in domestic politics. Given Spain’s military and economic weakness as well as its domestic troubles, the country’s declaration of neutrality at the outbreak of the First World War was hardly surprising. Although the decision to opt for neutrality was initially met with widespread support amongst Spaniards, it quickly became a contested issue causing great public debate. Various liberal and conservative governments struggled to meet demands by both warring parties and maintain neutrality at the same time. The debate between Germanofilos, supporters of Germany and the Central Powers, and the Francofilos, supporters of the Allies, was cleverly manipulated by Germany, whose propaganda campaign in Spain surpassed that of the Allies throughout the duration of the war. Despite being considerably smaller in numbers than its British and French equivalents, the German community in Spain was quickly mobilized and carried out a large part of the propaganda effort. Widespread German propaganda in Spain was mainly owed to this successful self-mobilization, countering later arguments, most famously brought forward by Ludendorff and Hitler, that Germany lost the war due to unsuccessful propaganda.
The German propaganda machine in Spain was set in motion right from the outset of the war while the Allies were slow to follow in their response. A large part of the German effort focused on the Spanish press. Due to rising prices in paper many Spanish newspapers were struggling financially, which made them susceptible to bribery. The German ambassador at Madrid convinced the Auswärtige Amt to finance contributions to Spanish newspapers. While the German embassy, with the help of private news services, established contacts with Spanish journalists who would write pro-German articles, Spanish newspapers were targeted and subsequently published articles praising the German war effort. To counter the negative image of militarist Germany employed in Allied propaganda, German propagandists in Spain organized lectures, talks, exhibitions, film screenings and concerts to highlight the country’s cultural achievements. While German businessmen were able to call on their contacts in press, industry and politics by the time the First World War broke out, the German diplomatic corps was also firmly entrenched in Spanish upper-class society, enabling diplomats to wield their influence over Spanish politics. This influence became particularly evident when in 1917 a press campaign initiated by the German embassy contributed to the downfall of the liberal, pro-Allied Prime Minister Count Romanones.
The extent and success of German interference in Spanish domestic affairs through propaganda clearly demonstrates that neutrality did not prevent Spain from being affected by the war. It also highlights how little consideration both belligerents had for neutral states which essentially were at the mercy of the greater European powers. Although Spain did not join the war on either side, the propaganda war waged on the peninsula ensured Spanish neutrality remained hotly debated, allowing existing divisions within Spanish society to deepen.
António Paulo Duarte (IDN e IHC-FCSH-UNL), “Propaganda de Guerra e conhecimento historiográfico. A influência do Guerrismo e do Antiguerrismo na leitura historiográfica da participação portuguesa na Grande Guerra
A beligerância nacional na Grande Guerra, é reconhecido, cindiu em profundidade os portugueses. Esta divisão não resultou da intervenção na Grande Guerra sendo consequência da proclamação da República em 1910 e da questão religiosa subsequente, podendo-se contudo traçar algumas das suas mais longínquas origens, à disputa entre vintistas e cartistas, a linha divisória que fraturava ideologicamente Portugal. A intervenção efetuada num quadro de profunda divisão ideológica só intensificou, e de forma dramática, a cisão já existente. A densificação da violência interna e o estado de pré guerra civil foram o efeito evidente da divisão existente.
A historiografia contemporânea reconhece e demonstra com grande evidência de testemunhos de diversa índole esta realidade que é consensual. Não é contudo consensual a interpretação das causas que a produziram, havendo um intenso debate em redor das mesmas. Este debate é salutar e espelha uma historiografia contemporânea com alguma pujança, fruto de um variado e razoável número de historiadores, catalisando variadas interpretações, em dialogia, que asseguram as distintas visões e a possibilidade de disputa de ideias.
Não obstante, não se tem feito observar ou não tem sido devidamente apercebido, quanto a historiografia contemporânea tem debatido o intervencionismo e o antiguerrismo com base nos argumentos desenvolvidos pelos atores da época estudada. Com efeito, o intervencionismo é visto quantas das vezes como um erro crasso de uma República ansiosa por se evidenciar e legitimar internacionalmente, desprezando as suas reais possibilidades e enviado para o combate nas trincheiras um exército completamente impreparado para a violência da guerra total. Opiniões contrárias vêm por sua vez afirmar que o intervencionismo era um dever patriótico de valorização e de defesa da soberania de Portugal e que coube à traição interna destruir o esforço bem-sucedido dos governos da União Sagrada em evidenciar Portugal como um ator a ter em conta na Grande Guerra. Estes argumentos são quase os mesmos com que durante a Grande Guerra e no rescaldo desta os propagandistas de ambos os campos desavindos de Portugal se digladiaram acusando-se mutuamente pelo desastroso resultado da nossa intervenção na contenda bélica.
A conferência pretende evidenciar esta relação íntima entre a propaganda coeva da Grande Guerra (em ambos os campos das trincheiras internas) e a narrativa historiográfica contemporânea. Subsequentemente, numa segunda parte, tentará evidenciar-se as causas que fazem com que os historiadores atuais repliquem muitas das vezes os argumentos dos ideólogos do intervencionismo e do antiguerrismo, realçando desde já que duas causas nos parecem mais relevantes: o debate ideológico contemporâneo, que em parte deriva daquele que existia na I República (não estamos assim tão afastados dessa época) e alguns (de)limites teórico – concetuais, nomeadamente no campo das lógicas do conflito e da guerra, que permitiriam ampliar de forma mais profunda análise e a dissecação das narrativas propagandísticas dos duelistas portugueses coevos, sobrepujando os seus argumentos e rompendo com as leituras coevas da Grande Guerra.

António Rego (Leiden University and IHC-FCSH-UNL) Resisting an inconvenient peace: analyzing narratives of national identity by the Ukrainian underground in Polish Galicia, 1945-47
The aim of this paper is to study the English language propaganda of the Organization of Ukrainian Nationalists – Ukrainian Insurgent Army (OUN-UPA) in Polish Galicia between 1945 and 1947. This organization fought the Poles, the Germans and the Russians during and after WW2, until 1953. These texts were produced during the aftermath of WW2 and had a dual aim: first, to propagate in western Galicia a narrative of a battle between good and evil – the forces of the UPA, defending democracy and national self-determination of the Ukrainian people, and the Muscovite Bolshevik imperialists, who smother it; second, to convey this idea to the western world, attempting to gather support. I intend to show how this involved (1) the crafting of very selective, sometimes conflicting, historical narratives in order to attain moral high ground, (2) a substitution of an inconvenient recent past (including fascist ideology and practices of ethnic cleansing) for an older one, more conducive towards the notion of victimhood, and (3) the mobilization of people through the use of emotions such as resentment. These narratives involved both symbolic and actual violence, resulting in a lasting impact on the crafting of identity. The main question presented in this paper is how the relationship between these powerful narratives (both mythologizing and disenchanting) and the process of nation-building was processed in this territory, and how resentment was a key emotion instrumentalized. To this end, a collection of Ukrainian underground newspaper articles translated into English and delivered to the American Ambassador in Poland is compared to other ideological and propagandistic texts of the OUN-UPA, and their narratives are compared to their actions both during and after WW2. Conclusions will be drawn as to the use of language tropes and historical taboos, and an ideal-type of this propaganda discourse will be tentatively set forth.

Artur Silva (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa), A instrumentalização pela Propaganda Nazi dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936 em Berlim
“I wanted no part of politics. And I wasn’t in Berlin to compete against any one athlete. The purpose of the Olympics, anyway, was to do your best. As I’d learned long ago from Charles Riley, the only victory that counts is the one over yourself”.
Foi assim que Jesse Owens, atleta olímpico norte-americano, qualificou a sua participação nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. No entanto, ainda que inconscientemente, este desportista provocou um abalo evidente às teorias da superioridade da raça ariana professadas pelo regime de Adolf Hitler. Assim sendo, a competição desportiva que teve como forte impulsionador o Dr. Carl Diem e que estava projectada para ser uma fonte de propaganda e fortalecimento do regime nazi – desde logo, pela carga ideológica que se afigurava, em termos de exaltação do nacionalismo da nação alemã, bem como por se tratar da primeira grande competição olímpica com transmissão televisiva – acaba por ser “ensombrada” pelos sucessos desportivos de um atleta de origem afroamericana que não correspondia aos padrões professados pelo nazismo.
A competição olímpica de 1936 – designada historicamente como os “Spiele unterm Hakenkreuz” (jogos sob a cruz suástica) – já planeada desde 1916, não foi, porém, devido a um conjunto de circunstâncias, levada a bom porto. É, além disso, curioso constatar que, inicialmente rejeitada pelo regime nazi, a organização dos jogos olímpicos foi vista como uma excelente oportunidade para fortalecer a ideologia do regime pela mão de Theodor Lewald e Carl Diem que conseguem convencer Hitler e o departamento propagandístico liderado por Joseph Göebbels.
Em consonância com as potencialidades propagandísticas deste evento, Carl Diem e o Comité de Organização dos Jogos tiveram à sua disposição valores orçamentais quase ilimitados que se traduziram, desde logo, na construção do estádio olímpico de Berlim com a capacidade para cem mil lugares – ao contrário da inicialmente prevista remodelação do até então existente –, pelo que se atribuiu um orçamento que ascendeu a quinhentos milhões de Reichsmark. Foram, neste contexto, porta estandartes do regime, entre outras exacerbações, o hino composto por Richard Strauss para a cerimónia de abertura designado como “Anéis Olímpicos”, bem como um filme sobre a competição encomendado à realizadora “Leni” Riefenstiehl.
Ora, em termos propagandísticos, a organização destes Jogos Olímpicos cumpriu dois objectivos essenciais:
Difundir a ideia de que a “nação alemã” era movida por um espírito de paz;
Afirmar a efectividade da política ditatorial do regime nazi, denotando uma lealdade para com a “nação alemã”.
Pretendia-se com estes dois aspectos demonstrar que a organização alemã de um evento desportivo olímpico assentava no rigor e na perfeição, de modo a que se pudesse lançar o entusiasmo por entre o povo germânico e relançar o “espírito do regime”.
Havia, assim, uma condição essencial para esta montagem propagandística: o sucesso dos atletas alemães teria que ser estrondoso.
Centrados neste aspecto, pretendemos responder às seguintes questões:
Será que o sucesso de Jesse Owen chegou a “beliscar” a ideologia de Hitler? Quais os reflexos na estrutura propagandística do regime de Hitler das quatro medalhas de ouro conquistadas pelo “herói” Jesse Owen? Como superou o regime a conquista “traumática” de um “negro” norteamericano?

Baastian Williams (University of Edinburgh), What is to be defended ? The emphasis shift of the propagandist message in German cities during the final stage of the Second World War
The research of the Nazi perseverance during the final stage of the Second World War never fails to include an analyses of the regime’s propagandist efforts to encourage both the home front and the military to persist to the bitter end. In recent years, this research saw an intensification and reached a broad audience as well-known historians, such as Stephen Fritz (Endkampf, 2004), Richard Bessel (Germany 1945, 2010) and Ian Kershaw (The End, 2011), contributed to the debate. They tend to focus on nation-wide propaganda, most notably spread through newspapers and news-reels, which stressed the message of perseverance  (durchhalten) to be reached by an unshakable trust in the Führer, the promise of a collapse of the Allied alliance and the full-scale deployment of Wunderwaffen, to name but some.
Little attention, however, had been devoted to local propagandist initiatives, which sprouted in many German cities, especially in its Eastern provinces. This neglect is somewhat odd, especially considering the dissolving state of the Reich, which made the need for these kind of initiatives all the more apparent. By 1945, the war was no longer solely a struggle for existence of the Reich – as portrayed in the nation-wide propaganda – but rather a matter that affected one’s direct environment, reaching the homes and families of the majority of the Germans in the course of that year. Although this message did not fail to find its way to nation-wide propaganda as well, its emphasis remained on fighting a common cause. However, with large German areas becoming more and more isolated, it is hardly surprising that local bodies started to pursue their own course, interchanging a considerable size of nation-wide views in favour of a message that appealed more to a confined public originating for the district or town in question.
So far, the use and impact if these local efforts have barely been investigated, and this paper therefore strives to bring to light to what extent local propagandist efforts strengthened the will to continue the fighting in Germany. Königsberg, the capital of East Prussia, will be used as a test case, since, due to the cities’ designation as fortress (Festung) in January 1945 and its subsequent siege by Soviet troops for over two months, its garrison and its civilian population were bombarded with a large variety of propaganda in order to bolster their fighting spirit. The research, consisting of archival material of two local archives, Archiv Stadt Königsberg in Duisburg and the Gosudarstvennyi Arkhiv Kaliningradskoi Oblast in Kaliningrad, as well as reports of the Lastenausgleichsarchiv (part of the Bundesarchiv) in Bayreuth, combined with a large number of first hand accounts, reveals that soldiers and civilians alike were more receptive to local propaganda, which was tailored to their particular situation, than to the oft-repeated slogans of their government.
Throughout the siege of Königsberg, both local and nation-wide propagandist efforts in the city were presented with different challenges and opportunities, caused by the constantly changing circumstances that arose as a result of the day-to-day events. As these events are key in understanding why the focus of the propaganda altered, the structure of this paper will be largely chronological. Firstly, attention will be paid to the period immediately prior to the siege: 1-30 January 1945. Secondly, a short period, the first two weeks of February, will be assessed, followed by the final period, which lasted from mid-February to early April, when the city was captured by Soviet troops. These successive stages will show that local propaganda grew in importance, increasingly pushing the national propaganda to the background, and therefore this paper nuances the commonly accepted view of propaganda mainly as a means for the masses, but rather as a ‘personalised’ and versatile tool, capable of swiftly adapting to specific situations. As this paper mainly consists of previously unused archival material, it will contribute to a broadening of the understanding of propagandist measures during the last months of the Second World War.

Bénédicte Chéron (Institute de recherches stratégiques de l’École militaire, France), Fiction films and the Algerian war: post-war propaganda and competition of memories
Propaganda during the Algerian war is an essential issue : what is at stake is ideology, at least as much as territory, since its purpose is not only independence, but also revolution. During the war, propaganda has many sources and finding its ways is all the more complex as, coming from actors of different nature, there is no symmetry between the kinds of propaganda that have been used. Producing propaganda is a topic that has already been largely explored, even though researchers may still inquire further some specific mechanisms. On the contrary the Algerian war particularly suits a too often ignored field of study : how post-conflict systems of representations are constructed so as to continue the wartime propaganda.
French cinema is one of the medias that carry on systems of representation after the end of the conflict. But can we talk about propaganda in the sense of a “systematic action on public opinion to make it accept specific ideas” (Larousse)? Our study case is not made of one actor alone who would release stories or images. However, representations released by these movies are systematic and raise the issue of the conflict going on in images.
The question is all the more accurate that most of movie makers who deals with the Algerian war claim to deliver a message on that war. We consider in our study that the film director is the author. Analyze the author’s purpose in a film implies to take into account the relationship between “what to tell” and “what to do”. When “what to tell” prevails over “what to do”, the film carries a message first, around which artistic creation is oriented. When “what to do” comes first, it means that the film is truly a collective work that is made possible because of one’s creative will, able to make it emerge from technical or economic constrains proper to that art.
In the overwhelming majority of French films on the Algerian war, “what to tell” prevails over “what to do”. There is clearly, every time, a message – that is a will to propagate a point of view over the conflict and to stand in the continuing dispute that occurred during the war, speaking in favor of a view against another.
Can we talk about propaganda since there is no coordination in the diffusion of these representations, while each movie is a work in itself, and in no way a single part of a global communication plan? Yes indeed, if we consider that each of those who started a film situated themselves – consciously or not, willing or not – in any of both sides who had developed an obvious propaganda during the conflict. So propaganda might have continued in peace time so as to justify in retrospect behaviors of both side.
The systematic dimension of representations appears to be particularly accurate when dealing with direct protagonists of the war : French soldiers of any rank, independence fighters, politicians, civilians, harkis, pieds-noirs… All are always presented as actors of a tragedy made of victims and persecutors. Depending on films, victims and persecutors change. In more complex stories, victim and persecutor may meet in the same character. But the opposition between systems of representations remains, in which each category is associated with same features, so that a post-war propaganda is set up. That is the starting point of a new conflict: the competition of memories.

Bernard Wilkin (University of Sheffield ) Allied propaganda in occupied Belgium and France during WWI
Historiography has underlined on numerous occasions the dominance of Allied propaganda during the First World War.[2] Yet, this view is deeply contradicted by the situation in the newly occupied territories of France and Belgium where the invaded populations were intensively exposed to German propaganda. Such were the worries of the governments of Belgium, France and Great Britain, that dedicated secret units were created to produce an extensive and sophisticated counter-propaganda delivered both by the airs and by underground channels. This paper will not only examine the role of these units and their work but will also question the role of German propaganda in the occupied territories, the relations between psychological warfare and democracy, the strategies of communication and their impact over the populations in the invaded regions.
The question of German propaganda, its reasons, methods and messages, in the newly conquered territories constitutes the first part of the paper. Indeed, the management of the civilian morale by the German forces is central to the comprehension of the subject. As soon as October 1914, Section IIIb of the German Imperial army started a coordinated operation of communication with the French- and Flemish- speaking populations. To that effect, newspapers and posters were used during the whole war to deliver a message in line with the views of the Oberste Heeresleitung. This source of information was, for the civilian population trapped behind the lines, the only legal way to be in touch with the events. Yet, it was soon perceived as a major danger for the national cohesion by the Allies who decided to initiate operations of counter-propaganda on a vast scale.
The questions revolving around a state and military controlled campaign of counter-propaganda aimed at civilians and the consequences of an aggressive rhetoric contradicting the Germans constitute the core of the paper. The coordination of allied propaganda operations highlights the uneasy relations between propaganda and democracy. While the French and the Belgians decided to submit their newly created units, writing newspapers and pamphlets in the national languages, to their Minister of War and their Governments, the British entrusted blindly the War Office and the secret services and decided to keep the political world in the dark. Discomfort also characterised the relations between military headquarters and state communication. Indeed, the distribution of propaganda, mostly dropped by the aviation, met the scepticism of the commanders of the air force and their soldiers who were unwilling to risk their life for pamphlets. The distribution also faced the challenge of international laws such as De Hague convention which had not foreseen the war in the air. The blurriness surrounding the rules of war was instrumentalised by the Germans who tried to neutralise allied propaganda at all cost.
This paper offers a transnational comparison of the propaganda’s content. The study of these newspapers demonstrates that France and Belgium stayed moderate in order to avoid exaggerations and the risk of being contradicted by the German press. On the contrary, Britain fully integrated an aggressive narration in line with the general brutalisation of the conflict. However, this violence was matched by French black propaganda, the only nation to use this type of communication behind the lines, in line with the vehement rhetoric of the rear.
Lastly, the impact of German propaganda and the effects of Allied counter-propaganda on the occupied populations are also addressed. Civilian accounts demonstrate that the invader’s campaign of communication had a demoralising effect. Many non-combatants felt neglected or abandoned by their governments and a majority of Belgians even lost faith in a positive outcome. In that context, aerial propaganda was a welcomed relief. However, the difficulties imposed by a chaotic mode of distribution impaired its efficiency and refrained from shifting completely the morale situation in the occupied territories. Despite these limited results, propaganda aimed at occupied civilians had a lasting legacy. The experience accumulated during the conflict was analysed by the authorities following the armistice before being replicated efficiently during the Second World War by the British to communicate with French and Belgian civilians.

Blanka Matkovic (University of Warwick), Demographic losses in the Second World War in former Yugoslavia: How did the communist propaganda shape politics and society ?
Researching demographic losses of the former Yugoslavia in the Second World War has remained one of the most controversial topics in the modern history of the Balkans. The obstacles, that every historian necessarily has to face while researching this topic, were influenced by several reasons, including political ones.
In the first place, the number of victims has been manipulated since 1942 when the Communist propaganda exaggerated the number trying to motivate larger number of people to join their forces. The starting point was the existence of the labour camp Jasenovac in the Independent State of Croatia, founded in the summer of 1941, and where, according to the Communist brochure published in late 1942, 300,000 prisoners were murdered by the end of that year. Manipulating the number of Jasenovac victims continued immediately after the end of the Second World War when Josip Broz Tito suggested that „during the four years we have lost one million and seven hundred thousand of our citizens“, and it served as the most important part of exaggerating the number of the war victims in general.
However, Tito’s statement needed scientific confirmation, but the prominent demographer and Professor Dolfe Vogelnik and his assistant Alojz Debevec refused this assignment since there was no population census and instead, they decided to pass it on to Vladeta Vučković, at that time a math student who was working at the Bureau of Statistics in Belgrade. He was given two weeks to calculate the total figure of all victims with the instruction that the number „must be impressive, but scientifically-statistically based“.
Nevertheless, the number of 1,700,000, that Vučković provided, „either out of ignorance or in order to deceive, the people of the regime turned demographic losses into actual victims, which were according to all investigations scientifically funded something more than a million.“ What is more, that number of one million people was supposed to include also those killed by the Communist forces.
However, the number of over 1,700,000 alleged war victims was presented by the Yugoslav representative Edvard Kardelj at the Paris Peace Conference in 1946 and it remained the official one till the disintegration of Yugoslavia in the early 1990s.
Based on the number of Yugoslav war victims of one million, provided by the USA government in 1954, Germany refused to pay reparations for 1,700,000 alleged victims. Therefore, the Yugoslav authorities were forced to conduct a new research in order to provide more accurate data. The list of victims was finally completed in 1964, but the result was „disappointing“ since the total number was indeed approximately one million, including 597,323 victims of the so-called „fascist terror“. According to the same list, approximately 60,000 people died or were killed in the camps Jasenovac and Stara Gradiška, where, as the Yugoslav authorities claimed, at least 700,000 people were murdered.
Official forensic investigations, conducted in 1964 in Jasenovac, were supposed to prove a huge number of Jasenovac victims and the Yugoslav war victims in general, but were interrupted since, after investigating 130 locations, they found seven mass graves which held a total of 284 victim remains. However, it is important to emphasise that the report, signed by Dr Alojz Šercelj, stated that “a large amount of objects shows that the victims were brought directly to the bridge where the executions took place and they were not previously being held in the camp. On this particularly he indicates the presence of knives, rings, coins, etc.” Therefore, the remains found did not belong to the prisoners from Jasenovac at all, but probably refugees.
The research results in 1964 were shocking and the list was declared top secret. It remained unknown to the public until 1989 when it was mentioned for the first time in the magazine Danas.
Finally, an inaccurate number of the Yugoslav victims killed during the Second World War was used as one of the tools of Serbian propaganda during the Croatian War of Independence (1990-1995) when over 20,000 people were killed. Therefore, these manipulations and the flaws in previous research had a tremendous impact even on the generations born after the end of the Second World War.
Today, due to the reluctance to deal with communist war crimes and incomplete de-communisation of Croatian society, this topic in Croatia is still a matter not only of political and scholarly debates, but also of everyday life.

Cândida Cadavez (Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril), Turismo em Portugal no início da 2.ª Guerra Mundial – um inocente oásis na Europa, ou a eficácia de uma propaganda dissimulada
Em Portugal, data de Fevereiro de 1906 a criação de um órgão que tinha por incumbência a “propaganda do paiz”. Referimo-nos à Sociedade de Propaganda de Portugal, cujos estatutos destacavam a sua vocação para “promover o desenvolvimento intelectual, moral e material do paiz e, principalmente, esforçar-se por que elle seja visitado, admirado e amado por nacionaes e estrangeiros” (Sociedade de Propaganda de Portugal, 1914: 3). Décadas mais tarde, num contexto político diferente, e à imagem do que sucedia em regimes coevos que o Estado Novo anunciava como exemplos, em Portugal sentiu-se a necessidade da fundação de um órgão que se dedicasse de modo mais pleno à arte da propaganda e que promovesse o país interna e externamente.
Nos anos que assistiram à implementação do novo regime, o grande impulsionador das estratégias propagandistas de representação da nova “Nação” foi António Ferro através da direção que fez dos dois secretariados oficialmente incumbidos dessa tarefa, o Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), entre 1933 e 1944, e o Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), entre 1944 e 1949, altura em que foi encaminhado para a diplomacia. Ao contrário do que sucedia em Itália ou na Alemanha, por exemplo, onde chegaram mesmo a ser criados ministérios da propaganda, por cá um Secretariado pareceu bastar para “integrar os portugueses no pensamento moral que deve dirigir a Nação” (Decreto-lei n.o 23:054, 25 de Setembro de 1933). Ou seja, uma “humilde” repartição surgia como instrumento suficiente para divulgar as lições ideológicas que Salazar pretendia que todos aprendessem.
Apesar de, como referido, a direção do SPN e do SNI ter sido delegada a Ferro, por várias vezes foi o próprio Salazar que esclareceu este tema tão vital à sobrevivência do novo modus operandis político português. A 26 de Outubro de 1933, na inauguração do primeiro Secretariado, o Presidente do Conselho explicou que a principal função da instituição era facilitar ao povo o conhecimento daquilo que realmente existia (Salazar, 1961 [1935]: 263). O significado de “propaganda” tornou a ser explanado pelo chefe político numa reunião das comissões da União Nacional, em Fevereiro de 1940, na qual a comunicação “Fins e Necessidade da Propaganda Política” lhe permitiu repetir a sua convicção de que a propaganda surgia sempre ligada “à educação política do povo português [aliada a] duas funções – informação, primeiro; formação política, depois” (Salazar, 1943: 195). A omnipresente máquina propagandista do Estado Novo ia-se manifestando e apoderando cada vez de mais áreas da sociedade portuguesa numa tentativa de alcançar e de convencer tudo e todos acerca de legitimidade do novo regime. Nesse âmbito, esta apresentação pretende demonstrar como também as alegadamente inocentes e despretensiosas representações turísticas foram usurpadas pelos estratagemas de propaganda arquitetados por António Ferro e que, pelo menos no final da década de Trinta, eram ostentadas como evidências inquestionáveis das peculiaridades de uma “Nação” miraculosamente protegida da guerra e exibida como um espaço diferente e único. Não podemos deixar de evocar que em 1944 o SPN mudará de designação, deixando cair a expressão “propaganda” do seu nome original. A partir de então, e apesar de continuar a cumprir os objectivos anunciados em 1933, passou a ser conhecido por Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo. Parece-nos sobremaneira curioso constatar que um dos termos que substitui a desaparecida “propaganda” é precisamente a expressão “turismo. Vemos nesta nova designação um argumento corroborante de que o turismo corporizava, pelo menos na época que assistiu ao início da 2.a guerra mundial, uma área apropriada pela máquina de propaganda do regime, e que era tão válida como qualquer outra área da sociedade para veicular as lições necessárias para uma clara explicação da nova “Nação”.

Carolina Garcia Sanz (Escuela Española de Historia y Arqueología (CSIC) Roma), British propaganda dilema over neutrals during the Great War: more business than usual ?
In September 1914 a compilation of the “Despatches from his Majesty’s Ambassador at Berlin respecting an official German organisation for influencing the press of other countries” was presented to both houses of British Parliament. It was a collection of confidential reports issued between February and June 1914 by the former ambassador at Berlin, William E. Goshen, dealing with an alleged German project for a powerful secret association, so-called “Association for World-Commerce”, to the aim of promoting their industrial prestige in foreign markets. In other words, the German Foreign Office in conjunction with qualified business circles planned a global network to encourage national exports and political influence abroad through a subsidy system to the international press. The first step was setting up a specialized agency of communication with branches not only in Europe but also in America and Asia. But the information provided by Goshen was under a high degree of speculation, fueled by the cultural fears and stereotypes shaped on the German economic progress (HOFFMANN, 1933). So the control over neutral markets was one of the concerns raised at the time of the creation of the Neutral Press Committee in London. Particularly, the British merchant community in neutral countries put pressure on that point. Great Britain should fight the alleged plan of German world domination through tyranny over markets. Contrasting the German action towards Belgium, British propaganda sought to take advantage of the idea of her safeguarding neutral sovereignty and rights.
Therefore, belligerent interferences over neutral economies was one of the preferred topics for influencing the neutral press, as shown in the Italian case before May 1915. Moreover, the value of the warring powers as economic actors in neutral countries might tip the political balance against either side. So the neutral issue was soon raised due to the belligerent economic policies (FREY, 2000) but, as it will be seen here -through some British examples- not depending as much on their inmediate needs for war as on their postwar expectations. We can take, as an early proof of this, the memorandum written by Max Müller for the British Foreign Office in October 1914. Müller`s views on the potential propaganda work in neutral countries were focused on business press in Sweden, Denmark, Norway, Switzerland, United States or Italy. The retailatory postwar effects of neutral trade with the enemy represented a recurrent argument. Needless to say, the British approach to neutrals was to a considerable extent difficult to reconcile with the chosen rhetoric of respect for neutral rights.
Under these premises, we propose to assess the suitability of the British propaganda towards neutrals. In July 1917 the Information Department considered the work on neutral press as fully unsatisfactory. Several reports pointed to the neglect of the special psicology and prejudices of the countries to which the propaganda was being sent. The arguments had been constructed “on somewhat mechanical lines”, too general and superficial. In addition, the economic impact of submarine warfare was not accurately reflected in some key neutral press such as Dutch or Spanish newspapers. News were not published on time nor connected with the interests of the diverse neutral public opinions. Thus, it was required rethinking the whole strategy taking into account the remarkable German propagandists’ success in Spain, Sweden and South America. However, it would not be easy to correct those miscalculations due to the primacy of the partisan British views when approaching commercial relations with neutrals, affecting unavoidably the propaganda work. The influence of some lobbies in the Foreign Office, Board of Trade and Admiralty, to whom war might turn a stage to do more business than usual, capturing neutral markets at the expense of the enemy (French, 1982), and the harsh implementation of the blacklists in South America (Dehne, 2010), Spain (Garcia Sanz, 2011) and even in allied countries, above all Portugal and Brazil, severely challenged the British prestige policies abroad in key moments for the outcome of the conflict.

Cátia Pereira (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), Os intelectuais e a propaganda contra o Estado Novo
“Mutiladas e proibidas, ou simplesmente toleradas” – esta foi a sina das obras desenvolvidas pelo meio intelectual português ao longo do período de 1926 a 1974.
O regime olhava os intelectuais como um perigo político e social latente devido à capacidade de poderem influenciar a opinião pública e de subverterem os valores e os efeitos da sua propaganda, e por isso o Estado Novo com auxílio da Censura, exerceu controlo, pressão e intimidação sobre os intelectuais. Por parte dos intelectuais, mesmo com estes entraves, verifica-se uma resistência e uma oposição cada vez maior ao regime vigente em Portugal. Os intelectuais neste período não puderam dar curso livre à sua criatividade, nem afirmar plenamente a força do seu estilo, sem terem presente, no momento de pensar, de criar ou de escrever, que o fruto do seu labor seria obrigatoriamente analisado pelos homens da Censura, de cujos subjectivos e contestados critérios de apreciação dependeria muito do seu futuro. O Estado Novo manifestava uma “arte oficial” que dificultava quaisquer outras manifestações que lhe fossem exteriores. Isto contribuiu para um forte isolamento da comunidade artística nacional e a informação internacional que chegava até aos intelectuais era extremamente reduzida.
No que toca a Portugal, os intelectuais, no período compreendido entre 1958 a 1974, não foram ainda objecto de um estudo específico e de conjunto. No entanto, podemos constatar que existem investigações, que deram origem a biografias de alguns homens que foram considerados intelectuais na época e que se revelaram em vários momentos da História importantes para o panorama político e cultural e, é no contexto do Neo-realismo, movimento associado quer à componente literária quer às artes plásticas e, sobretudo, à história da resistência antifascista, que se vai desenhar uma nova configuração da figura do intelectual incumbindo-lhe, assim a missão de mergulhar nas massas para consciencializá-las. O Neo-realismo contribuiu para dar a conhecer a contra-imagem cultural de Portugal relativamente à que era imposta pelo Estado Novo. No entanto, nem todos os homens ou mulheres que lidavam com a cultura ou questões culturais ao serviço de um regime e dos seus órgãos de governo se podem, quer ontem quer hoje, considerar como «intelectuais orgânicos». Isto porque o intelectual não é apenas um intervencionista cultural e ideológico, mas é, também, alguém que pensa e reflecte sobre a própria cultura. Assim sendo, podemos afirmar que alguns activistas culturais são sobretudo «funcionários políticos», ou «políticos funcionários», ou, por assim dizer, são simples «funcionários culturais». A cultura serve apenas como instrumento para dar corpo à sua ideologia, que se caracteriza mais pelo carácter reprodutivo do que pelo sentido de produção. Tratava-se de levar a cultura até ao povo e, para o fazer era necessário estar disposto a descer do pedestal com o intuito de conhecer melhor o próprio povo e as próprias massas.
A intervenção intelectual marcou indelevelmente o nosso século e, nomeadamente, o Estado Novo no período de 1958 a 1974, numa fase em que a ânsia de descoberta de novos mundos para a Cultura estava na imaginação dos mais variados intelectuais, que na sequência do pós-guerra e da experiência que foi o Movimento de Unidade Democrática (MUD), queriam encontrar novas formas de intervenção cívica e cultural. Destas ansiedades proliferavam variadas tertúlias na cidade do Porto, em cafés, confeitarias ou, até mesmo em galerias de arte, e surgiriam, sucessivamente, várias instituições, que foram marcantes pela sua intervenção e valores criados, e que tinham como intuito criar um espaço público de actividade intelectual politicamente resistente: o Cine-Clube do Porto, o Teatro Experimental do Porto (TEP), a Árvore. Salienta-se também a importância da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, já existente desde 1882.
Em jeito de conclusão, assistimos assim, ao longo do século XX, a uma estruturação dos intelectuais como categoria social, mas gravitando em torno de grupos sociais vastos, mas assistimos também a uma desestruturação que atingiu de forma mais significativa sectores minoritários da intelectualidade, como os estudantes ou os escritores e artistas, sensíveis aos problemas do seu tempo, que suscitaram o seu envolvimento e o seu empenhamento activo nos assuntos da cidade.
Chima Korieh (Marquette University, Milwalkee), “For King and Country”: British Propaganda in Nigeria during World War II
“We have heard the course of this present war,” the Ututu Clan Executive Committee in Eastern Nigeria, wrote in a letter to the King of England during the Second World War. “That our British Government entered into this war just to secure peace, safety and freedom for the whole world in general. . . . Though we are but poor farmers by trade, we are quite prepared to render any assistance which may come to our reach to our British Government who is fighting for the world peace,” they continued. This letter expressed the feeling of the Committee to the British Government when the Second World War began. Indeed when the British Prime Minister, Mr Chamberlain addressed the House of Commons in April 1939 on the German aggression on Poland, he spoke about what was then perceived as an internal affair of Europe. Soon, however, what was supposedly a Europe war would engulf the whole world. The British position was described by the Nigerian Daily Times as a stand “Up Against Habits of the Jungle” and “A Stand for Fair and Free Negotiation.” The Times later observed that “Nazi violence of method has created an intense conviction, particularly among democratic countries, that international dealings will penetrate into the habits of the jungle if differences between larger and smaller nations continue to be settled by reliance on threat or use of brute force.” The paper emphasized that historic importance of the British Government’s declaration and commitment to stand for fair and free negotiation. But the failure of diplomacy and reason gave way to the kind of aggression which Europe had not known since World War I when Hitler invaded Poland on September 1 1939.
The Second World War, like many wars, was fought on different fronts and through different prisms. It was fought in the battle fields but it was also largely a war fought with propaganda. An elaborate system of media control and dissemination of information designed to promote particular views about the war was central to the war effort. Both German and the Allied powers devoted considerable resources to sell the war at home and win the hearts and souls of people in the colonies. The British used the radio, a medium that was available to 71 percent of British household in 1939 to effectively disseminate propaganda on the war. Both sides in the war, including the Americans used the print media to maximize the propaganda warfare. Leaflets were a cheap and effective way to sell the war to the public.
African societies were drawn into the war by association. By the time the war began, every part of Africa was under one colonial power or the other. But Britain and France, more than the lesser colonial players in Africa would rely heavily on their African colonies to help fund the war and provide other forms of support. Britain’s declaration of war on Germany on September 3, 1939 made her colonies participants in the war against Germany.
Nigeria, like other British colonies was flooded with propaganda. The propaganda intended for the African audience sought to recognize the African contributions towards the war effort, encourage continued African effort, and espoused the idea of the interdependency of the Empire. British war propaganda sought to sell the war to Africans through the notion of “we are in this together” as well as convey an image of unity among the colonies and dominion that was not reflective of previous relationship between the empire and colonial subjects. “For King and Country” was the relying cry of British war propaganda in Nigeria and throughout the Empire. Recruiting propaganda stressed the unity of the British Commonwealth of Nations. The call for Africans to produce goods and conserve resources during the war was seen as an extension of their patriotism towards the empire and for the common good.
This paper examines the propaganda strategies employed by both sides of the conflict and the impact on the African population. Beside maintaining public morale and encouraging public support for the War effort, British propaganda in particular brought to the colonial subjects the ideological import behind the war while  publicizing a given doctrine or worldview. It was one that distinguished the liberalism of the Allied powers from totalitarian and racist ideology of Germany and its fascist allies.

Clara Isabel Serrano (Ceis20 – UC), Augusto de Castro e António Lobo de Almada Negreiros impressões de guerra
Após as entrevistas realizadas em Espanha, entre Junho e Agosto de 1917, Augusto de Castro seguiu “em missão especial d’O Século à Inglaterra e à França”[3], tendo visitado também as trincheiras da Flandres. Dessa incumbência resultaram “crónicas de impressões”[4], que foram, posteriormente, reunidas em Campo de ruínas.
Dedicado “ao «amor» de um soldado português”[5], que naquela terra “precisava de ter por quem morrer”, o livro passava em revista o dia-a-dia nas trincheiras, os assaltos alemães, as paradas militares, os hospitais de campanha, o quotidiano das populações e o esforço militar português. Para além de retratar algumas personalidades da época, como Tamagnini de Abreu e Silva, comandante do Corpo Expedicionário Português, William Graves Sharp, embaixador americano em Paris, Eleftherios Venizelos e David Lloyd George, respectivamente, chefes dos executivos grego e inglês.
Mas, Augusto de Castro não foi o único enviado especial de O Século. À época encontravam-se também a fazer a cobertura jornalística do conflito António Lobo de Almada Negreiros e Paulo Mendes Osório. E também estes dois publicistas acabaram por reunir os escritos publicados n’O Século em duas obras. A primeira a ser publicada, ainda em 1917, e com prefácio de Bernardino Machado, foi a de Almada Negreiros, Portugal na Grande Guerra: Crónicas dos Campos de Batalha. Três anos mais tarde, foi a vez de Paulo Osório dar à estampa Quando estávamos em guerra. O que se desconhece ainda sobre os soldados portugueses em França.
Eram, contudo, Augusto de Castro e Almada Negreiros que faziam chegar com maior assiduidade os seus relatos à redacção do matutino lisboeta. O estilo de ambos era extremamente visual e perturbador, revestido de um tom dramático, destinado a causar a maior impressão possível nos leitores, que por certo, não deixariam assim de pensar nos seus compatriotas destacados na Flandres. Os dois repórteres de guerra, grandes conhecedores do meio jornalístico, sabiam bem que, quanto mais emocionantes fossem os seus textos, mais público captariam para a sua leitura e, em consequência, para a compra daquele jornal e não de outro. Uma vez que as suas crónicas afloravam idênticos temas, as suas opiniões acabavam, muitas vezes, por transmitir ideias, impressões e sensações semelhantes.
Com a presente comunicação propõe-se uma análise dos relatos de Augusto de Castro e de Almada Negreiros e avaliar o seu impacto no esforço de propaganda levado a cabo pela imprensa lusa da época. Não se pode escamotear que os jornais muito contribuíram para propagandear as virtudes do exército português, tendo funcionado como elo de ligação entre o front e a frente interna. Para além de se tentar ensaiar uma explicação para o facto destas obras nunca terem alcançado o êxito de outros livros, sobretudo os de memórias, escritos por combatentes, como Augusto Casimiro, Jaime Cortesão, André Brun, Vasco de Carvalho e Carlos Selvagem.

Cláudia Ninhos (IHC-FCSH-UNL), “Nem na Guerra as Musas se Calam”. As relações culturais com o III reich durante a II Guerra Mundial
Ao longo dos anos 30 as grandes potências europeias fomentaram, como nunca antes, o desenvolvimento de institutos culturais e de aparelhos de propaganda no estrangeiro. Esta forte competição foi particularmente visível em Portugal, que se transformou num verdadeiro palco onde se enfrentaram as instituições alemãs e italianas, por um lado, e as francesas e inglesas, por outro. Todas elas actuaram no sentido de influenciar, de algum modo, o rumo da ditadura portuguesa em seu favor. Esta “guerra” teve lugar, sobretudo, a partir da segunda metade da década de 30, no seguimento da eclosão de uma guerra civil no país vizinho. Com a vitória dos franquistas em Espanha juntou-se, também, a influência da propaganda de um outro país que, na Península Ibérica, caíra sob o domínio de uma ditadura de novo tipo.
Os objectivos destes esforços eram do conhecimento dos próprios dirigentes portugueses, chamados, em muitos casos, a participar activamente nas iniciativas organizadas pelas instituições estrangeiras. A nível temático, estas iniciativas reflectiam, de alguma maneira, os próprios modelos políticos dos seus países. O ministro da Educação Nacional, Carneiro Pacheco, discursando na inauguração do Instituto Britânico em Portugal, em Novembro de 1938,  reconheceu publicamente que as instituições culturais estrangeiras integravam o rol de instrumentos auxiliares da diplomacia. As principais instituições eram o Instituto Francês de Lisboa, o Grémio Luso-Alemão de Intercâmbio Cultural, o Instituto Italiano de Cultura e o British Council, a última a chegar ao país no final de 1938.
Em todo este processo, as comunidades estrangeiras residentes em Portugal tiveram um papel considerável, funcionando como pontos de apoio das suas instituições nacionais. Ao mesmo tempo, eram elas próprias alvo dessas instituições, e também das ramificações locais dos partidos fascista e nazi, que procuravam enquadrar e uniformizar a população nacional que vivia fora da pátria. E até a comunidade inglesa procurava ter uma activa actuação política, a ponto de o presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, ter de alertar a Embaixada inglesa em Lisboa para a forma «como se comportava a colónia inglesa». Esta, como confessou a Armindo Monteiro, falava e intrigava «com aquele ar de quem se encontra num país servil».
Obviamente que a diplomacia cultural, que aqui vamos tratar, foi, também, fruto do enfrentamento entre o modelo político e ideológico das democracias e o dos regimes totalitários fascistas. Recorde-se que, naqueles anos, a Inglaterra exercia uma forte influência política e económica, enquanto a França constituía o grande paradigma cultural para as elites portuguesas, hegemonias essas que alemães e italianos (aos quais se juntaram, depois, os espanhóis franquistas) procuraram substituir.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, as actividades de propaganda foram submetidas, em larga medida, a uma maior fiscalização por parte do governo português, que não podia permitir que os beligerantes divulgassem, de forma demasiado óbvia, conteúdos políticos e ideológicos. Em consequência, a propaganda teve que adaptar as suas estratégias de divulgação e persuasão, disfarçando simultaneamente os seus objectivos.
O propósito desta mesa é, assim, debater a problemática da diplomacia cultural e da propaganda propriamente dita. Centrando a análise na época da II Guerra Mundial, procuraremos ainda descortinar as suas origens, recuando até aos anos da implantação do Estado Novo. Com efeito, tenciona-se analisar as várias iniciativas no domínio cultural e desfazer as ambiguidades em torno de conceitos como “propaganda” e “diplomacia cultural”, evidenciando os cruzamentos e as diferenças entre ambos.
O conjunto das comunicações procura facultar uma perspectiva comparada sobre outro aspecto da assim-chamada “época dos fascismos”. Note-se que o estudo da diplomacia cultural dos regimes fascistas é uma novidade no campo da historiografia, que, se excluirmos os escassos trabalhos precursores, arrancou muito recentemente. Isto marca, sem dúvida, um novo rumo no estudo dos regimes autoritários daquela época, essencial para a caracterização destes sistemas políticos e das projecções transnacionais das suas narrações ideológicas, que marcaram indelevelmente a história do século XX. E, ao ser aqui introduzido o caso inglês, alarga-se, ainda mais, o espectro da análise. Tendo Portugal como centro da análise, a reflexão da mesa estende, para além disso, os seus horizontes à dimensão europeia. Incluem-se, por isso, dois case-study relativos à diplomacia cultural desenvolvida pelo regime de Mussolini no Leste da Europa e em Espanha, durante a Guerra Civil.

Claudia Salamanca (Universidad Javeriana de Colombia, Bogotá), Operation Checkmate: Propaganda in the age of the war against terrorismo
On July 2nd, 2008, the Colombian Armed Forces in a conjoined military operation known as Operation Checkmate released 15 hostages held for more than five years by the rebel forces of the Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC-EP). Among the hostages were former Colombian presidential candidate Ingrid Betancourt, three American security contractors and 11 Colombian military and policemen.  Operation Checkmate was a mimicry exercise.  Members of the Colombian Armed Forces posed as Red Cross and fictitious NGO workers who were accompanied by a TV crew from the Venezuelan news agency Telesur. This theater was designed to trick the rebels into regrouping the hostages in order to handle them to an international humanitarian mission that was in charge of relocating them. The fake TV crew recorded all the operation. The Colombian government released this documentation as well as a military video dairy that shows their preparation and Intel gathering. This military operation has become paradigmatic insofar as it is used to prove the professionalization of the Colombian Armed Forces and its strategic advantage in the war against terrorism placing the Colombian Armed Forces as a major military influence in the region.
Operation Checkmate is a military operation as well as a media event. In this paper, through a rhetorical analysis of counterinsurgency manuals, I analyze what is called the perception management plan and how the visual apparatus becomes “tactical” as they create in-theater information operations in the war against terrorism. I argue that Operation Checkmate  (its documentation) and its different media recreations (upcoming film, national geographic series, and books) have created and multiplied a global “influential spectator’s gallery of the international community.” This is not simply a refashioning of the old propaganda machine of the state. I argue that the war on terror has brought an epistemological change between words and images, representation and explanation that has set up new differentiations between enemies and friends.

Colin Gilmour (McGil University), “Unmasking” the Legion Condor: The creation of Nazi Germany’s first war heroes
May 1939, scant months before the outbreak of the Second World War, Germany welcomed home the members of the Legion Condor: those German servicemen, mostly airmen, who had fought secretly on behalf of General Franco in the Spanish Civil War. Docking at Hamburg on May 31st, the Legion was greeted by cheering crowds who lined the streets, after which it travelled to Berlin, where it paraded in full military splendor for Adolf Hitler and Nazi dignitaries in the city’s swastika-bedecked Lustgarten. Although, hailed as having defended Spain from the ravishes of communist barbarity, the existence of the ‘volunteers’ (in actuality servicemen who had been ordered to go) had previously been kept secret from the German populace. After months of planning, as archival records and the regime’s daily ‘press-instructions’ reveal, the Legion Condor was now ‘unmasked’, as Nazi Propaganda Minister Joseph Goebbels noted in his diary, in spectacular fashion. The members of the Legion Condor became national heroes, popularized through German mass-media in magazines, newspapers, the weekly newsreels, documentary film and radio broadcasts.[6] This event, coming as it did so close to the onset of the Second World War, remains one of the more forgotten moments of German military triumphalism in the Nazi period.
Scholarly conclusions about the propaganda surrounding the Legion Condor has been traditionally focussed, by historians including Peter Monteath and Jutta Sywottek, upon two central points of significance, both connected to the psychological preparation of the German people for war: the fight against communism, and the advertisement of the nation’s military strength.[7] While these two themes were assuredly present, the return of the Legion Condor and the resulting publicity also represents an important event in the development of hero-propaganda in the Third Reich. Specifically, the men of the Legion represented the first war-heroes of the period; German servicemen soldiers who had fought (even if secretly) in the name of the Third Reich against its enemies abroad. Until this point, as historian René Schilling has capably documented, it had been the German heroes of the Great War whom propagandists had heralded as embodying German military accomplishment and heroism.[8] Though, as Schilling argues, such figures would continue to be highlighted, the Legion Condor represented the first battlefield heroes which Nazi Germany could boast of as its own, those to whom the torch of German military prowess and heroism could be passed. Consequently, the careful planning which had gone into the propaganda glorifying the Legion represents the first experience of propagandists in glorifying and mythologizing the exploits of contemporaneous military heroes.
Using research conducted as part of my doctoral thesis, my paper will document the place and role of this event in the development of war-hero culture and propaganda in the Third Reich. It will begin by examining the period leading up the Legion Condor’s return, analyzing sources related to the planning of the subsequent propaganda campaign including the diary of Joseph Goebbels and the daily press- instructions of the Reich news service. It will also document the campaign itself, using primarily textual and visual sources including relevant newspaper articles, periodicals like Der Adler, and Die Wehrmacht, published non-fiction, radio-broadcasts, and informational films. Through this analysis I will argue that since, as Peter Monteath has noted, the propaganda campaign surrounding the Legion Condor’s return in the summer of 1939 was both war propaganda and pre-war propaganda, it marks an important and significant stage in the development both of war propaganda as a whole, and war-hero propaganda more specifically in Hitler’s Germany.[9]
Daniel Gomes (Instituto Politécnico de Leiria e CEIS20), Propaganda como arma de guerra no conflito colonial. Amílcar Cabral e Spínola e o confronto ideológico no conflito da Guiné (1968-1973)
De um modo geral, o conflito que opôs as forças políticas e militares portuguesas aos movimentos de libertação das colónias o papel da propaganda ainda não está devidamente estudado pela historiografia em todos os seus aspectos, principalmente no plano militar e, em particular, no que respeita à propaganda praticamente nada foi objectivamente abordado. Contudo, através de uma investigação desenvolvida no âmbito de uma tese de mestrado acerca da evolução do confronto estratégico durante o conflito colonial na Guiné, percebemos que a propaganda desempenhou um papel importante, senão decisivo no evoluir da guerra naquele território, em especial a partir do momento em que o general Spínola ali iniciou a sua governação política e militar.
Efectivamente, o PAIGC mobilizou e construiu um aparelho político-militar com um impacto considerável, comparado com os restantes movimentos das outras colónias portuguesas, quer quando comparado com a própria estrutura político-militar colonial da Guiné. Paralelamente, Amílcar Cabral foi desenvolvendo, ao longo do conflito, uma estratégia propagandística, em grande medida centralizados na sua pessoa, através da sua presença e dos seus discursos, envolvendo, no nosso entender, três áreas políticas, com uma importância estratégica fundamental para a sobrevivência, desenvolvimento e consagração do partido.
Em primeiro lugar, a propaganda foi essencial enquanto factor de mobilização de massas em redor dos objectivos políticos e militares do PAIGC, incluindo todo o período que vai desde a sua fundação até ao processo de tomada do poder, imediatamente após as negociações de Argel. De seguida, a propaganda teve influência e foi amplamente utilizada no sentido de desmobilizar as forças do inimigo, numa perspectiva clara de desgastar o regime português, levando-o a negociar a autodeterminação e independência, no fundo aquilo que Cabral sempre definira como o principal objectivo do partido. Por fim, a propaganda foi utilizada naquilo que, pensamos, ter sido, de facto, a grande arma do PAIGC durante todo o conflito que opôs ao regime português, ou seja, a política externa. Amílcar Cabral conseguiu garantir apoios materiais, políticos e ideológicos que foram, progressivamente, ajudando a isolar ainda mais os dirigentes políticos do Estado Novo e que culminou com o reconhecimento da independência da República da Guiné-Bissau, de cerca de oitenta países, poucas semanas após a declaração unilateral proclamada em 24 de Setembro de 1973, em Madina do Boé.
Neste sentido, se o PAIGC conseguiu utilizar a Propaganda de uma forma decisiva, ou quase, e a verdade é que o poder político português, metropolitano e colonial, apenas conseguiu dar uma resposta equilibrada, neste campo, apenas quando o general Spínola foi nomeado Governador e Comandante-Chefe da Guiné. Foi, aliás, em grande parte devido à propaganda que, entre 1968 e 1972, as tropas portuguesas conseguiram equilibrar o conflito, facto reconhecido, inclusivamente, por destacados militantes do PAIGC. Não podemos ignorar o facto de que uma das condições que Spínola teve a ousadia, diríamos, de impor a Salazar (foi ainda este que nomeou Spínola em 1968, meses antes da sua substituição por Marcelo Caetano) foi, precisamente, a de exigir a instalação de uma rádio capaz de emitir para todo o território, capaz de se opor a diária propaganda emitida pela Rádio Conakry.
Deste modo, é neste período em que o conflito na Guiné se tornou mediático, devido, sobretudo, a chegada a Bissau de vários jornalistas estrangeiros para entrevistarem Spínola, impondo uma imagem que contrapusesse a de Amílcar Cabral no plano internacional, que procuraremos abordar, incluindo diversas metodologias utilizadas pelos dois contendores, nomeadamente, através da análise dos seus discursos, da informação que passavam para a imprensa nacional e estrangeira, da utilização da rádio, do papel do cinema, neste caso sobretudo pelo PAIGC, e da respectiva utilização da informação na política externa, em particular, na ONU.

David Alegre (Universidad Autónoma de Barcelona), “Founders of Land: Territory of Spain here, new, under the snow”. A Linguistic and thematic analysis of the Hoja de Campaña of the Blue Division (División Azul) as a place for codifying the combat experiences and the spanish presence in the Eastern Front
Taking into account the fact that in the case of the fascist combatants –one of our main interests– the intellectual activity served as a necessary prolongation and complement of the war itself I am determined to analyse the incentives which drove thousands of Spaniards to enlist themselves as volunteers for the Eastern Front. The Hoja de Campaña –a little trench newspaper wrote and published by the propagandistic company of the very Division during three years, very subjected to the nationalsocialist cultural atmosphere– is a privileged place to explore their reasons and Weltanschauung, because it was nourished by the intellectual contributions and combat experiences of the combatants themselves. In fact, this trench newspaper was a meeting point for the Spanish soldiers in Russia, and it had different goals as legitimizing the war effort, creating the enemy image and the soldier own one, or considering the Spanish place in the New Order, among other things. From my point of view, the interest of my proposal lies in the traumatic experience suffered by the Blue Division combatants in their arrival to Russia and their efforts for adapting themselves –most of them didn’t know about the situation and troubles what they found later there–, something that we can see showed in the Hoja de Campaña. This kind of publication was a daily experience for the soldiers which provided the ideological nourishment for psychical survival along the war. Without a doubt, it contributed to the conformation of strong fascist identities and consciences, as I will try to show taking into account the Eastern Front global framework and considering another experiences. It’s not a coincidence that they gave a great importance to this publication in their testimonies after the war –in fact, memories and autobiographies will be another key source in our study.

Débora Canhoto Cardoso (ISCTE-IUL), Imagem e Propaganda de Guerra em Portugal durante a II Guerra Mundial (1940-1945)

Na Segunda Guerra Mundial, para além do palco do confronto militar direto, várias outras disputas emergiram, envolvendo territórios que se declararam como não-beligerantes. É o caso da intensa e muito poderosa luta de propaganda desenvolvida pelos principais potências beligerantes, com mensagens que procuram impor representações com o propósito de, a qualquer custo, cativar adeptos e simpatias, com o intuito de fortalecer a imagem e afinidades junto da opinião pública.
Em Portugal, onde o regime político decidiu manter uma posição neutral neste conflito, o recurso à propaganda marcou forte presença, testemunhando a disputa entre as principais potências beligerantes. A utilização da imagem, difundida através da imprensa ligada a cada um dos lados em guerra, foi um elemento bastante utilizado para reunir apoiantes.
Partindo da observação e análise das fotografias de guerra publicadas em revistas de propaganda, editadas e distribuídas em Portugal a partir de 1940 – como A Esfera (pró-Eixo) e o Mundo Gráfico (pró-Aliados) –, procuro aqui estudar as imagens de propaganda da guerra publicadas em Portugal, tomando como elementos centrais a Alemanha, enquanto potência do Eixo, e a Inglaterra, enquanto potência Aliada. Ambas utilizaram amplamente a fotografia como meio de persuasão e propaganda de guerra.
O que se pretende apresentar e defender é a grande dimensão que a propaganda de guerra esteve em Portugal através da ação dos beligerantes que formaram grupos de influência. Apesar de Portugal ser um país considerado neutro, este fenómeno da propaganda portuguesa, sobretudo distribuída através de imprensa, fez com que se tornasse num estado colaborante com os diversos beligerantes.
Numa sociedade em que se conhece a existência de Anglófilos e Germanófilos, que durante a Segunda Guerra Mundial, por influência da beligerância, muitos tomaram posições pró-Aliada ou pró-Eixo. Para melhor compreender esses grupos, pretende-se utilizar uma metodologia onde as questões colocadas serão analisadas de forma comparada entre a propaganda pró-Aliada e pró-Eixo. Qual a imagem que cada uma das potências beligerantes procura construir de si própria? Como é que procuraram dar solidez e atrair adeptos para a sua causa? Que mensagens procuram transmitir? Como se representam? Que interpretações podem ser retiradas da análise da composição e da informação veiculada pelas fotografias de propaganda publicadas pelos órgãos da imprensa difundidos em Portugal e conotados com a defesa da causa Aliada e com a defesa do lado do Eixo? Que técnicas de propaganda através da imagem utilizam?

Débora Carvalho (Universidade Federal de Lavras), O Estado beligerante e a tecnologia digital
Em Ideologia da sociedade industrial. O homem unidimensional. Herbert Marcuse configura um dos conceitos fundamentais de sua vasta obra, o de Sociedade Unidimensional. Para ele, esta poderia ser concebida como “uma combinação produtiva entre o Estado de Bem Estar Social e o Estado Beligerante” (Marcuse, 1973, pag.38). No livro mencionado, sua análise objetiva enquadrar criticamente e de modo direto a sociedade estadunidense, assim como pretende caracterizar indiretamente as sociedades dos países capitalistas então mais desenvolvidos – como França e Inglaterra, por exemplo – a fim de revelar as tendências sociais nelas contidas. Nesse movimento, empreende uma análise crítica – ou dialética – do Estado de Bem Estar Social, mostrando enfaticamente suas relações tanto com o desenvolvimento do capitalismo estadunidense quanto com o contexto da Guerra Fria, que o tornou possível. Entretanto, não desenvolve explicitamente uma análise ou uma concepção acerca do Estado Beligerante ou de Guerra (Warfare State), fato que, a meu ver, causa certo desequilíbrio na análise e torna tal conceito quase opaco, além de enfraquecer a própria noção de Sociedade Unidimensional. Esse trabalho pretende retomar criticamente o conceito de Estado Beligerante a fim de esclarecer tanto suas origens, que remonta ao fim da década de 1930, quanto seu posterior desenvolvimento, que estimulou a formação de poderoso complexo industrial-militar, o qual desempenha até hoje um papel fundamental na vida política dos EUA, já que seus interesses até mesmo determinam as diretrizes da política externa do país, além de promoverem o que alguns autores chamam de “des-democratização” dessa nação. Ele também desempenha um papel decisivo na economia, já que a indústria de armas e de equipamentos militares a dinamizou a ponto de evitar  uma crise econômica de grandes proporções e a recaída na recessão, além de evitar também o desemprego generalizado.  O trabalho pretende também fundamentalmente desvendar as atuais relações entre O Estado beligerante e o desenvolvimento acelerado das tecnologias digitais, que possibilitaram não apenas a produção de novos tipos de armas e equipamentos militares, como também um controle do espaço e uma transformação das ações guerreiras ou belicosas do país.
Nesse direção, a análise privilegiará também um momento decisivo, qual seja, a Guerra Fria enquanto matriz da criação das  condições políticas objetivas capazes de garantir a produção incessante de armas e de equipamentos militares, que, dessa maneira, poderia efetivamente tornar-se  “um negócio prolongado”. Alinhados com os magnatas da indústria bélica e das finanças os  militares estadunidenses souberam estabelecer desde essa época uma  “economia permanente de Guerra”.

Emmanuel Debruyne (UC Louvain), Clandestine martyrs – the executed patriots in the underground press of occupied Belgium and France, 1914-1918
The occupation of Belgium and a few French departments during the First World War led citizens to organize and fight the German occupier. For them, the home-front was the battlefront. This resistance “avant la lettre” – for the term was not yet employed as such in 1914-1918 – is partly close to that which characterized 40-45. However, its context was that of a less accomplished “total war”, during which the use of arms was avoided by the resisters. As the WW1 occupation can be seen as a laboratory for the 20th century violence, this resistance constituted an aspect of the totalization of the war, and a laboratory for clandestine warfare and its repression. Thousands of citizens were committed in intelligence networks organized by the French, British and Belgian secrets services. Other ones created exfiltration lines for allied soldiers, but also local workers and volunteers for the allied armies, the most famous one, but far from being the only one, being Edith Cavell’s one. The redaction and distribution of underground newspapers was also very active, especially in Belgium, with the famous Libre Belgique, and tens of less known titles. But a few thousands of these resisters were arrested by the German secret services as well, and judged before a German military court. Many endured the deportation in Germany, and nearly 300 were executed.
This paper proposes to analyze the underground press as a propaganda, or even “self-made propaganda”, specific to these occupied countries, through its use of a topic also specific to these territories: the enemy repression against resisters. The proliferation of underground press was exceptional in Belgium, more than in any other occupied European country, including France, where the harshest regime of the Etappengebiet also contributed to make its production more difficult. The circumstances of Belgium’s entry into the war, with the violation of neutrality and the civilian massacres of 1914, which galvanized a sense of national identity, were stressed by the underground press to deny legitimacy to the German occupation regime. However, the occupation itself provided new topics, which could be used by this underground propaganda to maintain the image of a ‘Barbarian’ occupier. The execution of resisters, from 1915 onwards, was also taken as an opportunity to give the Belgian (and French) population a heroic picture of themselves, through the figures of these martyrs of the national cause to whom occupied would easily identify themselves. This classical and culturally Christian figure of the martyr was all the more easily used by the underground press since it was mostly sustained by the catholic urban middle classes. The execution of Edith Cavell, in October 1915 can be seen as a turning point, as it was not only used abroad by the allied propaganda, but also by the clandestine one in the occupied country. However, it not only emphasized the figure of Cavell, but the second executed of this affair as well, the architect Philippe Baucq, who was also one of the head figures of the most successful underground newspaper, the famous Libre Belgique. By popularizing the figure of the executed resister in itself and a few names like Philippe Baucq, and even by spreading sometimes the content of their farewell letters, the underground press prepared the ground of their postwar cult in the former occupied societies. One of them, the female resister Gabrielle Petit, executed for espionage in April 1916, even became immediately after the war the Belgian national heroin.
This paper will examine the development of the underground press in occupied Belgium and France during WW1, and more especially its contribution in the maintaining of the mobilization of the society despite the military occupation of the national territory by an enemy army. It will focus on the use of the figure of the executed resisters by this self-made to reach this goal, and on its postwar continuations.

Éric Sauda (Sorbonne), Musical propaganda of the Great War
In France, at the beginning of the Great War a new phenomenon occurs in the music community. In fact, two events will combine and produce a situation unimaginable in the history of mankind.
First, the authorities representing the French music will work to implement a ban[10] on German music. In second place on this base, a propaganda[11] for French music will be enthroned during the entire conflict.
So are organized by the Parisian orchestras, charity concerts to benefit soldiers and foreign tours to promote French music and invite other nations to join the French army in the war. Obviously, the content of the repertoire is a constant reminder that France is a country that defends its artistic and intellectual values fights bravely against an enemy invasion is illegitimate.
Meanwhile the press in the civil as well as trench newspapers published close combat, relate and incense musical activities that emerge in this war of position. The music becomes the guarantor of the moral health of the troops at the front with the arrogant and chauvinistic demonstrate its resistance to the enemy.
For reasons of health or advanced age some songwriters of popular songs have not been mobilized. On their way they will participate in the conflict by publishing propaganda songs for ideologically enlist women and children who are left out of this war.
In this paper we will work from overlapping information contained in the war diaries and correspondence musicians mobilized, with press reports trenches articles that recount the live shows and publications in the civilian who had exchanges with these artists from different reputations. During this presentation we propose to explain at first the application of the embargo on German music and the organization of propaganda of French music. Then from specific sources : scores of songs, musical programs, epistolary exchanges … we will try to highlight the fact that the musical propaganda during the Great War was an undeniable patriotic support for mobilized and civilians.

Evgeny Sergeev (Russian Academy of Sciences, Institute of World History, Moscow), The influence of Russian oficial propaganda upon neutral countries during the First World War
It is a well-established fact that World War I was the armed global conflict of quite a new type. Not only new killing technologies were introduced by the warring countries, but psychological weapons of different kinds were used for the first time in the history of mankind.
As many episodes of the Great War vividly demonstrated, it was political propaganda which assumed the role of the most effective means to demoralize any adversary or attract any hesitating, power to join the belligerent coalitions. However, the paucity of books and even articles written by historians on this particular subject may bring us to the conclusion that political propaganda in the course of WWI still needs a thorough and comprehensive study, especially with regard to the Russian (or Eastern) front in Europe.
Based upon primary sources from the federal archives and published accounts of eye-witnesses, this paper focuses on Russia’s efforts to undertake a series of highly intensive efforts in the field of political propaganda directed to neutral countries, such as the Scandinavian states, the Netherlands, Switzerland, Spain together with Italia, Romania, Portugal and the USA, before the last four powers finally sided with the Entente coalition in 1915-1917. The author aims at the examination of principal methods and facilities utilized by Russian political propagandists in neutral counties to create a favorable image of the Romanovs Empire in the European public opinion during the war.

Fankie L. Monama (Military Academy Stellenbosch University), Constructing unity in a divided society: propaganda in South Africa during the Second World War, 1939-1945
Securing national support and commitment in modern warfare had become imperative. In the age of total war, a crucial dimension alongside the armed forces is the public support and loyalty towards the government’s war policy. In this regard, the Union of South Africa was in difficult situation. Her entry into the Second World War (6 September 1939) produced deep-seated dissensions and hostile reactions from sections of the society due to the complexity and competing perspectives about the war. Unlike other dominions of the British Empire, South Africa was confronted with the internal anti-war resistance from elements of the Afrikaans-speaking society who rejected the country’s support of Britain in the war. At that time too, Nazi penetration and propaganda had done a lot of damage by influencing the population agitate for neutrality and to wage anti-war campaigns against the government of General Jan Smuts. Subversive activities, civil unrest and disloyalty with the armed forces threatened the country’s war effort and created huge security implications. The black population was also dissatisfied with the burden of the racially discriminatory policies and their marginalisation from the body politic of the country. As a result, they became ambivalent about the war and also agitated for political concessions. Therefore, the state was severely challenged to construct a “unified nation” for the effective prosecution of the war effort. Propaganda became a crucial instrument for the psychological mobilisation of the public to support the war policy and to combat war apathy. This paper traces how South Africa, amidst the violent anti-war activism, opposition and internal divisions, exploited propaganda in an attempt to construct “national unity and loyal citizenship”. Based on archival sources, the paper analyses the politico-strategic challenges faced by the Union’s political and military authorities, the development of information control strategies, censorship and the organisation of the propaganda machinery within the army and towards the public, the adaptations to meet the changing war conditions, and the strengths and limitations of propaganda with respect to the impact it had on the population until the end of the war. The paper will analyse the actual propaganda material, i.e, pictures, posters, the press, the radio (transcripts) and films in order to determine the variations in content and context in relation to South Africa’s changing military situation in the war. The key issue is to determine how propaganda was organised to address the multiple interests of a plural audience and how it impacted on the vision for the post-war social justice and liberal notions in a differentiated South African society.

Federico Ciavattone (Italian Society of Military History), Construction of the image of the Partisan in the Italian Social Republic 1943-1945
After the signing of the armistice with the Allies – announced on 8 September 1943 – Italy found itself divided in two: in the Centre and North were the occupying Germans; in the South, the Allied forces who were slowly pushing up the peninsula. Alongside the Germans, Mussolini – once freed – established the Italian Social Republic, a new Fascist state, on 23 September 1943. In Southern Italy the Southern Kingdom was created, which had its points of reference in Victor Emmanuel III and Pietro Badoglio. In Northern Italy, finally, an armed resistance movement sprang up in opposition to the German occupation and the newborn Republican Fascist government. So in Italy between 1943 and 1945, besides the war between regular armies (German and Allied), a civil war was also fought, defined by Claudio Pavone as “civil”, “of liberation” and “patriotic”.
Understanding the civil war waged by the Italian Social Republic (ISR) means, above all, studying the figure of the Partisan, using the Fascist point of view as a yardstick. It means analyzing how the ISR’s propaganda depicted the internal enemy, the irregular combatant.
Constructing the Partisan’s image as an enemy was vital for the ISR, because only by demonizing and denationalizing him could Republican Fascism face the Resistance with detachment and use violence in its multiple forms. It was a necessary process because not all Italians realized what it meant to take on an armed resistance movement. We refer in particular to all those youths who found themselves living their first experience of war under the flag of the Social Republic and were surprised, if not traumatized, to learn that they would be sent to carry out counter-insurgency operations. On one hand, the ISR thus found itself having to construct a representation of the Partisan as an extremely negative element to instil in the minds of these youths to justify the struggle under way. On the other, Republic Fascism also had to work to extrapolate from military thinking all those chivalrous, upright ideals of war that Fascism had propagandized for twenty years.
The ISR’s representation of the Partisan was aimed, firstly, at the troops and, later, at the Italian populace. It based itself on a series of pillars that, if considered together, formed what we might call the figurative “body” of the Partisan: it was a construct, extremely well developed, which took into consideration a set of lexical terms used in the period 1943-45 to identify those who belonged to the Resistance (rebel, patriot, bandit, desperado, partisan, outlaw, terrorist); analyzed the “human” (fugitives from concentration camps, escapees from prison, common delinquents, draft dodgers, deserters) and ideological components of the Resistance (anti-Fascists, political commissars, “Badogliani”, “independents”, Communists); and considered the Partisans’ methods of action (guerrilla warfare, ambush, assassination, robbery) and some forms of violence that they perpetrated, according to the Fascists (violence on corpses and violence against women).
This was a one-sided representation that had a very precise purpose: to provide a single image of the phenomenon of the Partisan, demonizing all those that might be his human characteristics. It was a necessary process because only in this way would the ISR succeed in isolating the figure of the Partisan in Italians’ minds, thus managing to denationalize all his connotations and consolidate that representation of an individual who was extraneous to Italian culture, animated only by the bloody creed of Communist ideology and Jewish-Allied propaganda.
What emerges is therefore an extremely complex image of what we might call the “body of the Partisan”. This complexity demonstrates that the problem of the Resistance had been taken very seriously by the ISR, at least by the political component. Indeed, the sources used to study the “body” of the Partisan have a political, not an institutional, nature. Although the purpose of this representation was demonization and denationalization, the means – not only at the military level but also in terms of propaganda – adopted to achieve it were a clear demonstration of how concerned the Social Republic was by the progress of the Resistance movement and the prospect of its taking root among the civilian population.

Felicia Yap (London School of Economics), The significance and impact of Japanese Propaganda in occupied British Asia
This paper examines the significance and impact of Japanese propaganda efforts in occupied Hong Kong, Malaya, Singapore and Shanghai, especially in relation to the British in these wartime territories. It examines how the Japanese attempted to solicit the assistance of Allied civilians and subjects in their attempts at broadcasting wartime propaganda, as well as the motivations of some individuals who elected to assist Japanese efforts in this regard. The paper also explores the ways in which the overt use of propaganda by the Japanese had a considerable impact on British imperial thinking during the period. Indeed, some British civilian administrators who were interned by the Japanese became increasingly aware of the efficacy and potential of Japanese propaganda methods as the war progressed. The British even appear to have incorporated some of the techniques favoured by the Japanese into their own methods of post-war governance, such as through the staging of governmental press conferences and the establishment of public relations outfits after the war. In Hong Kong, for instance, one of the first actions of the post-war interim British government was to organise daily press conferences for the heads of various governmental departments to discuss their administrative work with the public (a step which essentially constituted an unusual departure from pre-war governmental norms). A public relations department was also instituted by the British colonial government in Malaya during the months after the war. In examining these issues, this paper seeks to shed new light on the effects as well as the broader significance of Japanese propaganda efforts in British Asia both during and after the Second World War.

Fernando Portásio (CEIS20 – UC), O imediato pós-guerra na imprensa periódica portuguesa (1945-1947)
O ano de 1945 é conhecido como o “ano zero” da Europa. Os alemães o chamam de Stunde Null (hora zero) quando se referem ao fim da Segunda Guerra Mundial e ao início do Nachkriegszeit (tempo após a guerra). No segundo pós-guerra o cenário humano do Velho Continente encontrava-se marcado pela repressão e pelo extermínio. O conflito terminou com um trauma económico, social e político para as nações beligerantes, para os países que estiveram com seu território sob ocupação e para aqueles estados que conservaram o estatuto de neutralidade. Neste último caso estava Portugal.
Em 1940, ano em que organizou a Exposição do Mundo Português como parte das celebrações do duplo centenário da nacionalidade, o governo de Oliveira Salazar encontrava-se no seu auge. Porém, o advento do segundo conflito mundial principiou a primeira crise séria do regime, que passou a se esforçar para manter a imagem de “uma ilha de paz no mundo em guerra”.
A Exposição em Belém foi o grande evento propagandístico do Estado Novo, amplamente noticiado por todos os órgãos de comunicação social nacionais, serviu os propósitos ideológicos do regime. Nos anos de guerra que se seguiram, a condição de neutralidade lançou o país a meio da disputa entre os beligerantes pelo controlo da opinião pública portuguesa. Alemanha, Reino Unido e Estado Unidos criaram poderosas máquinas de propaganda que manipularam a seu favor os acontecimentos da guerra.
Esta realidade foi acompanhada de um aumento considerável dos meios de comunicação tais como panfletos, jornais, filmes e revistas, para além do debate em espaço público, principalmente na capital, onde aquela guerra distante sentia-se mais presente. Reflexo desta mudança foi a onda de manifestações públicas em Lisboa a 8 de Maio de 1945 como parte da celebração da vitória aliada, mesmo depois de no dia 3 do mesmo mês o governo português ter declarado três dias de luto nacional pela morte de Adolf Hitler. Graças a este cenário o fenómeno da opinião pública em Portugal ganhou nova dimensão no pós-guerra.
Dentro deste panorama a imprensa assumia-se como o meio de informação mais hegemónico em Portugal, um país onde estima-se que em 1940 a taxa de alfabetização rondava os 51%. Os jornais de publicação diária eram aqueles que apresentavam maior tiragem a nível nacional e consequentemente o principal alvo da atenção do Estado Novo desde a sua institucionalização em 1933 com a criação do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN). Em 1940 este órgão de comunicação encontrava-se totalmente sob controlo do regime, que para a difusão da sua doutrina política dispunha da Direcção dos Serviços de Censura com delegações distribuídas a nível nacional.
Entende-se aqui como imediato pós-guerra o período que compreende os primeiros 24 meses após a rendição incondicional alemã em Maio de 1945. A partir da data a pressão externa contra o carácter ditatorial do Estado Novo fez-se sentir principalmente na imprensa internacional. Face a esta realidade Salazar, pretendendo garantir a sobrevivência e o apoio aliado ao regime, procurou renovar a imagem do país. Antecipou a revisão constitucional, renovou a PVDE para a PIDE, concedeu amnistia de presos políticos e convocou eleições “tão livres como as da livre Inglaterra”.
Internamente a estrutura dessa nova política revelou-se ilusória fazendo com que a oposição crescesse, principalmente após a abstenção do MUD nas eleições legislativas em Novembro de 1945. A nível externo o carácter anti-comunista do regime agradava os principais governos aliados, e fez com que Portugal recebesse apoios ingleses e norte-americanos. Não obstante, a publicação em Julho de 1946 pela revista TIME sobre o ditador português e o veto soviético à admissão de Portugal nas Nações Unidas em Setembro deste ano serviram para destacar a posição estratégica do país no mundo do pós-guerra.
No mesmo período os problemas no Mandato Britânico na Palestina ocupavam a imprensa internacional. O mesmo aconteceu em Portugal, país de passagem para milhares de judeus durante a guerra e onde apesar da censura o interesse público na questão da Terra Santa mereceu atenção suficiente para serem enviados dois correspondentes portugueses nas vésperas da partilha feita pelas Nações Unidas em 1947. O Estado Novo nunca reconheceu o então criado Estado de Israel.
Por outro lado o julgamento dos principais criminosos de guerra nazis no Tribunal de Nuremberga parece ter sido um dos assuntos internacionais com maior destaque na imprensa nacional. Somente depois de anos os actos desumanos cometidos dentro e fora dos campos de concentração alemães chegavam ao conhecimento do grande público.
Em resumo, esta exposição terá como objetivo explorar quais foram as questões de maior relevo na imprensa portuguesa. Tendo em conta o regime de censura e a relação destes acontecimentos com o regime de Salazar, na tentativa de compreender melhor o fenómeno da opinião pública portuguesa nos anos que seguiram imediatamente o fim do segundo conflito mundial.

Fewsi Borsali (University of Adrar (Algeria), The colonial office and propaganda policy during WWII
The survival of the British empire was a huge task that required  human and material resources with a view to initially subjugating people and then conceding them some rights within the framework of the political British philosophy of ‘Law and Order’. The adaptation and relative acceptance of such prevailing colonial philosophy would not have been possible in the beginning without the contribution of missionary and educational institutions. The Colonial Office had to become involved in this enterprise against left wing propaganda in the early twentieth century through official and unofficial institutions: Director of Colonial Scholars 1902 (CO), Victoria League 1901, Aggrey House 1932 etc.
In the 1930s, following the international economic crisis, a number of events forced British officials to review their conception of relationship with respect to their colonial subjects. These events included Japanese invasion of Manchuria in 1931 and attack of Shangai in 1933, German withdrawal from the League of Nations in 1933, Italy’s invasion of independent Abyssinia in 1935, remilitarization of German troops and invasion of Poland in 1939; declaration of the 1941 Atlantic Charter regarding self determination for colonial peoples and loss of Malaya, Burma and Japanese victory in 1942. On the other hand the 1930s witnessed Youth movements in West Africa, Gold Coast Hold Ups, West Indies disturbances in 1938, meetings of the League of Coloured People (Dr Moody from the West Indies) in 1931, International Service Bureau (Padmore) in 1937, Conference on Democracy and Freedom in London in1939, and Pan African Federation (Milliard and Makonnen) in 1944 all claiming self determination.
In front of these disturbances in the 1930s, British officials could not but think of finding ways and means in order to secure colonial assets for imperial survival. The answer consisted in establishing an institution with the object of meeting such challenges, for economic integration and exploitation of the colonial resources has a corollary which is political domination and control over forces which could act against ‘Law and Order’, and this could not be achieved without colonial collaboration which would not have been effective without cultural westernization and colonial socialization in order to facilitate the transfer and reproduction of British values. This institution was the British Council created in 1936, whose activities could be extended to the colonies and West Africa in particular thanks to Lord Moyne who was both Secretary of State (1941-42) and British Council chairman, which facilitated cooperation between the two bodies.
Though the Secretary of State for the colonies, M. MacDonald, was convinced in 1938 that it might take generations or even centuries for some people in the colonial territories to stand on their own feet or attain self-government, the prelude to WWII forced British officials to initiate a new policy of Colonial Development and Welfare, the promulgation of which coincided with the war period, designed to secure the loyalty of the colonial people. Lord Lloyd, then Secretary of State (1940-41) admitted in the House of Lords in July 1940 that ” there was a degree of truth in the reproaches directed at us by our rivals, that whilst we controlled so vast a colonial empire, we did slightly little to develop it'” In order to counteract Nazi propaganda and secure colonial collaboration in West Africa in particular, Lord Swinton was appointed as Resident Minister, and Noel hall as Development Advisor. In June 1941, the Secretary of State, sent a circular  stressing the need for propaganda policy with a view to ‘regulating the use of resources in the interest of both the general war effort and well being and development of the colonial empire, to organize propaganda for various schemes, to encourage gifts, loans etc’
The new drive of the early 1940s led to the formulation of a long-term propaganda policy with a view to counteracting the prevailing sense of defeatism with regard to colonial affairs among the British elite and people. Actually an Advisory Committee on Long Range Publicity was constituted within the Colonial Office under the chairmanship of Charles Jeffries, including Clauson, Cox, and Mayhew with the object of ‘drawing a plan of action for long range publicity regarding the colonies, the objectives for which long term propaganda should be planned; methods and agencies by which this could be realized.
Projection of Britain during WWII was felt necessary, and the British Council was thought to be the appropriate body for the task: presentation of the Empire to foreign opinion and carry out propaganda, develop intra Commonwealth relations and colonial cultural relations, though some officials (Treasury and Dominion Office) objected to British Council’s monopoly over propaganda policy. Subsequently the Colonial Office suggested their association with the British Council committees, and by December 1941, a joint Standing Committee -Colonial Office and British Council- was created. As far as West Africa was concerned, Prof Macmillan, a former member of the Intelligence Service of the BBC, accepted appointment as a senior representative for West Africa, with headquarters in Accra.
The paper attempts to enquire into the discussions within both the Colonial office and British Council with respect to propaganda policies in West Africa during the second World War on hand, the various activities undertaken for the purpose and their impact of West Africa. Colonial archival material that deals with those matters comprises a series of files included in: Cabinet papers/ PREM papers/ BW (British Council), CO 875 and some in CO 967

Foteini Vlachou (Instituto de História de Arte – FCSH), Hollywood films and war Propaganda in the early 1940s
This paper will discuss the role played by Hollywood films of the early forties and their importance in shaping public opinion concerning the war in Europe and, later on, the necessity of direct involvement on behalf of the United States. Several films of this period were used as propaganda tools, and through their study one can map the attitudes of American citizens during the war, ranging from reluctance and neutrality to active participation.
I will concentrate especially on Alfred Hitchcock’s Foreign Correspondent (1940), released sixteen months before the United States entered the war (December 1941, after the attack on Pearl Harbor). The film’s content reflects the initial ambivalence towards the war (as well as restrictions imposed by official US policy), but the change of the ending (with a fiery propaganda speech written especially for this purpose by Ben Hecht) in order to alert US citizens of the danger of bombardment that Londoners faced (Hitchcock’s hometown) is especially pertinent for the purposes of this paper. The film is also important because it clearly demonstrates that in the first stages of the war attitudes towards Germany were not altogether hostile, and their right to fight was also recognized as legitimate.
The mobilization of the film industry for the purposes of the war effort is particularly important, because of its ability to reach thousands of people and appeal to them on an emotional level. A lot of films were actively shaped in terms of storytelling and content by war propaganda, even films such as Casablanca (1942), considered today a timeless masterpiece. The famous Marseillaise scene in particular will be analyzed here, as it constitutes a prime example of how content was structured to ensure the maximum propagandistic effect.
My analysis will conclude with the production of a series of ‘documentaries’, explicitly titled Why We Fight and directed by Hollywood heavyweight Frank Capra. The first of these, Prelude to War (1942), combining archival footage and narration (by Walter Huston) was a concise but effective statement of the necessity to join the war and defending one’s way of life, while laying out the ideological differences of the enemies and identifying each side with ‘right’ and ‘wrong’. The series can be seen as the culmination of this propaganda effort, although many more films contributed significantly, from different angles, such as the British 49th Parallel (1941) or This Land is Mine (1943), directed by Jean Renoir in an effort to present a more nuanced image of occupied France, during a period when the French were accused of collaborating with the Germans.

Gelinada Grinchenko (V.N. Karazin Kharkiv National University, Ukraine), Red Army Warrior, save us from fascist slavery ! Forced Labour in Nazi Germany in Soviet Agitation and propaganda, 1942-1953
“I glanced through the newspapers—well, for March, February—and judging from the headlines, the war was practically waged for our sake: ‘Let us liberate our sisters and fiancées from fascist captivity’—there was really no other goal!” declares the main heroine of Iurii Slepukin’s novel Chas muzhestva [Time of Bravery], who was deported to Germany during the war. Indeed, the forced labor subject occupied a central place in the Soviets’ propagandistic rhetoric of wartime and first years after the war. The source base of this propaganda encompasses posters (see for example ill. 1–3), newspaper articles, brochures and leaflets, published letters, memoirs, and samples of folkloric works created by forced laborers, works of poetry and prose written by Soviet writers, fictional and documentary films, etc.
The process of the very intensive construction and exploitation of the image of forced labour in the Soviet propaganda spanned the period from 1942 to the mid-1950s, that is, it began almost immediately after the beginning of the mass deportations of the Soviet population to Germany and lasted until the end of the process of repatriation and return to the USSR of most of the people who had been deported to forced labor. The chief feature of the efforts of propaganda at this stage was the fact that it was implemented precisely within the temporal limits of the event, and it was supposed to react to the changeability of situations and to balance on the edge of situational ambiguity, above all during the first years of the war.
Between 1942 and the mid-1950s, a girl enslaved in a foreign land [polonianka] was the favorite figure of Soviet propaganda, which broadcast information about the essence of forced labor in Germany and simultaneously stereotyped this phenomenon through the imagistic formulas of subjugation and distress. Throughout the war this image was intended to carry out, first and foremost, a clear-cut mobilizing task: not only to boost the martial spirit of combatants, who had to liberate their wives, sisters, and girlfriends, but also to unite the entire society in a struggle against the hated enemy that was abusing, torturing, and killing the civilian population in the occupied territories, and maiming and working to death those who had been deported to Germany.
With the influx of returning Soviet forced labourers, official propaganda announced a new course that was aimed at the integration of the mass of repatriated people into the community of Soviet citizens and at the presentation of the fates of those former labourers who “were not able to depart for the fatherland in good time” and “who were being kept forcibly in displaced persons’ camps”. In first case the propaganda efforts were aimed at creation a confidence about the solicitude of the communist party and the Soviet state for the employment of repatriated citizens and their participation in the work to rebuild the economy in cities and villages. In second – to present the fate of the displaced persons (DPs) to the Soviet “consumer” in such manner, whish demonstrate the similarity with the condition of slavery under the Germans and those Soviet people were now reliving at the hands of the USSR’s former allies and other capitalist countries.

Hatice Ahsen Utku (Harvard Divinity and the Fletcher School), Irresistibility of propaganda and the Balkan wars in the 1990s

Helena Pinto Janeiro (IHC-FCSH-UNL), Os pioneiros da secção fotográfica e cinematográfica do Exército
A Secção Fotográfica e Cinematográfica do Exército é o primeiro organismo oficial de cinema a ser criado em Portugal. Tal como acontece noutros países beligerantes, nasce durante a I Guerra Mundial, o primeiro conflito verdadeiramente mediatizado da história. Neste artigo, propomo-nos contribuir para a sua história, ainda muito desconhecida, a partir do papel desempenhado pelo trio de pioneiros a quem se deve a sua fundação: o ministro Norton de Matos, o tenente-coronel Desidério Beça e o capitão Carlos Nogueira Ferrão.

Heloísa Paulo (CEIS20 -UC) Guerra e Propaganda: crónicas da IIª Guerra e a imagem pró-aliada dos exilados Portugueses
Na década de quarenta, o Brasil concentra um dos núcleos mais ativos da oposição salazarista no exílio, sobretudo a partir da chegada de Moura Pinto, Jaime de Morais e Jaime Cortesão aquele país. O grupo vai congregar antigos exilados e republicanos emigrados, mas são impedidos de realizarem manifestações públicas contra o regime de Lisboa pela legislação controladora do Estado Novo brasileiro. No entanto, a aproximação do governo ditatorial de Vargas aos Aliados oferece uma possibilidade de ação para a oposição antissalazarista através das manifestações públicas de solidariedade aos combatentes do fascismo na Europa. Em mais um exilio, o cenário da guerra oferece aos adversários de Salazar a oportunidade de propagandear a sua causa e buscar apoios internacionais para a condenação dos regimes ditatoriais ibéricos. A retomada da ação através da propaganda não apresenta nenhuma novidade para muitos dos opositores do regime de Lisboa, já que a experiência da Guerra Civil espanhola significou o exercício de uma ação propagandística constante. Neste quadro, estão inseridas as comemorações do 5 de Outubro e a colaboração de Jaime de Morais, Novais Teixeira e Lúcio Pinheiro dos Santos em jornais do Rio de Janeiro. Neste quadro, a medida que o regime de Vargas altera o seu posicionamento internacional em prol dos aliados, as manifestações e artigos assumem mais visivelmente o carácter de luta contra regime de Lisboa. Cada vez mais abertas ao público, as cerimónias comemorativas do 5 de Outubro são marcadas por declarações de solidariedade aos aliados e a sua defesa da democracia presentes em abaixo assinados e sempre evocada nos discursos realizados pelos exilados e emigrados políticos. Nos jornais, aqueles que escrevem para sobreviverem no exílio, assumem um novo enfoque nas suas crónicas semanais, dando a conhecer as razões do combate ao regime de Salazar. Os comentários a respeito do desenrolar da guerra e a defesa dos aliados tornam-se a arma de crítica para toda a espécie de fascismo, entre os quais o salazarismo. A exortação da luta dos republicanos espanhóis na Guerra Civil coloca em primeiro plano a questão dos regimes ditatoriais ibéricos e a sua aliança aos países do Eixo. A associação de Franco, Salazar, Hitler e Mussolini aparece nos artigos sob a forma de “memória” pessoal. Como testemunhos são portanto descritas as atrocidades cometidas contra os civis, os bombardeios alemães sobre Madrid e todas as ações do exército rebelde contra um governo legitimamente eleito em Espanha. Desta forma, a caracterização “fascista” para o salazarismo ganha espaço no discurso jornalístico dos exilados que reforça a ideia da guerra como pano de fundo para uma luta maniqueísta, de um lado as ditaduras do Eixo e os seus simpatizantes e de outros os Aliados. Com o conflito a aproximar-se do seu fim e o exército brasileiro a combater no terreno europeu, o discurso opositor tornar-se mais direto ao colocar em discursão as medidas a serem tomadas pelos aliados com relação aos regimes ditatoriais ibéricos e o papel destes na Europa futura. O final próximo da Segunda Guerra é apresentado como o “canto do cisne” para o salazarismo e o franquismo. Assinado por Moura Pinto, Jaime de Morais e Cortesão, o telegrama de felicitações aos aliados é uma reafirmação desta imagem, causando uma imediata reação do governo de Lisboa. O posicionamento ao lado dos Aliados é encarado pelos opositores como uma garantia de apoio ao retorno da democracia em Portugal e ao fim do salazarismo. A propaganda persiste até a primeira reunião da Assembleia da ONU, quando o cenário da Guerra Fria delineia o apoio internacional das democracias ocidentais aos regimes ditatoriais ibéricos. Os oposicionistas ibéricos logo percebem que a Segunda Guerra não iria acabar com todos os regimes fascistas da Europa. A ideia de que os aliados retribuiriam o apoio à sua luta antifascista com a condenação dos regimes ditatoriais ibéricos é posta de lado pelos setores mais experimentados da Oposição. A propaganda oposicionista “fracassara”, já que os seus autores não conseguiram prever a cisão entre os Aliados e a necessidade das democracias ocidentais de buscar no anticomunismo dos fascismos ibéricos um suporte para fazer frente à União Soviética.

Henry Oinas-Kukkonen (University of Oulu) Blood-Soaked Beasts May turn to be Pretty Fair Citizens – Re-educating the First US Occupation Soldiers sent to Japan
“Mad and blood-soaked beasts”, who were “a stench in the nostrils of decent men” was a starting point description of the Japanese men, when conceptions of the first US occupation soldiers,
Marines, to be sent into Japan were began to be revised. During the World War II the Japanese enemy had been dehumanized and hatred instigated, but now it was tried to humanize the old enemy. The US occupation forces were also to be re-educated so as to dissolve war-time stereotypes. The task was a difficult one; it testifies of this is how, during the war, John Elliott Rankin, a congressman from Mississippi, once stated ”Once a Jap, always a Jap”. In 1945, an opinion poll indicated that approximately 13 % of the people in the United States were willing to have all the Japanese exterminated. This was a significant fact since US Marines participating in the occupation thought it possible that, in their home country, the Japanese might launch a resistance even more intense than the terrible battles in which they had already partaken.
The first US occupation soldiers entering into Japan were provided with a limited edition guide booklet, Guide to Japan. CINCPAC-CINCPOA Bulletin No. 209-45, 1 September 1945, Restricted, gave advice on how to meet what was considered to be the typical Japanese. In addition to the fact that the Americans had to weigh how the occupation would succeed as a whole, they attempted to ensure that the first encounter between the Japanese people and the occupying forces would proceed in an appropriate manner. During the war, the image of the Japanese as an enemy had formed into an intensely negative one. Guide to Japan introduced the Japanese women. Also, it emphasized that neither the pre-World War II image of the Japanese as a comical and polite little man nor the later one of a mad, bloodthirsty beast were accurate characterizations. Both of these sides were presented to exist simultaneously in the Japanese. It was said that this ambivalence was visible in the six ideals of the Japanese: unity, compromise, indirection, patience, persistence and ruthlessness.
These, of course, were in many ways at odds with what were perceived as American ideals, in the core of which were individual freedom and enterprise. It was important not to underestimate or despise the Japanese, because they were expected to raise against this united, toughened and resolute. Guide to Japan made a clear distinction between the two cultures and the peoples living in them and encouraged vigilance, but it also sought to instill trust into the occupying soldiers with regard to the idea that the relations between the peoples of the two countries could change, through a change in the Japanese, in a way that would please the Americans.
“Let’s examine a typical Japanese, Fukuda-san, or as we would say, ‘Mr. Smith,’ a product of geography, oriental religion and tyrannical government which have worked him over for 2000 years”: initiated a restricted bulletin Guide to Japan. A US occupation soldier was told several reasons why the Japanese government at the time was “stream-lined tyranny”, the Diet an “impressive but impotent” and Fukuda-san basically “an angry sheep”. Fukuda-san’s conduct was to be understood even though it was “unpardonable”. The presented explanations included his tradition, upbringing, society, government and faith. No way was he regarded as a democratic person. His country was planned to be democratized. Fukuda-san was estimated to have a chance to “turn out to be a pretty fair citizen. Who knows?”

Ian Kikuchi (Imperial War Museums and Queen Mary University of London), From “oriental quarrel” to “bloody vengeance!”; the portrayal of war in the Far East by British newsreels, 1937-1942
During the Second World War, Britain fought a long war against Japan. Besides countless military challenges this war, fought largely by British imperial forces in far-away and unfamiliar countries, and marred by humiliating and disastrous early defeats in Malaya, Singapore, Hong Kong and Burma, presented Britain’s Ministry of Information with an exceptionally difficult propaganda challenge. Although the British wartime public consumed their news primarily through newspapers and radio broadcasts, in an era before televised news broadcasts, the cinema provided British audiences with the only available form of moving image reporting of current events.
This paper examines how three of Britain’s cinema newsreels depicted war in the Far East to British audiences between 1937 and 1942. It does so by focussing upon the coverage of three particular phases; the Japanese assault on Shanghai in 1937, the outbreak of war between Japan and Britain in December 1941, and the humiliating surrender of Britain’s Singapore garrison and naval base in February 1942. It examines the newsreels’ use of both images and commentary, highlighting areas of similarity and difference between the newsreels’ coverage. In doing so, it gives an impression of how cinema audiences experienced the war in the Far East through film.
This paper will show how, in covering the outbreak of the Sino-Japanese War in 1937, the newsreels used the war as both a shocking moral outrage and as a source of spectacular and thrilling footage. They also constructed a vision of the war as an ‘Oriental’ conflict that reflected some imagined facet of a supposedly East Asian personality. In doing so, the newsreels constructed imaginary boundaries that insulated the war in China from their British audiences, at a time of profound concern about the possibility of war in Europe.Upon the outbreak of war, the newsreels responded to Japanese aggression in a variety of ways. One resorted to dehumanising the Japanese, while others differed as to whether the Japanese elite or the Japanese people as a whole were responsible. The newsreels agreed, however, that Japan was an ‘uncivilised’ and ‘treacherous’ nation in comparison to the Anglo-American democracies. They also expected a swift Allied victory at sea. Later, the newsreels struggled to comprehend and interpret Britain’s defeat at Singapore. In coming to terms with Japan’s shocking victory, the newsreels’ responses included fury, mourning and a search for encouraging parallels or inspirational moral lessons.
In general, this paper gives insights into how, under a heavy burden of wartime censorship, Britain’s newsreels managed to maintain some independence in how they presented their stories, while being completely barred from openly criticising British strategic policy. It contributes to an increasingly active British historiography of newsreels, and allows insights into how British audiences experienced, through the cinema, a far-away and unfamiliar war.  In presenting this paper, the author hopes to use illustrate his discussion with extracts from relevant newsreels and digitised primary documents.
Irina Podgorny, Diego Ballestero e Susana V. Garcia (Museo de La Plata/CONICET – Argentina), Propaganda y reconquista cultural. Las associaciones científicas alemanes y el impacto de la Gran Guerra en la Argentina, 1914-1930
El 28 de agosto de 1921 desde Belgrano, un barrio de Buenos Aires, el Sr. H. Dillenius le escribía enfurecido a su yerno, Robert Lehmann-Nitsche, profesor de antropología de las universidades de La Plata y Buenos Aires y, desde 1897, jefe de la sección homónima del Museo de La Plata. Su enojo se debía al nombre del nuevo barco de Hamburg-Süd: “Cap Polonio”, cuyo primer viaje hacia al Río de la Plata se iniciaría el 16 de febrero de 1922. Se trataba de un nombre sumamente urticante que “sonaba a Polonia, el país delos incendiarios y la tierra de la alta traición”. Lehmann-Nistche se apresuraría a escribir un artículo en la Deutsche La Plata Zeitung, uno de los periódicos alemanes de Buenos Aires: “‘Cap Polonio’, nicht ‘Cap Polonia’ ”. Allí explicaba que el nombre era un homenaje a la República Oriental del Uruguay, cuyo único Cabo llevaba ese nombre, razón por la cual le correspondía entrar en la serie de los vapores  CAP de la compañía naviera (Cap Trafalgar, Cap Finisterre, etc). Lehmann- Nitsche se preguntaba por qué no se había recurrido a otro Cabo de la geografía del Cono Sur. La similitud del nombre con “Polonia”, según su punto de vista, sería usada por la propaganda francesa. La falta de conocimiento del idioma español de parte de los directivos de Hamburgo llevaba a un error político: la elección de un nombre inconveniente para Alemania, que se hubiese solucionado bautizando al barco bajo la invocación de un héroe nacional, como Lavalleja o Artigas.
El impacto de la guerra europea en las distintas disciplinas científicas fue rotundo a nivel internacional. La guerra puso de manifiesto la trama de las relaciones existentes a escala mundial. Es por ello que una guerra, cuyo campo de batalla estaba a miles de kilómetros de los países americanos, repercute, sin embargo, sobre diversos aspectos de la actividad científica de la Argentina. Entre ello, se interrumpieron los intercambios científicos y los congresos internacionales, las becas de estudio en el exterior, los contratos de profesores extranjeros, la adquisición en Europa de material para la renovación y funcionamiento diario de los laboratorios y las bibliotecas. En un clima general a favor de la cultura francesa y de los intereses británicos, la Sociedad Científica Alemana de Buenos Aires, a través de sus publicaciones, intentó mostrar cómo la historia de la ciencia y la de la educación argentinas estaban inexorablemente ligadas a la cultura alemana, generando la reacción de los argentinos nucleados en la Sociedad Argentina de Ciencias Naturales. Por otro lado, algunos investigadores extranjeros abandonarían sus cargos para ir al frente de batalla. No obstante, los efectos del conflicto bélico europeo entre los integrantes de la vida académica argentina, permanecen como un aspecto poco estudiado. En esta ponencia, examinaremos especialmente la actuación de las sociedades científicas alemanas durante la Gran Guerra pero también en la década posterior, cuando –a través de varias asociaciones de propaganda cultural – se encara la reconquista científica y cultural de estos territorios.
En particular, nos referiremos a Robert Lehmann-Nitsche, protagonista de varios conflictos en el seno de la Universidad durante la Gran Guerra y quien, a partir de 1918, participó activamente en los movimientos antirrepublicanos de algunos grupos alemanes radicados en la Argentina, preocupados por los avances de los antiguos enemigos y las consecuencias del Tratado de Versailles. Lehmann-Nitsche participó, por ejemplo, en las siguientes asociaciones porteñas, partidarias del Kaiser y del Imperio:“Deutscher Kriegerverein”, “Schwarz-Weiss-Rot” y “Deutschenationale Volkspartei”, cuya representación local funcionaba en el Deutsches Vereinhaus. Contribuía, asimismo, con donaciones al “Nationalverband Deutscher Offiziere” y al “Andreas-Hofer-und Südmarkbund” de Schwaben. En estos movimientos se exaltaba el valor del guerrero y el arrojo patriótico (Elias 1992), de la misma manera con que Lehmann-Nitsche alababa el heroísmo de los caciques indígenas locales. En contacto con el mundo académico alemán y con distintos científicos alemanes residentes en el continente americano, procuró colaborar en la reconstrucción de las bibliotecas destruidas durante el conflicto. Asimismo, participó activamente en la organización de las visitas a Buenos Aires de, entre otros, Hugo Obermaier (1925) y los americanistas Karl Sapper (1927) y Walter Lehmann (1929) que, indirectamente, formaron parte de los intentos de afirmarse en el campo de la antropología y la prehistoria locales.

Jaime Valim Mansan (PUCRS e UCM – Espanha), Propaganda, violência simbólica e controle social durante a Guerra Fria: a Ditadura Civil-Militar e a educação superior no Brasil (1964-1988)

James Mathews (University College – Dublin), Turning Citizens into Soldiers: Propaganda and Mobilization during the Spanish Civil War, 1936-1939
A propaganda é um dos mais eficazes meios de violência simbólica (P. Bourdieu; S. Mendonça), via de regra tanto mais eficaz quanto menos evidente. Embora em tempos de guerra certas formas de propaganda assumam-se claramente como tais (cartazes, panfletos etc.), há também formas de propaganda de guerra, como a chamada guerra psicológica, cuja eficácia reside sobretudo na capacidade de dissimular-se. O contexto da Guerra Fria implicou em um crescente intervencionismo estadunidense na América Latina, sobretudo após a Revolução Cubana. O Brasil, por suas dimensões continentais, constituiu uma das prioridades da política exterior estadunidense na região. Em função disso, os EUA financiaram no início dos anos 1960 caríssimas campanhas de propaganda golpista contra o governo João Goulart, promovidas por grupos como o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática). O medo de um Brasil socialista também levou-os a apoiar o movimento civil-militar responsável pelo golpe de Estado de abril de 1964. Navios de guerra estadunidenses estavam localizados na costa nordeste do Brasil, prontos para o ataque, em caso de resistência. Com o sucesso do movimento golpista, foi instaurado no país um regime ditatorial que, liderado pelas Forças Armadas e com importante participação civil, vigorou até 1988. À semelhança do que ocorreu em outros países latino-americanos nesse período, como Argentina, Uruguai e Chile, e possuindo também vários pontos em comum com os regimes salazarista e franquista, a chamada Ditadura Civil-Militar foi um regime de exceção, calcado em violência, arbítrio e medo. A partir de 1964, gradativamente configurou-se no Brasil um sistema de controle social (S. Cohen; D. Garland) muito peculiar, cuja marca maior foi a ocultação das práticas violentas, nas quais baseava-se o regime, por meio de ações de propaganda que buscavam caracterizar o país como “democrático”, “forte”, “um país que vai pra frente”. O grupo no poder pautava-se pela ideia de que o país enfrentava uma “guerra interna” e seguia nesse sentido as diretrizes da Escola Superior de Guerra, núcleo ideológico do regime. O “inimigo interno” era definido através da difusa e convenientemente flexível noção de “subversão”, apoiada sobretudo em normas arbitrariamente impostas pelo próprio regime (como os “atos institucionais”). Isso permitia um controle dinâmico da sociedade, que era constantemente vigiada: toda oposição não consentida, ao constituir-se como tal, automaticamente passava a ser perseguida e punida de modo brutal; a par disso, buscando ocultar a ilegitimidade de origem (J. Aróstegui) daquele regime, tais violências eram apresentadas à sociedade como “combate à subversão”. Este é o quadro geral em que se insere esta comunicação, que tem por objeto de análise o controle via propaganda de um segmento social específico, o campo da educação superior, naquele duplo contexto de guerra (Guerra Fria no plano internacional e “guerra interna” no plano nacional). Como fontes primárias, são utilizados os boletins diários distribuídos à imprensa pela Agência Nacional, textos do programa radiofônico A Voz do Brasil, diversos cinejornais, transcrições do programa O Povo e o Presidente, periódicos como Última Hora, Veja e Jornal do Brasil, dentre outros.

Javier Ponce Marrero, (Universidad de Las Palmas de Gran Canaria), Under propaganda fire: Spain and the Great War

Joachim Burgschwentner (University of Innsbruck, Austria ), Warfare by Welfare ? War relief and propaganda in Austria during the First World War)
‘The success in the modern war is in the end to a big part a question of organization,’ wrote Fritz Antonius, member of the War Archives in Vienna, in 1915. ‘Here, in an organization that comprises not only the troops but the totality of the people, lies one of the secrets of the final victory.’ 1 His words, which constituted an introduction to a chapter on war relief, represent a development during the First World War that is often viewed as an important step towards ‘total war’ 2: in addition to the army now the population also had to be mobilized for the war effort, and the traditional division between soldiers and civilians was increasingly merged into a union of front and home front.
The questions of how these fronts were built and maintained, as well as which roles force, persuasion and patriotism played, has been evaluated differently in the past 100 years and is still a matter of debate. During and immediately after the conflict, ‘propaganda’ was a prominent topic in discourse and research. Especially in Germany and Austria, the superior allied propaganda machinery was perceived as a crucial reason for their defeat. 3 Towards the end of the 20th century, however, it became increasingly clear that in 1914 none of the belligerent states possessed a highly organized propaganda apparatus or strategy but that these developed over the years. 4 Furthermore, since the first decade of the 21st century the relationship between state and population has seen a re-evaluation within the context of ‘War Cultures’. According to John Horne, in the early stage of the war ‘the state engaged in surprisingly little of this [i.e. propaganda] on its own account’, whereas the ‘“self-mobilization” of the public sphere provided the real force behind the war effort in the first two years of the conflict’.5
This paper focuses on the complex relationship between state and population, between propaganda and self-mobilization in the early phase of the war in Austria-Hungary. Although in August 1914 a pre-emptively planned propaganda institution, the “Kriegspressequartier” (War Press Quarters), was immediately set up, its activities initially seem to have mainly concentrated on the production and censorship of media reports. A crucial role in mobilizing the population was played by the partly state-run, partly private war relief organizations, which very quickly started to sell patriotic items such as postcards and medals. Some of the most popular –and still best known – initiatives, such as “I gave Gold for Iron” or the “Soldiers in Iron” did not stem from the propaganda apparatus but from private societies and were then taken over and extended by official war relief. These highly propagandistic campaigns spread notions of a “historic time” with “war heroes” while at the same time instigating the population to fulfill their duty and financially support the “brave warriors”. Thus, under the cloak of charity, which has not fully been lifted yet, war relief can be seen as a spearhead in creation of the home front. Therefore, this paper seeks to contribute to an understanding of “propaganda” during the First World War not as a uniform, centrally organized strategy but as a complex, reciprocal relationship between governmental offices, patriotic societies and the general public.

João Mascarenhas Mateus (CES-UC) e Carlos Vargas (IHC-FCSH-UNL), “The Atlantic Community: os primeiros documentários da OTAN (1949-1957)
No início da Guerra Fria, os mecanismos de propaganda são colocados ao serviço da construção do conceito de “comunidade atlântica”, conceito assente em quatro pilares fundamentais: liberdade, democracia, desenvolvimento e defesa. O cinema e a televisão serão veículos fundamentais de uma nova mensagem de coesão a par da força agregadora do Plano Marshall, que traz consigo novas lógicas e gramáticas de desenvolvimento naturalmente subordinadas aos ideários norte-americanos.
Neste contexto, séries como “The Atlantic Community”, um conjunto de 17 episódios produzidos pela OTAN nos anos 1950, bem como outros documentários produzidos ao tempo, refletem bem as preocupações de reconstrução da Europa Ocidental, à sombra da Pax Americana, num esforço de unificação conceptual de nações europeias com trajetórias tão distintas e percursos históricos tantas vezes díspares e antagónicos.
Com esta análise, procuramos identificar as preocupações de um tempo pós-guerra, em que a Europa em reconstrução se esforça por ultrapassar os horrores da destruição recente, ao mesmo tempo que se procura construir uma nova ideia de comunidade solidária eestratégica emilitarmente eficaz.

João Moreira Tavares (AHM e IHC-FCSH-UNL), As Histórias de Unidade: uma outra forma de propaganda
Após a 2ª Guerra Mundial, em pleno cenário de Guerra Fria, a eclosão e o desenvolvimento de organizações pró-independência nos territórios coloniais sob administração europeia e a posição anti-colonialista assumida pelas duas grandes potências emergentes, EUA e URSS, levaram a que a continuação da presença portuguesa em África começasse a ser posta em causa. Primeiro, no campo político, através de pressões externas no seio das organizações internacionais. Depois, numa segunda fase, à pressão diplomática a que o País foi sujeito juntou-se o início da luta armada, de cariz subversivo, por parte de movimentos independentistas nos três principais territórios coloniais portugueses. Em Angola em 1961, na Guiné em 1963 e, por fim, no ano seguinte em Moçambique.
Num tipo de conflito armado em que o que importava para ambos os contendores era sobretudo a conquista da população para a sua causa e em que se procurava o desgaste físico e psicológico do adversário de modo a obriga-lo a desistir da luta, a propaganda e contrapropaganda tiveram um importante papel, tendo sido amplamente utilizadas pelas duas partes em confronto. Pelos movimentos de libertação para angariar os necessários apoios materiais, políticos e financeiros capazes de sustentar e intensificar as suas acções bélicas e políticas pró-independentistas. Pelo Governo português para impedir que a subversão interna alastrasse, reforçar a coesão nacional entre o ultramar e a metrópole e justificar, desse modo, a ideia de um Portugal pluricontinental, plurirracial e indivisível. Cartazes, folhetos, jornais, filmes, programas de rádio, reportagens televisivas foram alguns dos principais meios propagandísticos, cujo alcance, naturalmente, se procurou que fosse o mais alargado.
A presente comunicação centra, contudo, a sua atenção num conjunto de documentos de divulgação restrita e, por isso, muito menos conhecidos, denominados Histórias de Unidade, que integra o acervo do Arquivo Histórico Militar. Concebidas para relatar os feitos de armas das unidades militares do Exército português que combateram em África, estas Histórias ao inverso dos exemplos acima enumerados não tiveram objectivos propagandísticos imediatos. Não se destinavam a rebater os argumentos pró-independência, não se pretendia com elas denegrir a imagem do inimigo ou cativar as populações para a causa do Portugal uno e plurirracial e acima de tudo, não se tratavam de documentos destinados a serem difundidos de uma forma abrangente, o que por si só contrariava a essência da propaganda. Procuraram, sim, ser um repositório de informação, tanto sobre o Exército português, como também sobre o inimigo que este combatia e o meio físico-social em que a luta era travada.
Trataremos, pois, de uma outra forma de propaganda, se é que a podemos designar assim, tal é a ambiguidade da sua natureza, que se preocupa em propagandear não junto dos contemporâneos, mas para os vindouros “a memória do esforço, entusiasmo e dedicação do Exército Português na defesa do solo pátrio” para que estes não ficassem esquecidos “com o rolar do tempo”. Se são estas palavras que podem definir as Histórias de Unidade como instrumentos de propaganda, as instruções para a sua redacção dão-lhes, contudo, outra orientação: “um registo de acontecimentos simples, preciso, objectivo e sucinto”; em suma um documento de trabalho, no âmbito do serviço de campanha, como se tratassem de simples e banais relatórios. Porém, essa frieza pedida na descrição dos factos nem sempre foi seguida por quem redigiu as Histórias, pois o relator era também protagonista nos acontecimentos e por isso incapaz de garantir a requerida objectividade, despida de quaisquer considerandos e sentimentos.

Jose António Montero and Antonio Lopez Vega (Universidad Complutense de Madrid), Propaganda and cultural internationalism: the U.S. Committee on Public Information and Spanish Intellectuals (1917-1918)
World War I became in neutral Spain a different kind of war. Public opinion forgot about the real causes of the conflict, using war-related issues to represent divisions already existing in Spanish society. Conservative groups tended to side themselves with the Central Powers, and especially Germany, presented either as icons of tradition, respect and order or simply as the counter-image of France, a country largely seen as symbolizing the worst side of modernity. On the contrary, progressives equaled Western allies with progress, both social and political. Prominent among them were the intellectuals of the so-called Generation of 1914, a varied group of scholars, writers, scientists and artists who wanted to introduce Spain in the path of modernization and shared a project based of four points: Europeanization, rationalism, scientism and republicanism. Beginning with their most typical representative, the philosopher José Ortega y Gasset, those intellectuals used their pens to ascribe those qualities to France and the United Kingdom. Thus, Spanish conservatives and liberals transformed the Great War into what Gerald Meaker has called “a civil war of words.”
The field was ready for the propaganda apparatuses of both sides to give their support to those personalities and organizations closer to their aims. France’s Deuxième Bureau and Great Britain’s War Propaganda Bureau did not engage in full-fledged campaigns in Spain until 1916, and did it mostly animated by certain personalities of Ortega’s generation. Though the philosopher never entered into these schemes, the Entente Powers ended up financing different activities –from periodicals to rounds of lectures, books or exhibitions- carried out by such people as Luis Araquistáin, Salvador de Madariaga, Ignacio Zuloaga, Gustavo Pittaluga or Ramón Pérez de Ayala. Contrary to what some authors have implied, these people did not turn into mere mouthpieces for Allied messages, acting instead quite independently from their patrons. They used France and the Entente’s funds to advance their reform plans, and did it with the connivance of those in charge of propaganda operations, such as the British John Walter, who sympathized with the political aims of Spanish liberal intellectuals. Actually, Allied propaganda functioned more as a horizontal organization, based on personal ties, than as an overpowering vertical structure dedicated to follow centralized propaganda directives.
The story repeated itself when the United States joined the propaganda club. America entered the war in April 1917 presenting itself as both the most perfected liberal regime and the savior of democratic institutions in the Western world. After almost three years of turmoil, President Wilson’s promises of a “world safe for democracy” gave fresh air to the worn-out mottos launched from London or Paris. In Spain, these changes took place precisely when the relations between leftist intellectuals and the propaganda bureaus of France and Great Britain began to deteriorate, and the United States took the place of the Entente Powers as an emblem of progress. Such was the situation when the first representative of the American Committee on Public Information arrived in Spain in December 1917. In the following months U.S. propaganda fell in the hand of a series of personalities, such as Irene Wright or George A. Dorsey, who came from American progressive circles and saw the members of the Generation of 1914 as their Spanish counterparts. With the help of Spanish scholars teaching in the U.S.- like Federico de Onís or Miguel Romera-Navarro-, Wright and Dorsey inherited the working methods of their Allied colleagues and forged a network which included Luis Araquistáin, Julio Álvarez del Vayo, Rafael Altamira, Camilo Barcia, Fabián Vidal, Juan Guixé, Álvaro de Albornoz, among others.
The Committee’s activities did not radically change the minds of the Spanish people, but created personal bonds that lasted well beyond the war. The CPI’s agents acted as a bridge between a number of Spain’s intellectuals and American liberals who introduced them into the current that Akira Iriye has called “cultural internationalism.” In the 1920s and 1930s, those links did not only serve to see the name of Araquistáin or Álvarez del Vayo in the pages of Foreign Affairs, but to influence the image of Spain among leading U.S. progressives who years later crafted the vision of the Spanish Civil War held by most American liberals.

José J. Sanmartín, (University of Alicante), Propaganda and History on War. The intelectual conflict between Croce and Gentile
The corpus of ideas exposed by Benedetto Croce immediately after the Italian military defeat of Adwa at the end of nineteenth century represented a real and solid effort to distinguish between History and propaganda. The last one is only a tentative possibility to construct an irrational theory with emotional elements; meanwhile, History force us to provide logical explanations to complex situations. According to Croce, History has almost nothing to do with propaganda. The terrible results for Italian armies in this African war demonstrated the need to implement better intellectual resources in order to attain a clearer perspective. The lack of a objective view about real military situation (contended forces, power of resilience of the enemy, between others) produced such failure for Italian army.
The main issue about truth in History is also important to Giovanni Gentile, but he outlined the role of a people in order to win their future as a nation, as a state. Nationalism and later Fascism are “salvation” ideologies, justified by History and Morals… beyond the limits of both History and Morals. According to Gentile, the force is the main character acting in History, and force could be a transformational power in politics and society. The Gentilian preemptive idea is that both politics and society serve the State, where nation is part of it. A war declared by a Gentilian (Fascist) Government always will be fair and right, because this is the Government of a perfection called State. This is a typical Fascist argument, but it was trascended to other schools of thought along twentieth century. Any military decission adopted by a Cabinet is right, just for this basic reason.
This impressive manipulation of truth was conducted by Gentile with all intellectual resources and even a brilliant skill for writing and description. In this way, Gentile sustained that propaganda is the representation of will; for this reason, in some cases, propaganda could overpass real History. War is for Gentilian thought the expression of the eternal fight between evil and good. To Gentile, evil means democracy; meanwhile, good is liberty, his “liberty”… liberty of State, where citizens have to give their own freedom to that State in order to live according to State parameters. Only inside the State we can enjoy of freedom. Every decission taken by the Government of this perfect Fascist State is legitimated by History and a natural law. This manichean vision of life is showed in Fascist attraction to war: life is a permanent combat, and History must be subordinate to State’s interests and the will of rule.
The First World War was another experience, full of brutality, that eroded the hope of Croce in human intuition. The devastating power of propaganda (in the political and military scenes) had produced terrible consequences in all battlefields, and societies. The recovery of History as a source of knowledge is for Croce the urgent solution to avoid another tragedy. Propaganda has been an enemy of rationality and morality. In this context emerged his theory on critical thinking. The “critica” is both an instrument and end in itself. We could advance according to our control on this critique mechanics.
To Croce, freedom is also the capacity to decide for ourselves; for this reason, the distinction between History as a knowledge and propaganda as an ideology was so relevant in his thought. In this paper, we explore this important issue in order to attain an intellectual and clear explanation of the role of propaganda in these two thinkers on History. War is desirable option according to Gentile when rationality could blockade the energy, the force, of the State. The nation must impose their criteria against any social requirement: that’s the Gentile approach, and clearly incompatible with Croce view about the relationship between war and propaganda. The last one cannot be the potential source of any war. That’s the problema viewed by Croce. The Gentile’s enthusiasm for war and the Fascist configuration of emotional -and ideological mithology where military force was exalted- constitued the backbone of a new perception of military glory and mistification of the idea of country.

José Luís Rodrigues dos Santos (CEIS20 – UC), Guerras da Informação na Guerra Civil de Espanha
Guerras da Informação na Guerra Civil de Espanha
Com a vitória das forças de Esquerda nas eleições de Espanha em 1936, inicia-se um novo ciclo nas relações ibéricas. Face ao confronto de dois governos antagónicos que teriam de coabitar dentro da península, Salazar apoiará a rebelião militar de Julho, cuja vitória lhe seria fundamental para a sobrevivência do seu regime.
O esforço de guerra passará também pela propaganda. Ambos os campos têm necessidade de mostrar a sua suposta realidade na época em que se criam as possibilidades técnicas e socioculturais para o desenvolvimento da fotografia de guerra. Informação e propaganda são dois campos que se irão entrelaçar em virtude da militância do fotógrafo. As guerras da informação iriam começar.

José Manuel Diogo, AGSComunicação
Desde a Primeira Guerra Mundial até aos dias de hoje, a imprensa, a rádio, a televisão e o cinema acabam de alguma forma por servir como meios de propaganda. A informação massificada e sem um sujeito de enunciação individualizado ganha um alcance até então desconhecido. E neste caldo a propaganda provou ser, no século seguinte, uma arma tão eficaz e muitas vezes mais cruel quanto aquelas que são manejados por soldados em campos de guerra.
A tecnologia tornou esta arma democrática. Colocou-a literalmente na ponta dos dedos do mundo. Uma arma capaz de poder ser usada por qualquer um e em qualquer lugar do mundo e que permite com um mínimo de conhecimentos disseminar qualquer conteúdo em todos os palcos e suportes. À frente dos olhos de qualquer um.
Ao longo dos tempos muitas foram as mudanças no paradigma dos serviços de informação mundial, mas nenhuma tão grande como as de hoje, o mais importante é o silêncio.
Ao contrário de quase todas as actividades profissionais que muitas vezes são valorizadas por terem eco na opinião pública, quando se trata de Espionagem e Agências Secretas começa a ter de se fazer o contrário, fazer silêncio. Sempre que a comunicação social fale de espiões e agentes secretos podemos ter uma certeza: alguma coisa correu mal. Os espiões vão sempre fazer os seus relatórios ao chefe, nunca aos jornais, o que se aplica também aos espiões jornalistas. É um contrasenso. Quando se chega a gastar tinta, é porque alguém corre perigo de vida ou estão envolvidas astronómicas somas de dinheiro.
Percorremos a história essencial das maiores Agências Secretas desde os primórdios da sua criação até o final do século XX para podermos refletir sobre o que pode acontecer no futuro. Nos dias de hoje, com o desenvolvimento e democratização das tecnologias de informação, as actividades que todos conotamos com a espionagem clássica e com os espiões românticos que o cinema americano ajudou a popularizar, usando disfarces, micro câmaras, alteraram-se para sempre. Os espiões são agora muito mais tecnológicos e muito menos atléticos. Sabem programação de computadores, cálculo matemático e são sociólogos; provavelmente nem vão ao ginásio.
Os mais eficazes espiões da atualidade não são perigosos operacionais da CIA, do MI6 ou do Mossad, nem assassinos profissionais, nem agentes de elite, nem militares; são aqueles que através da internet sabem encontrar os caminhos para dominar o mundo.
Os hackers, homens e mulheres que conseguem entrar e alterar sistemas informáticos supostamente seguros, estão agora na primeira linha do recrutamento para as atuais agências secretas. Já não são mais locais como West Point, Sandhurst ou Resende os viveiros preferenciais para encontrar um candidato a agente secreto. Os novos espiões começam a sua atividade na mais tenra adolescência, percorrendo em sua casa, no quarto, os caminhos mais obscuros do mundo virtual. Fazem-no às escondidas dos pais e da sociedade, não seguindo nenhum código de honra ou parâmetro moral. O seu único objetivo é poder descobrir o que está escondido na internet; e o grande perigo para a sociedade é que tudo, de cada indivíduo, está na world wide web.
Nesse mundo da espionagem as relações pautam-se por um único objetivo: interesse, obtenção de informação. E, é uma prática que vem de longe. Sun Tzu, o sábio general chinês que viveu cinco séculos antes de Cristo, dizia que o que possibilita ao soberano inteligente conquistar o inimigo é o poder de previsão, e que esse conhecimento só pode ser adquirido por meio de homens que estejam a par de toda movimentação do inimigo.

Joseph Schmauch (University of Strasbourg), Au pays de la Marseillaise. French propaganda and the question of Alsace-Lorraine during World War I
Since 1914, the recovery of Alsace-Lorraine, which was annexed by the German Empire for 43 years, appears as one of the main war purposes for the French government. But three years after declaration of war, Alsace and Lorraine are still unknown for most of the french population. During the military campaign of 1914 in the Vosges mountains, the first contacts between french soldiers and alsacian civilians, were not easy ; soldiers faced people speaking barely french and sometimes welcoming coldly their liberators.
In order to fight against a degraded image of Alsace-Lorraine, an organ of propaganda called Bureau d’études d’Alsace-Lorraine is created in 1917. Its different purposes are : boosting the idea of a french Alsace-Lorraine, as well as convincing the french population of the legitimacy of the cause, for which the mobilized soldiers are fighting. This office’s functions, as a documentation center, are : collecting information about the situation in Alsace-lorraine, and producting propaganda, which develops a doctrine on alsacian topics. This creation has to be replaced among the institutions, involved during the conflict in the “psychologic war”, when the french Prime minister Clemenceau creates a governmental office involved in propaganda (Commissariat général de l’Information et de la Propagande). This special effort aims to give sense to a french Alsace, when, at the same time, the German government ponders the opportunity to give a larger autonomy to the Reichsland.
Different modern methods are used to communicate : propaganda through press, theatre, cinema, illustration, bills, and also fashion or commercial objects. The propaganda office supports and gives grants to different patriotic associations specialized in alsacian topics, like the Erckmann-Chatrian Society or the Ligue républicaine d’Alsace-Lorraine. Native artists, writers or politicians, from these regions, like Emile Hinzelin, Jean-Jacques Waltz (well known as Hansi) or Abbot Emile Wetterlé, join the service for the french army and the propaganda office.
A press service has to riposte to articles published in german newspapers (particularly the Strassburger Post), collected by the french embassy in Berne or by the Military intelligence service of Réchésy, near Belfort, directed by an alsacian, Dr. Pierre Bucher.
Lecture or theatre tours contribute to keep the populations’s spirit up and to fight the doubts that are appearing, especially in french regions that feel less concerned by the alsacian problematic. This propaganda action has to get into the smallest villages in order to change the public mind in accordance to the governmental position about the recovery of Alsace-Lorraine. Between June 1917 and September 1918, more than 500 conferences are organized. Overseas, the same effort shall convince allied or neutral states that the French ambitions about the eastern provinces are legitime. In June 1917, the society L’Effort des Alliés organizes different conferences in London, Edimburgh, Glasgow, Aberdeen and Dundee. The same year, following the entry into the war of the United States, the French government begins its campaign facing the American public opinion, relying on alsacian societies settled in North America and on the action of the former mayor of Colmar, Daniel Blumenthal.
In the same time, the commercial propaganda concerns loads of objects: library furnitures (notepaper, exercice books for scholars, timetables), toys (dolls, figurines to cut out designed by Hansi), cardboard (different boxes for sweets or cakes), jewellery (crosses or thistles of Lorraine, coats of arms of alsacian cities), and also fashion (accessories from the alsacian traditional costume, hairstyles remaining the alsacian ribbon).
Studying the different thematics of this propaganda provides a great interest. Most of them have been diffused all along the Third Republic, as it appears in a recent thesis of Laurence Turetti about the lost provinces in French representations (1870-1914). The official propaganda continues to diffuse a mythic image of Alsace-Lorraine, how this region is seen since 1871 through patriotic ceremonies, press articles, scholar manuals and literature. The caricaturist Hansi drew, in France, this traditional figuration of an eternal, tricolor and smiling Alsace. Roman characters like “L’Ami Fritz”, Colette Baudoche or Jean Oberlé, conveys this image too: two regions, faithful to the French fatherland, unwillingly subjected to the German yoke. The French definition of nationality, which attaches a great importance on voluntary adhesion, leads to these thematics, in complete opposition to the german propaganda, which insists on the linguistic and cultural community between Alsace, Lorraine and the German Empire. More than 40 years after the treaty of Francfort, these thematics are nevertheless in contradiction with the real political situation in Alsace-Lorraine.
These images of propaganda make sense to understand the general attitude that characterized the preparation of the french recovery of Alsace-Lorraine. Observing this distorted vision of Alsace-Lorraine, through the propaganda, is essential to understand some mistakes made by politics or administration in Alsace after 1918.

Júlia Leitão de Barros (Escola Superior de Comunicação Social e IHC-FCSH-UNL), “Não se vê dois passos”
No período da II Guerra Mundial os países beligerantes procuraram obter o máximo de vantagens da posição de neutralidade assumida por Portugal. Ao governo português coube gerir as tentativas de ingerência em assuntos até aqui sob o seu exclusivo controlo.
O Estado Novo que assumira a propaganda e a censura como valiosos instrumentos de governação assistiu num curto espaço de tempo ao estabelecimento de aparelhos de propaganda beligerantes que procuraram exercer influência nos mais diversos sectores sociais e políticos.
A luta pelo “ controlo” da opinião dos portugueses ganhou particular relevo após a “queda” de França, em Junho de 1940. A ameaça alemã à Península Ibérica, corporizada nas tropas estacionadas nos Pirenéus e apoiada na ambígua declaração de “ não beligerância” de Espanha, conduziu o governo a uma política de mais estrita neutralidade, que se manteve  até ao desembarque aliado no Norte de África, no final de 1942.
O “ cerco” da guerra pautou-se pela intensificação e diversificação de meios propagandísticos ( a imprensa, a rádio, o cinema, o folheto, o livro, o cartaz, o evento, o boato, etc.). O que aqui procuraremos é encontrar os contornos/”regras” deste campo de “combate” político, destacando protagonistas (Grã-Bretanha, Alemanha, “Estado Novo”)  e linhas de atuação política dos aparelhos de propaganda em confronto, e, por último, devolver algum multifacetado protagonismo aos organismos estatais  envolvidos – Secretariado de Propaganda Nacional, Direcção dos Serviços de Censura, Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, Legião Portuguesa, Governos Civis, etc.
Tinha razão Armindo Monteiro, embaixador de Portugal, em Londres, quando, em 23 de Abril de 1940, escrevia para Salazar: “ tudo [parece] possível neste momento (…) a divisão real dos dois campos [ir-se-á] pouco a pouco acentuando, assumindo a guerra a sua fisionomia definitiva. Para esse efeito a guerra sem batalhas trava-se com intensidade, sobretudo nos campos diplomático, económico e de propaganda, para a conquista da alma das nações adversas e neutras”. Entre 1940 e 1942, os países neutros estiveram “na primeira linha”.

Juliana Marko (University of Tiranes, Albania), Western media reporting and propaganda in the initial phases of Kosovo war
Conflicts have altered significantly in time, but the press reportage has displayed most frequently certain propaganda themes. According to Willox 2005, these themes can be broken down into five elements, leader figure, the portrayal of the enemy, military threat, threat to international stability and technological warfare.
One of the most important roles global media is playing, may be seen as agenda-setting. The particular reporting and messages may simplify the public convincing leaders to engage in distant conflicts or crises, even in cases which appear of little or no national interest. In most cases the sentimentality could as well prevail, while some more realistic foreign policy approaches may be ignored. The mass media often accelerates the timing of decision-making, as the constant media coverage of the events plays a decisive role in shaping the public sentiments and the consequent pressure on authorities.
As Bahador (The CNN Effect in Action) puts it, “Through the emergence of unexpected and emotive images framed in a sympathetic manner to a particular party who are presented as victims, this effect makes an official policy appear ineffective or even misguided, exposing gaps between media representation and policy claims. These gaps challenge the policy’s credibility, creating the environment in which policy decision makers are pressured to alter policy in order to fill the void.”
The Kosovo war and the period preceding it, for what concerns public communication and propaganda, presents specific features but also characteristics that are very common in the military interventions and conflicts from the Gulf War on. The Balkans after the Cold War weren’t anymore in the strong Soviet Union sphere of influence, but they were once again an European concern. Furthermore, after the War in Bosnia, the Western public was already familiar with a narrative about Yugoslavia; the core divide between good and evil was clear (according to mainstream media). The shock and sense of impotence and guilt after the Srebrenica massacre had established a certain media framework that functioned during the Kosovo crisis.
This is the frame of the proposed paper, which tries to illustrate a pair of the most significant events in the initial phase of the crisis. In 1998 and 1999, the images of human suffering from Kosovo shocked the Western world. Those were mostly television images, but also photographs and reports. At the time, the story presented in mainstream Western media seemed quite evocative: the nationalist government of Belgrade, led by Slobodan Milosevic, had used brutal force to suppress the Albanian majority in Kosovo, a once autonomous province of the former Yugoslavia. In subsequent years, speculation emerged regarding the nature and size of the massacres, which many saw as a powerful tool in gathering and mobilizing Western support against the Serbian side. In the context of the intervention, for example, references to ethnic cleansing have often evoked negative thoughts about the Holocaust and other recent human tragedies to Westerners, followed by a desire to act in order to stop such scenarios from recurring and to do that in due time. According to Robert Entman, “words and images for which the culture’s common schemas evoke strong emotional responses have a greater probability of influencing more people than other words and images, if only because emotional stimuli typically receive more attention from otherwise distracted, apolitical citizens.”
Two of the events analyzed here are the Gornje Obrinje massacre of September 26, 1998 and the Racak massacre of January 15, 1999, which represented two of the main tipping points pushing the Clinton administration to change its policy of nonintervention. The events have been evaluated as reported by three of the most widespread newspapers in the USA (USA Today, The New York Times and Washington Post), taking into account the coverage of the events and, most importantly, the framing typology (pro Albanian, pro Serbian, or neutral). American newspapers coverage had clearly been largely inclined toward the Albanian framework throughout the conflict, becoming more pro Albanian as massacres accumulated. The framing from Kosovo in the West continued to become more sympathetic toward the Albanian position, putting additional pressure on official Western policy that had again failed to prevent a massacre.

Julie V. Gottlieb, (University of Sheffield), Images of “Guilty Women” in British Propaganda in the Second World War
In 1941 Allied journalist and propagandist Richard Baxter published a booklet titled Guilty Women. He clearly intended his condemnation against the British women— women spies, fascist-sympathisers, pacifists and naïve politicians — as a companion piece to ‘Cato’s’ Guilty Men, the stirring indictment of the British architects of the policy of appeasement. This little-known booklet marvelled at the public ignorance about the evil work that women could do at the levels of diplomacy and in the field of foreign relations, and the menace they posed as Fifth Columnists capable of infiltrating the British elite. Baxter was under no illusion about women’s equal share of responsibility for the nation’s apparent cowardice in the face of fascist aggression, even going as far as regarding the whole sex as culpable for crimes against humanitarian instincts and against humanity. Guilty Women is an odd and incongruous little tract as it is simultaneously staunchly anti-fascist and anti-woman, and Baxter begins by saying that “possibly never in the history of Europe has the influence of women been so marked, both openly and sub rosa, in political life as during the past ten years. Few realise that much of the suffering now being endured is due to that influence. There are not many women who can resist the temptation to participate in some form of political intrigue.” (p.9) While much of Baxter’s evidence would not stand the test of time and the careful scrutiny of the historian, it is still significant that a dissident voice emerged in British anti-fascist propaganda that presented women as something other than victims of the Nazi patriarchal regime, and, furthermore, that raised the question of British women’s part in the failed and ignominious policy of appeasing the dictators. How then did this situation arise where British women, whom as a collective had been expected to do such great things in both domestic and foreign affairs after their enfranchisement, were made to shoulder the blame for the nation’s failures and humiliations after the Munich Crisis?
This paper will examine how Guilty Women reflected and refracted stereotyped images of women in British wartime propaganda up to 1941. Baxter was not alone in propagating these kinds of images. Images of femme fatales and of women who exercised power without responsibility abound from the appeasement crisis of the late 1930s through to the Fifth Columnist Scare and the Phoney War period. Sonya Rose and others have challenged the hegemonic mythology of the ‘Peoples War’ by showing how women and racial ‘others’ were represented as subversive and a drain on the patriotic war effort. The notion that the war was also a sex war, and that women were particularly unreliable and even treacherous, was most vividly expressed in print, in posters, and in films. Indeed, when we examine these other sources it becomes clear that Richard Baxter’s sensationalist misogynist scaremongering journalism was not so much of an aberration. This paper will place Guilty Women in the wider context of British propaganda and the press construction of unreliable women in the first phase of World War Two.
N.B. Please note, as I have a conference to attend in Leeds, UK, on 9-10 November, the earliest I can arrive in Lisbon is on the afternoon of 11 November. I have checked the flights from Manchester to Lisbon, and I would arrive on 11 November at 15.15.  If you accept my paper, would you please schedule it for 12 November.

Júlio Joaquim Silva (Centro de História da Cultura – FCSH), Guerra e Propaganda na Ilustração Portuguesa (1914-1918)
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi um dos primeiros conflitos do século XX no qual as partes em confronto recorreram maciçamente à propaganda. A justificação pelas partes em confronto dos objectivos políticos e militares e a mobilização dos recursos nacionais tornava imprescindível a sua utilização. Neste processo os meios de comunicação foram instrumentos privilegiados nas sociedades urbanizadas e industrializadas da Europa e da América. A imprensa destacou-se pela sua capacidade de influenciar e orientar a opinião pública dos países beligerantes. As potências Aliadas e as do Eixo recorreram a ela para veicularem informações e ideias capazes de empenhar os seus cidadãos no esforço nacional. Portugal desenvolveu meios e técnicas inerentes à propaganda de guerra, tendo os jornais e revistas transmitido aos seus leitores as perspectivas do confronto militar favoráveis à causa dos Aliados. A Ilustração Portuguesa (1914-1918), com um público mais elitista do que os jornais populares também participou no processo. Nesta comunicação analisaremos as diferentes formas da propaganda de guerra na referida revista, incluindo o período anterior à entrada oficial de Portugal na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Katharina Schembs (Humbolt University), Visual propaganda in Fascist Italy between the Italo-Abyssinian War and World War II
Like with the introduction of a corporatist economic model, Fascist Italy from 1922 onwards pioneered in organizing the stately propaganda. New ministries were created, like the Ministero della Cultura Popolare, in order to coordinate and censor all cultural production. To serve the regime’s propagandistic ends different artistic groupings using a wide array genres and partly innovative of media obtained massive financial fundings. The mobilizing of modernistic aesthetics, like futurism, for propagandistic aims was specific to Fascist Italy and stood in stark contrast to the cultural policies of other regimes like Nazi-Germnany where modern art was condemned altogether.
The Fascists considered art and propaganda a potent instrument in establishing the new corporate economic order and guaranteeing the consensus of the population. Two occasions, on which the visual propaganda was conceded an even more eminent role in justifying the military engagement and mobilizing people for their cause were the Italo-Abyssinian war (1935/36) and World War II (1939-1945).
While analysing the visual propaganda, the following set of questions will be addressed:
- How were visual means utilized to foster a new national identity? As differentiating oneself from others has proven to be a powerful instrument of self-assertion, I will look into racist resentments created in and disseminated by propagandistic media. While the late colonial Italo-Abyssinian war constituted the first occasion on which a massive propagandistic campaign was launched against the Ethiopian population and blacks in general, the thrust somewhat differed in World War II. Whereas the Fascist ideology had not comprised Antisemitism in the beginning, with the increasing rapprochement to Nazi-Germany in the late 1930s, antisemitic motifs were taken up into the visual propaganda in World War II.
- What gender roles were created in the visual propaganda? Although the foundation of the female wing of the Fascist party new realms of engagement had appeared for women which had some emancipating effects, the Fascists otherwise adhered to rather traditional gender roles. The largely reactionary role model was somewhat diluted, though, on the occasion of war where women were explicitly addressed as having to contribute to military effort on the home front.
- How was the role model of the worker as the exemplary citizen, so central to coroporatism, tranformed during times of war? While there had already been efforts to nationalize the economy before the Italo-Abyssinian war, after the sanctions imposed by the League of Nations, appeals for productivity in order to finally reach complete autarky increased in the propaganda. Furthermore the propagandistic category of work became more and more militarized e.g. by fusing the figure of the worker with the figure of the soldier into the cittadino-soldato (citizen-soldier). Whoever was not fighting on the front was at least to contribute to the war effort by his or her work on the home front.
As far as the methodology is concerned, I start from a constructivist understanding of visual sources and do not consider them as merely passive reflections or illustrations of historic events. For analysing them I suggest an interdisciplinary model, informed by the art-historical iconographic-iconologic methodology and visual culture studies (e.g. Mitchell 1986, Paul 2006). By focusing on graphics, I plead for the rehabilitation of a subgenre usually neglected in the recent methodological discussion on visual sources in history in comparison to new media, like fotographic and film material.

Kenneth J. Orosz (Buffalo State College), Missionary Martyrdom as Propaganda: the case of German missionaries in Cameroon during the Great War
For the German missionary societies operating in Cameroon decades of work came to an ignominious end with the allied invasion of the territory at the onset of World War I.  Schools and mission stations were closed and their German personnel rounded up for deportation and internment in Britain as enemy aliens. Upon arrival in Europe the former missionaries began lodging a series of increasingly vocal complaints about mistreatment suffered at the hands of allied forces during their initial detention and subsequent voyage to Britain.  These claims of abuse, which ranged from insulting taunts and poor living conditions to physical assault and theft of personal property, soon took on a lurid tone since many of the alleged perpetrators were Africans while the victims were white men and women of god who had devoted their lives to spreading good deeds in Africa.  Although British and German officials used these stories for good effect as part of their respective wartime propaganda campaigns, curiously they faded from the public eye during the inter-war period and thus represent a hitherto overlooked facet of the Great War in Africa.

Luís Filipe Madeira (Universidade da Beira Interior), Propaganda de guerra: Salazar, Caetano e o impossível equilíbrio das finanças públicas
A ocultação dos impactos negativos da guerra colonial na governação financeira da metrópole e do ultramar terá constituído, porventura, um dos maiores desafios que se colocou à máquina de propaganda do regime durante toda a vigência do Estado Novo. Tendo optado por manipular a verdade contabilística com vista a criar uma opinião pública apologética dos governantes e legitimadora das suas práticas, o regime colonial foi, nesta matéria, particularmente bem sucedido. Com efeito, no imaginário colectivo dos portugueses e no do resto do mundo ainda hoje se encontram firmemente ancorados factos de opinião, tais como a invulgar competência de Salazar enquanto financeiro e gestor das finanças públicas, que, tendo sido integralmente construídos pela propaganda salazarista, são aceites como realidades históricas concretas por parte dos estudiosos e de outros amantes das temáticas relacionadas com o Império colonial português.
Assim, uma das manifestações mais expressivas do êxito da máquina de propaganda do Estado Novo consistiu na construção da convicção, ainda hoje geral e incontestada, de que todas as contas públicas do regime colonial, na metrópole e em cada uma das colónias, apesar da eclosão da guerra no ultramar e de outras perturbações à ordem pública colonial, teriam sido sempre encerradas em equilíbrio. A produção constante de execuções orçamentais equilibradas, uma alegada demonstração contabilística da irrelevância da guerra do ultramar no que concerne à administração financeira do Estado e, portanto, à continuidade do regime colonial é uma peça de propaganda do Estado Novo cuja eficácia e impacto perduram até à actualidade. Neste contexto, a presente proposta de comunicação propõe-se demonstrar que o alegado equilíbrio permanente das contas públicas, designadamente o relativo aos anos 1960-1974, deve ser concebido como um instrumento de propaganda de guerra do regime colonial e que os documentos financeiros oficiais, que têm servido de fonte exclusiva a todos os trabalhos até hoje consagrados ao estudo das finanças públicas coloniais portuguesas, não passam de utensílios de manipulação da opinião pública que não reflectem a real relação entre o volume de receita e de despesa pública que tornou possível o governo e administração portuguesa em Angola, em Moçambique ou na Guiné.
A demonstração de que as contas oficiais das colónias portuguesas são inadequadas ao estudo da infra-estrutura financeira e, consequentemente, das políticas públicas coloniais exige uma inventariação dos fluxos financeiros que nunca foram tomados em consideração aquando do estudo das finanças e das políticas públicas executadas em cada uma das colónias e a consequente correcção das respectivas contas do exercício oficiais. Na realidade, todas as fontes de financiamento de despesas públicas realizadas no ultramar devem ser consideradas aquando de uma análise séria dos recursos financeiros públicos envolvidos na administração dos territórios submetidos à colonização portuguesa.
No que concerne as colónias de Angola e de Moçambique, por exemplo, relativamente aos anos 60 e 70, os acontecimentos que mais contribuíram para a existência de receitas e de despesas públicas significativas não registada nas suas respectivas contas do exercício foram o colapso do sistema de pagamentos interterritoriais e a eclosão das guerras de libertação nacional. Assim, a dimensão propagandística das contas do exercício oficiais das colónias portuguesas resulta da omissão de registo de fluxos financeiros indispensáveis ao governo e à administração pública colonial bem como do silêncio generalizado, imposto então pelo aparelho repressivo do Estado Novo, quanto à existência desses fluxos e à necessidade de os tomar em consideração no quadro de qualquer estudo consagrado às finanças públicas coloniais portuguesas.
A correcção das contas do exercício das colónias que foram palco da guerra colonial em função do conjunto de fluxos financeiros que, embora a elas diga respeito, não se encontra registado nos seus documentos financeiros revela uma realidade radicalmente distinta da que foi construída pela contabilidade oficial e pela máquina de propaganda do regime. Com efeito, durante o período analisado, em todos os anos fiscais, em todas colónias, registaram-se sempre importantes excedentes de despesa pública sobre as receitas próprias. Durante a guerra colonial e mesmo antes da eclosão do conflito armado, o famoso equilíbrio permanente e universal das contas públicas que foi instaurado por Salazar, na realidade, não passa de uma ardilosa manobra de propaganda política.

Lukasz Kamienski (Jagiellonian University), The Gulf War: the postmodern propaganda and the scenic image of war “that did not take place”
The paper explores the coverage of the Gulf War (1990-91) and the “postmodern war propaganda” used by the US military to shape the public image of the conflict.
Shocked by the false picture of the war Jean Baudrillard wrote his famous book The Gulf War Did Not Take Place (1991) in which he claims that the whole social perception of the operation “Desert Storm” was manipulated by the media acting not only under the political and military pressure but also embodying a certain socio-cultural mentality of the late 20th century. For what we knew about the war was not its true face, but a great simulacra – the false picture created to comfort the viewers (clean, safe and antiseptic coverage with virtually no images of death, suffering and destruction) and favour the political and military leaders.
One of the main reasons for applying what I call the “postmodern war propaganda” was the lesson of Vietnam, the war which in the popular myth was lost by the overwhelmingly critical press. President George H.W. Bush promised that the campaign against Iraq would not be another Vietnam and this aim was achieved not only through new high-tech conventional weapons but also through censorship. The very essence of the war propaganda in the Gulf is well captured in the Stacy Title’s movie The Last Supper (1995) where one of the characters, a student, asks a ex-US Marine: “Was that a war? I thought it was a Republican Party commercial.”
I use Jean Baudrillard’s concept of obscenity/scenity which well captures the extremely scenic nature of the Gulf War coverage (censored, indirect, unreal). Both the military and the media did their best to embowel the war from obscenity (meaning verity, transparency, naturalism). Based on the memoirs of war correspondents and journalists (John Fialka and his Hotel Warriors in particular) I discuss some of the methods the military used to censor war and thus to make it more scenic.
Paradoxically, although the Gulf War was the first conflict with around the clock television broadcasts it also was the most censored war in military history. The images of brilliant new weapons dominated the coverage. Only 3% of the CNN and Sky News reports covered fatal casualties and only 1% of graphic imaginary showed death and damages. The concept of the CNN effect, which developed after the “Desert Storm”, captures the impact of media on public opinion, political decisions and the conduct of military operations. As Baudrillard famously commented, “First safe sex, now sage war”. The war was programmed to be without casualties.
With the “Desert Storm” media-military relations became more embedded but also more ambiguous. The Gulf War propaganda may be a good reference point for analyzing also the new phenomenon of military social media, i.e. of soldier-journalists, who post combat footage on the Internet. Unfiltered images and blog posts revealing the real, usually brutal (i.e. obscene), face of war, influence the public and tend to bypass the outcomes of the official war propaganda. Today, the post-Gulf War CNN effect increasingly has to compete with the post 9/11 YouTube effect.

Márcio Barbosa (CEIS20 –UC), O contra-spinolismo de Amílcar Cabral e do PAIGC: a Arma da Propaganda
Perante a crescente dificuldade das forças armadas portuguesas, praticamente remetidas a uma acção defensiva, começa a pairar o espectro da derrota. Em 1968, numa derradeira tentativa de evitar o colapso, Salazar convida António de Spínola para o cargo de governador-geral e comandante-chefe das forças armadas na Guiné.
O depois apelidado general do monóculo operaria uma profunda alteração no conflito, num momento igualmente difícil para a guerrilha guineense. Facto que, naturalmente, muito contribuiu para o impacto inicial da acção política de Spínola.
Empunhando desde o início os estandartes da «pluricontinentalidade», «plurirracialidade», «pluriculturalidade», «africanização» e «autodeterminação», sintetizados na fórmula «unidade na diversidade» propalada oficialmente, Spínola empreendeu uma política absolutamente dinâmica, baseada na teoria segundo a qual «à revolução social subversiva temos de opor, inteligentemente, uma revolução social progressiva, ou, por outros termos, uma contra-revolução anti-reaccionária».
Visava a conquista pacífica das populações guineenses e a conquista da opinião pública internacional, numa altura em que Portugal era duramente criticado e se encontrava em acelerado processo de isolamento político, nomeadamente na ONU.
A resposta do PAIGC foi, naturalmente, no mesmo sentido. No plano externo, os sucessos de Cabral haviam começado logo em 1960, com as denúncias públicas do «colonialismo português», com larga projecção internacional. A 14 de Dezembro de 1960, na sua XV Sessão, a Assembleia-geral da ONU adoptou a Resolução 1514 por larga maioria. O PAIGC via assim confirmada internacionalmente a sua luta.
O trabalho político-diplomático do PAIGC dirigiu-se, até 1969, sobretudo no sentido de conquistar o máximo apoio possível da República da Guiné, do Senegal e da Organização de Unidade Africana (OUA), e de afirmar o partido.
Uma das estratégias diplomáticas que A. Cabral habilmente vai utilizar é a proposta de visitas guiadas pelo PAIGC aos territórios sob seu comando a delegações estrangeiras. À imagem do que procurava fazer Spínola.
Mandatada pelo Comité de Libertação da OUA, uma delegação de peritos militares da República da Guiné, da Mauritânia e do Senegal visitou algumas regiões controladas pelo PAIGC, em Agosto e Setembro de 1969. Graças a este tipo de iniciativas, o prestígio de Amílcar e do partido reforçavam-se consideravelmente.
Em resposta à propagandeada política de Spínola «Por uma Guiné Melhor», qualificada por Cabral de «demagógica» e de «reformas de última hora do governo português», diz que «nas condições actuais da luta, apesar dos altos custos das deslocações e estada nos países ocidentais, nós estamos determinados a consentir os sacrifícios necessários para desenvolver essas actividades, pois, na fase actual da luta, a intensificação da acção armada deve marchar em paralelo com uma intensa acção política no plano internacional».
Em resposta ao incremento da “publicidade” spinolista e com apreciável ironia, o PAIGC utiliza a seu favor, inclusive, frases emblemáticas do colonialismo português, como a que se segue: «Filhos da Guiné e Cabo Verde, vocês são um só debaixo da bandeira portuguesa»!
Para combater a intensa actividade sócio-cultural do governador da “província”, Amílcar Cabral empenhou-se verdadeiramente naquilo que designou por «Resistência Cultural», cujo objectivo principal era, necessariamente, a liquidação da cultura colonial, desmistificando a «missão civilizadora», considerando incapaz o «povo mais atrasado da Europa».
A contrapropaganda do PAIGC era levada a cabo, com sucesso, por meios e processos idênticos aos utilizados pelas forças portuguesas.
O primeiro objectivo consistiria em desconstruir as mensagens «ilusórias» portuguesas e controlar a população sob seu domínio, através de «avisos à população», e atrair a população controlada pelas “forças da ordem”, essencialmente concentrada nos meios urbanos ou de maior densidade populacional, dirigindo-se aos “trabalhadores”, com palavras de ordem como «a hora é de unidade e acção» ou «INDEPENDÊNCIA TOTAL E IMEDIATA» e exibindo imagens de desertores das forças armadas portuguesas, acompanhadas de palavras extremamente desencorajadoras.
O segundo objectivo, mais difícil, mas não menos importante, visava a população “branca”, tanto a residente nas colónias como a metropolitana.
Amílcar Cabral morreria em Janeiro de 1973, mas ficaria, como disse Gérard Chaliand, como aquele que «teve a ideia, no momento em que se tinha chegado ao impasse militar, de ultrapassar o impasse utilizando uma estratégia indirecta: a diplomacia, com o golpe dos três observadores das Nações Unidas. Isso foi muito forte. Afinal de contas, foi o primeiro que inventou a coisa.»

Márcio Bergo (CEPHiMEx), O papel da propaganda na guerra

Margarida Rendeiro (Universidade Lusíada e CEPESE), “Britain is not out of date”: Actividades de propaganda cultural inglesa em Portugal entre 1939-1945

Maria Àngels Carles-Pomar (Autonomous University of Barcelona and IHC-FCSH-UNL), The cruel campaign of pro-German press against Romanone’s Government in 1916-1917
Spain had known the propaganda’s power at the end of nineteen century when the American journalist, and owner of a Press Trust, William Randolph Hearst, through media manipulation, broke the Spanish-American war, to achieve benefits for his commercial and political interests. His newspapers would be the first to break the war news against Spain. In 1914, when war broke in Europe in 1914, Spain remained outside. Officially, Spain was neutral during I World War, but in a practice the things run on different way. The Spanish society was fractured between Anglophiles and Germanophiles, or in another words, the supporters of the war participation and the neutral. Even the Royal family was divided, the Queen Victoria Eugenia de Battenberg, Queen’s Victoria granddaughter, was in favour of the Allies, meanwhile the Queen Mother Maria Cristina de Habsburgo, Kaiser’s niece, was remained in favour of the Central Empires. The fracture, not only within the Royal family but also of Spanish Society, was increasing during the first two years of conflict. When European war was broke, the Spanish Prime Minister was the Galician politician, from Conservative Party, Eduardo Dato. He was able to maintain the Spanish neutrality by applying of what technically it was a cover dictatorship; not calling the Parliament and governing by decree. Dato’s Government failed at the end of 1915 and the King Alfonso XIII appointed Romanones as a new Prime Minister on December 9.
During Romanones’s Government, the spectre of the war intervention was hanging over the Spanish population. It was the time than Spain was closer to entering in European War. The international politics was decisive for his Government, the continuous attacks of German submarines to the Spanish merchant vessels, which caused great economic loosers and prevented adequate supplies for the population, will also have very soon its repercussions in the internal politics. Because of the war, the changes in the economy were so fast and furious than it was impossible to take them. The economic changes, and lack of staples, were the cause of the deep crisis. Spain was still without the vision of a possible solution, but his public opinion was divided in two sides, for or against the war. Supporters and opponents of the intervention were initiating his particular war in the press. The price of the paper was increasing; its high cost had made impossible the maintenance of certain publications. This it was the opportunity of Germany than begun to buy as much periodicals as he could to take under his control maintaining public opinion favourable to their cause. From the monarchic ABC, through the carlist El Correo Español, the catholic El Debate, but even of the anarchist CNT Solidaridad Obrera, or the republican left-wing Nueva España, among others, received large sums of money from Germans, and they were held by Germanophiles or they were directly owned by Germans. At the end of the war the Germans and Austrians controlled more than 500 periodical titles in Spain. Not so with the press than support the Allies’s cause. “The Good Press” under Germany control, launched a campaign of harassment and vilification against Romanones. The press had already started their offensive in September 1916 and was “amplified” it in Decembre while the Germans increased the surveillance and spying. Romanones was the target of Teutonic fury, accused of smuggling day after another, speculation and incompatibility of office with private business. The apocalyptic visions of some newspapers inside the German orbit were devastating.
The United States broke diplomatic relations with Germany, and Romanones, if public opinion had not been so divided, would have done the same. Some articles in the military’s newspaper La Correspondencia Militar highlighted the refusal of the military to fight on the same side that had humbled Spain in 1898. Romanones was alone, with the entry of the United States in the war, Spain was no longer necessary, and for the Allies it was better to continued to be neutral. The Government was in a precarious position and Romanones finally resigned on 19 April 1917. Two days after, the Madrid’s newspaper La Acción, published a cartoon, which showed Romanones pierced by a sword, which could read the “press” in the hand wielding and “neutral” on the blade. This put an end to the cruel campaign of pro-German press with the aim of overthrowing Romanones.

Maria da Encarnação Henriques (Instituto da Educação – Universidade de Lisboa), Juntas e desenvolvimento. A Educação como resistência à Guerra e à propaganda no século XX
Da manutenção da paz perpétua, de racionalidade Kantiana, ao atual “smartpower”, defendido pela administração americana, passando pelo princípio da subsidiariedade na União Europeia, impõe-se à governação dos povos, enquanto administração ou governo do Estado, uma diversificação de formas e representações, contextualizadas em estudos temporal e espacialmente  complexos. A questão estratégica da evolução dos gastos públicos, em setores específicos como a Educação e a Saúde, em detrimento dos gastos com a Defesa, tendem a ser valorizados como uma tendência evolutiva nos indicadores do desenvolvimento humano[12].
No contexto educacional, as contingências não permitem que a análise da acção pública se inscreva apenas na observação das leis e estruturas sociais e económicas, dado que a análise das transformações se estrutura na longa duração, na cultura e nas mentalidades. Observando-se os esforços da instrução pela “…sensibilidade e responsabilização da sociedade, (…) e, (…) pelo envolvimento das forças vivas locais. A governamentação do processo deu origem a uma pesada malha de órgãos, hierárquica e administrativamente integrados – desde o interior das paróquias, envolvendo Municípios, Governos Civis, Juntas Distritais, Inspecção, Governo Central. A visão das questões instrucionais (…) reforçou a organicidade e originou uma solução aberta à mediação externa, cuja regulamentação foi simultaneamente factor de ordem e de evolução…”[13].
Este estudo visa determinar o nível de intervenção, nos domínios da partilha de competências de comissões ou Juntas. No século XVIII, os registos arquivísticos da Junta dos Três Estados (1755), cujo expediente foi extinto por alvará, em 1813, revelam-nos bens, forma de arrecadação, cobrança e confisco. Os negócios diversos do Algarve (reino), cujas alfândegas de Portimão Lagos e Faro, ricas em pescaria, ficaram registados nos ofícios do governador e capitão do Algarve[14]. A secção cronológica, correspondente ao período das lutas liberais, em que o exército de D. Pedro IV esteve sitiado no Porto pelo exército de D. Miguel, tendo então sido estabelecida uma junta governativa, Junta Provisória do Porto (1828-1833), dão conta do regime de insurreição favorável à autonomia regional. As informações das Juntas Provisionais de Governo (1808)[15] e as conferências da Junta de Revisão das Leis (1823-1824), do primeiro liberalismo nacional, foram recentemente inventariadas[16].
As atas da Junta Escolar de Olhão, já analisadas, assim como dos municípios de Tavira e Faro, evidenciam estruturas formais, no contexto do provimento da política educacional pública. Citando o relatório do inspector do distrito de Faro, Francisco Augusto de Quintanilha e Mendonça, datado de 1 de Dezembro de 1890 “…as atenções dos nossos estadistas (…) descuraram, (…) a importantíssima realização do desiderattum daqueles que acreditam na semente que a instrução e educação popular podem dar à pátria, servidores dedicados, à liberdade, sectários conscientes e não desvairados, à religião proselytos de crenças vivas sem fanatismo: porque não pode existir religião verdadeira que encare a ignorância como meio indispensável à salvação das alma (..). Finalmente oferece-me dizer a V. Exª, que os mais notáveis abusos cometidos pelas Corporações administrativas desta circunscripção procedem da quasi total indeferença por tudo o que diz respeito a estes assuntos da instrução…[17] .
As Juntas Escolares, obedecem a três períodos distintos, o primeiro situando-se nos finais do século XIX (1881-1892), os seguintes na primeira metade do século XX (Decretos nº5787 e 16024, de 10 de Maio de 1919,[18] e de 13 de Outubro de 1928).
Nos anos 30, o relatório do Governador Civil de Faro observa a problemática do Trabalho, antes da situação política e da Propaganda doutrinária. O poder centralizado, difuso pela inauguração de Casas do Povo e organização de sindicatos em actividades nacionalistas, faz emergir da aspiração local o melhoramento das suas escolas.

Maria João Castro (Instituto de História de Arte, FCSH-UNL), A criação do Verde Gaio; uma Arte de Propaganda durante a II Guerra

Maria Kyriakidou (American College of Thessaloniki), The British propaganda during the Great War: the Salonika front
A great number of Entente soldiers arrived in the Northern Greek city of Thessaloniki during World War I to serve the interest of the alliance in the circumstances of the war. The paper focuses in particular on the stance of the British who arrived in the city and observed the city, its environs and its inhabitants with adequate curiosity. The military officials who were stationed in the city constituted an extraordinary polyglot army that included, at various times, contingents from seven countries – from the first landing at Salonika (Thessaloniki) in 1915 to the conclusion of peace in 1918. Amongst the military personnel was Harry Collinson Owen who was a British journalist and the editor of the British army newspaper Balkan News, for the Balkan front. He was the only member of the British press who has devoted his whole time to the Macedonian Front and the British Salonika Army and he was also the official correspondent in the Near East. He published a book titled Salonika And After: The Sideshow That Ended The War (London, August 1919) containing primary source material while the foreword and some of the illustrations are the work of the General Sir George Milne, Commander-in-Chief of the British Salonika Force.
The present paper explores the ways in which the British propaganda worked in this major Aegean seaport in a twofold way: First, Owen in his book makes clear that the military prowess and readiness of the allied forces were often exaggerated to intimidate the enemy (mostly Bulgarians and Germans). This was deemed a necessary propaganda method in the wild conditions of the Great War. Next, in his attempt to praise the numerous soldiers that were stationed in the area and were part of what Clemenceau contemptuously called ‘The Gardeners of Salonika’, because they did not fight as many battles as the men in the Western Front in France and Belgium, he stresses the difficulties and troubles that these soldiers (‘the forgotten army of the First World War’) faced in the Salonika front. To serve this purpose, he adopts an orientalist gaze over the city and its surroundings and his report dithers between actuality and exoticism. Orientalistic discourses are never monolithic and consistent. The Westerners who resided just outside the city viewed the urban setting and mostly the surrounding lands as a step into the past, the obscure backwater of the western world. One should not search in this account for a ‘real Orient’ as such an Orient does not exist. The representations at hand referred to a current reality that for the spectators displayed a lot of similarity to the past. The report under study which ostensibly captured the Orient and its people was written as documentary evidence but in reality it objectified the local landscapes and inhabitants for the western population at home through the viewpoint and the figurative devices employed within the historical and political circumstances of the observation.
Orientalism creates hierarchical orders of the cultures it distinguishes and the occidental observer is set higher than the oriental observed. The cultural and historical illustrations of the orient present in the memoirs of a British subject in the Thessaloniki area are based on discourses of development and underdevelopment and vindicate the honor of a great number of soldiers, officers and volunteer nurses who defended the interests of their colonial homeland in many cases with their own lives. This immediate post-war book carries double propaganda significance: on the one hand, it publicizes the memoirs of the editor of the main British wartime propaganda tool, the Balkan army newspaper, reporting on propaganda methods and, on the other, it pays tribute to the soldiers who eagerly served the colonial interests through an exalted post-war reasoning. The readers in the United Kingdom could eventually rationalize all the war efforts and hardships via this justification of the British imperial spirit.

Marina Galvanese (CES e FL-UC), O emigrante como a propaganda viva de Portugal: a publicação “Nós, os emigrantes” (1954) e os desafios do Estado Novo no pós-Guerra
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Governo de Salazar via-se ameaçado pela vitória da democracia sobre os totalitarismos nazi-fascistas dos anos 1930, o que fazia de Portugal um país anacrónico a lutar contra os novos tempos. Nos anos cinquenta, face ao avanço da defesa do princípio de autodeterminação dos povos, o Estado-Novo reformou discursos e nomenclaturas visando justificar, face às pressões ocidentais, tanto a persistência do autoritarismo, quanto a manutenção dos domínios coloniais. Se as “províncias ultramarinas” estavam no centro das atenções do governo, havia ainda outros fenómenos que preocupavam a elite política salazarista. No pós-Guerra, a emigração, estagnada desde os anos 1930, voltou a crescer. Em 1947, foi criada a Junta Nacional de Emigração, com o objetivo de estudar e regular a emigração, assegurando os interesses nacionais – que passavam tanto pela manutenção dos baixos-salários nos campos, quanto pelo povoamento branco do Ultramar e pela manutenção de boas relações com a colónia portuguesa instalada no Brasil, país para o qual se voltava a política externa portuguesa, que objetivava criar uma Comunidade Luso-Brasileira. Em 1948, o Artigo 13º da Declaração Universal dos Direitos Humanos consagrou a emigração como um direito humano fundamental, de modo que os variados discursos sobre o tema em Portugal dialogavam tanto com os defensores deste direito individual, quanto com aqueles que pregavam o controle das saídas em nome dos já referidos superiores interesses nacionais.
Em meio à polifonia dos discursos sobre a emigração, na nossa investigação de Mestrado, encontrámos uma voz que tem sido negligenciada pelos estudos sobre o tema: a voz que defende a valorização do emigrante, bem como a sua melhor seleção e o seu melhor preparo, uma vez que este “constitui para o seu país, a melhor das propagandas, gratuita, viva e permanente”[19]. Esta propaganda poderia tanto ser positiva, quanto negativa, dando, no segundo caso, a imagem de um país miserável de onde se foge. No já citado contexto do pós-guerra, era fundamental assegurar uma boa imagem do regime. Uma vez que a manutenção de certos fluxos emigratórios (como aqueles que se dirigiam para o Brasil) eram favoráveis aos interesses do Estado-Novo, era preciso garantir que uma boa imagem do país fosse transmitida pelos emigrantes. É com esta preocupação que, em 1954, ano do centenário do Ministério do Interior, é lançada a publicação “Nós, os Emigrantes…”, a ser distribuída gratuitamente para os emigrantes portugueses espalhados pelo mundo.
Esta comunicação acerca dos discursos que viam no emigrante português uma propaganda do país e do regime no desfavorável contexto do pós-guerra à estabilidade do Estado Novo irá focar-se sobretudo na publicação de 1954. Analisaremos os diversos textos que compõem as suas 54 páginas, buscando apreender a imagem que o regime esperava transmitir do país por meio daqueles que partiam à procura de melhores condições de vida; bem como as estratégias discursivas utilizadas na publicação para aproximar o regime dos emigrantes, valorizando aqueles que teriam como missão defender o país daqueles que o criticavam e ameaçava.

Mário Ivani (IHC-FCSH-UNL), Propaganda e diplomacia cultural fascista em Portugal durante a segunda Guerra Mundial

Marisa Fernandes (ISCSP-UTL), A cartografia como arma de propaganda e a instrumentalização da Escola de Geopolítica Alemã (1933-1945)
Apesar de ter sido uma arma de propaganda ao serviço do III Reich, a cartografia é um dos seus meios menos conhecidos. Talvez porque nunca houve a preocupação de criar uma instituição central de propaganda cartográfica. Tal não impediu, contudo, a utilização de mapas recorrendo à Zeitschrift für Geopolitik da Escola de Geopolítica Alemã e aos grupos Völkisch, sem qualquer atenção ou rigor na utilização das teorias ou da terminologia.
No caso da Escola Alemã, e desde 1933, que a Geopolítica deixou de pertencer ao campo da Ciência para se tornar num instrumento do Estado. Até 1936, numa primeira fase começada em 1933, a propagandística, a Escola Alemã ficou sujeita à pressão do Partido Nacional-Socialista, sendo que a partir daí e até 1945, segunda fase, foi levada a contribuir para a promoção do esforço bélico e fundamentação territorial e racial.
A criação do mapa psicológico ou sugestivo despertou o interesse dos alemães sobretudo após as imposições de Versailles (1919), em particular as que se relacionavam directamente com as questões territoriais. Acreditava-se que para que a Alemanha conseguisse recuperar o seu estatuto perdido e voltasse a ser um poder mundial, deveria começar por tornar a sua propaganda mais efectiva. Neste sentido, a Escola de Geopolítica Alemã, criada em 1924, defendia a necessidade de adopção dos mapas enquanto meios para a nova educação política, ao ilustrar a relação entre os factores geográficos e políticos, destinada a preparar a Alemanha para um futuro melhor que evitasse cometer os mesmos erros do passado (os erros que haviam conduzido a Versailles).
Em 1922, Karl Haushofer, o expoente máximo da Geopolítica Alemã, encorajou o uso destes mapas – concentrados nos problemas essenciais alemães, isto é, nas reivindicações territoriais – na Zeitschrift für Geopolitik, o que justifica o facto dos mapas sugestivos passaram a ser mapas geopolíticos, ao mesmo tempo que lhes concedia respeitabilidade (na medida em que estavam associados à ciência Geopolítica). No entanto, o fundador da cartografia sugestiva não foi Haushofer, mas sim Arnold Ziegfeld que, através de Kurt Vowinckel (Nacional-Socialista, e o único que tal como Haushofer sempre constou da publicação até 1944, ano da sua extinção) viria a integrar a publicação Volk und Reich, onde numa combinação entre a ciência e a prática (elogio feito por Haushofer) publicava estes mapas, com frequência mapas a preto e branco, envolvendo destaques a vermelho, a omissão de detalhes e a escolha de símbolos dinâmicos.
Ziegfeld propôs também a criação de um centro para a cartografia política pelo Ministério da Propaganda em 1933, embora sem sucesso, tendo mesmo sido ultrapassado por Friedrich Heiss, director do Volk und Reich, que ofereceu a publicação como um meio de propaganda alemã estrangeira mediante o estabelecimento de relações com o Ministério dos Negócios Estrangeiros Alemão (mas também com os grupos Völkisch, instituições do Partido Nacional-Socialista, Publikationstelieberlin Puste – e o Institut für Allgemeine Wehrlehre na Universidade de Berlim), e que acabou por conseguir estabelecer um escritório de cartografia sugestiva associado à Volk und Reich.
Na prática, não havia uma abordagem unificada nem cooperativa no que à cartografia dizia respeito, sendo que só em 1941 é que se determinou que a partir de então todos os mapas teriam de ser previamente submetidos ao Ministério da Propaganda. Situação que em 1943 se alterou, na medida em que para além deste Ministério, os mapas teriam de passar também pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ou até pelo Ministério do Leste, o que acabaria por levar à não utilização de mapas.
Os mapas que inicialmente se centravam nas revindicações territoriais, nas versões seguintes passaram a centrar-se nas ameaças militares existentes contra o espaço alemão e na obtenção de apoio público para a Guerra, tendo-se acentuado com a perda de Estalinegrado, e com a necessidade da propaganda ter de ser cada vez mais mítica e cheia de elementos da doutrina Nacional-Socialista, o que era praticamente impossível de representar cartograficamente.
A cartografia, essencial e indispensável ao estudo da Geopolítica, viu-se assim subjugada e subvertida aos desígnios da Política Nacional-Socialista, à semelhança do que sucedeu com a Escola de Geopolítica Alemã e com os próprios trabalhos de Haushofer. Quer a Escola Alemã, quer a cartografia acabaram por se tornar instrumentos de propaganda do III Reich, justificativos para os alemães da II Guerra Mundial.

Miguel Alonso Ibarra (Autonomous University of Barcelona), Identity and fascist discourse in the rebel propaganda during the Spanish Civil War
The Spanish Civil War was a total war, framed in the context of development of a new type of conflict were the boundaries between civilians and military became totally blurred. A war in which soldiers needed the essential contribution of propaganda in order to reinforce their moral and willingness to fight. Something that was especially important regarding the sphere of violence in the rearguard that was implemented by the combatants over the civil population. In this sense, as historians like Omer Bartov have highlighted, propaganda played the crucial role of creating mental frameworks and survival strategies for these soldiers, so they were able to implement the eliminationist tasks the were ordered to, as it happened both in the Spanish Civil War and in the Second World War. Connected to this, fascism provide this sort of psychic tools through the permeation of the frontline propaganda, making the front and the war experience as ideal socializers of this ideology.
On this basis, the aim of our paper is to analyze fascist discourse codified in frontline propaganda during the Spanish World War, focusing, as it cannot be in other way, in the rebel side. Thus, we have to start from the consideration of the low specific military frontline propaganda in the rebel side, as we can only identify few newspapers and newsletters that were focused on the combatants. Because of that, in our study we will work with rear press, mainly due to it was taken to the frontline and distributed among soldiers. Therefore, we are going to analyze the specific front press, like La Ametralladora or Boletín de Campaña de los Requetés, but also the rear press like ABC Sevilla, El Noticiero or Unidad. Diario de combate nacionalsindicalista, trying to explore the different points of view of falangists, carlists, and right wing catholics, considering all of them parts of the same project, the fascist one.
In conclusion, we will tackle the issue of propaganda during the Spanish Civil War trying to determine if it worked as a socializer of the fascist discourse –of fascism itself-, analyzing how this propaganda was made and what were the main ideas in which it was based. Then, we will compare it with the main characteristics of Spanish fascism –mainly the same as Italian or German, but adapted to the Spanish context-, that it to say, Catholicism, myth of national palingenesis –for the Spanish fascism, resume and actualize the “glorious” times of the Spanish Empire- or the need of social prophylaxis to “heal” the nation, among others, taking always into account using a comparative and transnational perspective what happened in the other fascist experiences, and also what did the Spanish soldiers thought –studying memories, in this case- about the nature of their fight. Thus, we will analyze propaganda during the conflict of 1936-1939 as a mean of shedding light over the process of building of the fascist regime in Spain, in which we consider propaganda –linked with war experience itself- played an essential role.

Myles Osborne (University of Colorado), The World of Mau Mau: Propaganda and Press in Kenya, 1950-1960
The 1950s was a decade of upheaval in Africa.  But no event provoked more controversy – and indeed uproar – than the Mau Mau rebellion, which focused the eyes of the world on Kenya.  The conflict played a role in toppling governments in Britain, inspired Malcolm X in the USA, and was lauded throughout the developing world as representing the struggle for freedom of oppressed peoples everywhere.
Perhaps unsurprisingly, Mau Mau has inspired more scholarship than practically any other topic in Africa’s history.  Yet while scholars have analyzed the war from all manner of angles over the past half-century, they have failed to study one of its most crucial aspects, concerning not just Mau Mau and Kenya, but the world: a vast outpouring of propaganda, which centered Mau Mau in the wider movement of decolonization and the Cold War.  Britain, the USA, and the Soviet Union, as well as intellectuals in Kenya and the Caribbean, fought to gain control over the public image of Mau Mau, and use it to develop and support their own agendas.
For Britain, Mau Mau undermined the basis of its entire post-war colonial empire, by threatening to rubbish claims that it was improving life for Africans by providing education, development, and economic opportunities.  Officials therefore undertook a vast program of propaganda, ranging from articles in the press to hosting events in government offices abroad, to demonstrate the success of British colonial policy.  They depicted Mau Mau as a minority movement drawn from one “tribe” which had failed to cope with the onrush of modernity.   This propaganda received popular expression in novels like Robert Ruark’s Something of Value, made into a major motion picture in 1957, starring Rock Hudson and Sidney Poitier.  A second level of this effort was focused within Kenya itself: using a variety of media, officials deliberately accentuated negative ethnic stereotypes about the Kikuyu, the group most involved in Mau Mau, to try to prevent any potential alliance with other groups.
Yet despite British efforts, Mau Mau and other African politicians ably contested this agenda.  The Kenya African Union had begun this fight in the 1940s, creating newspapers to popularize its own views about improving African rights, and getting back land “stolen” by Europeans.  Once the organization was proscribed, Mau Mau produced a vast flow of propaganda that British officials were unable to stem.  On one level, this included physical letters, which poured forth from the forests to sympathetic Members of Parliament in Britain, forcing several formal parliamentary enquiries.   Other letters arrived with great frequency on the desks of colonial officials in London.  In central Kenya, Mau Mau leaders wrote “hymns” – sung to tunes like “God Save the Queen” or “Onward Christian Soldiers” – to popularize the Mau Mau agenda, gain new recruits, and maintain group solidarity (essential among non-literate sections of the population).  This tactic also enabled Mau Mau leaders to avoid prosecution in court: proving the authorship of songs – and creating hard evidence of their production – was practically impossible, especially because few Europeans spoke African languages fluently.
Mau Mau leaders were also quick to realize the influence that the Soviet Union – and other countries not aligned with the USA and Britain – could bring to bear.  Its leaders maintained contact with prominent world leaders ranging from Marshal Tito in Yugoslavia, to Kwame Nkrumah in Ghana, to W.E.B. Dubois in the USA, to help create and maintain international pressure on Britain.  And for the Soviet Union, Mau Mau presented an opportunity: it expressed its disappointment in the colonial system, and drew attention to the outrages it argued were being committed on Mau Mau, in a series of English-language newspapers published in the USA and Britain.  Soviet eyes were firmly focused on the future of African colonies with decolonization imminent.
Mau Mau was one of the central events in the decolonization of Africa; yet its reach and impact extended far beyond the shores of the continent.  This project connects Mau Mau to the wider process of decolonization, ranging from African and Caribbean liberation struggles to the Cold War.  This contest over the image of Mau Mau continues to the present day, and many communities in Kenya still struggle with the legacy of this propaganda.

Nataniél dal Moro (Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), As propagandas decorrentes de uma guerra contínua: pontos entre migração e falta de alimentos no Brasil+
Na historiografia, há guerras que são estudadas e problematizadas com muito mais frequência do que outras, chegando até a assumirem o patamar de gloriosos acontecimentos históricos que definem o antes e o após de determinadas sociedades e culturas, direcionando e reestruturando políticas, práticas econômicas e legislações, e inegavelmente o cotidiano da maior parte da população. Isso, no entanto, não impede que possamos pensar, também, mas não somente, as guerras ainda pouco visíveis no ofício de determinados campos do saber. No mundo, e no Brasil em particular, essa realidade é muito latente quando se proferem as denominações Primeira e Segunda Guerras Mundiais, ou mais especificamente Guerra do e/ou contra o Paraguai. Num plano que privilegia, por outro turno, enfoques temáticos e abordagens ainda pouco consolidadas no estado da arte de historicizar as representações do passado em presentes específicos, pode-se conceber determinados movimentos migratórios como verdadeiras guerras em busca de realizações que são essenciais para todos os seres humanos. Qual seja: simplesmente alimentar-se, se é que assim podemos falar. Dito isso, a falta de alimento, na verdade muito mais a limitação do consumo destes em determinadas regiões do Brasil, fez com que surgissem inúmeras falas, comunicados, ações e projetos que foram proferidos por instituições públicas e privadas, autoridades e pessoas comuns. Não menos, propagandas veiculadas por instituições e sujeitos dos mais variados setores sociais também propagaram e defenderam projetos que ora se complementam e ora se afastam, e, às vezes, interelacionam-se. Tendo a existência de uma guerra contínua como ponto central, e que nem sempre é visível pelo viés bélico, a presente comunicação intenta problematizar a ideia de que este acontecimento, a guerra contínua, fez com que surgissem inúmeras e plurais propagandas, algumas delas apenas verbalizadas, sobre como podia ser alterada a vida dos brasileiros, caso estes migrassem para outras regiões do país e até terras paraguaias e bolivianas, sobretudo durante a segunda metade do século XX, em particular no sentido de superarem as dificuldades nas quais viviam há anos em suas terras natais.

Nicole Melanie-Goll (Karl-Franzens-University Graz), Heroes Wanted ! Propagandistic war efforts and their failure in Austria-Hungary during the World War I
Heroes do not come into existence of their own accord, they are “made” for a certain reason, and they are social constructions. Heroes are representative for a certain imagination of values or virtues and offer stability. It is therefore not surprising, that heroic presentations appear more frequently in extreme situations, like during WWI – when nations struggled against collapse – in order to offer strategies of surmounting situations nations are confronted with, make life bearable and at the same time animate their subjects to follow examples. In order to construct the needed “heroes”, the public opinion and also the war correspondence had to be controlled by the state, emphasizing the own successes and aiming at breaking the moral of the enemy.
The paper highlights these arguments in analyzing the war waging Austrian-Hungarian Monarchy which had to find a valve to counteract military failures and to ensure the loyalty of their multi-ethnical society. In order to give propaganda more momentum the k.u.k. Kriegspressequartier (KPQ, war press quarter) was created in 1914 as a part of the Austro- Hungarian army’s supreme command. It bundled the efforts to control the public opinion and encompassed all existing media, becoming an important player in the construction-machinery of heroes. Within the Austro-Hungarian Empire also other institutions were dedicated to the propagandistic exploitation of war. The Kriegsarchiv (War Archive) had for example its own „literary group“, who’s task it was to collect achievements of our warriors on the battle fields which are especially noteworthy, to depict them and publish them in books. The renaissance of heroism also reached the Monarchy’s literates. As journalistic amplifiers they stood in the service of the KPQ and the Kriegsarchiv: Stefan Zweig, Roda Roda, Franz Werfel or Robert Musil all participated in the propagandistic workup of the events. Several publications give proof of these activities. But the efforts of these organizations were neither coordinated nor far reaching for different reasons.
Whilst most of the states realized the importance of propaganda as a major instrument of war, and inverted respective funds into this sector, developments in the Austro-Hungarian monarchy were different. The paper will show how the propagandistic machinery worked (or did not) in the Austrian-Hungarian empire in the context of the constructions of heroes. It will do so by focusing especially on the construction and role of flying aces. Particularly aviation had witnessed tremendous developments, providing also opportunities for the propagandistic orchestration of new types of war heroes. They stood in strong contrast to the anonymous and widespread-deaths in the trenches and could easily be instrumentalized and presented in all media. Probably the best known example for that kind of development was the propagandistic picture that was drawn of Manfred von Richthofen, better known as Red Baron or diable rouge.
Austria-Hungary followed suit the German example and created its own, Austrian “Red Baron”: Godwin von Brumowski, who was the most successful fighter pilot in the empire. But due to different circumstances the Austro-Hungarian Empire faced, the construction of war heroes as well as their function and role within the warring society was different than in Germany.
By choosing a comparative approach, the paper will analyze the different mechanisms behind those propagandistic efforts and their influence on the battlefront as well as on the home front. Therefore, it is necessary to take a closer look at the protagonists that were involved.
This paper deals with the following questions: How and why was the image of war heroes constructed in the Austro-Hungarian Monarchy during WWI? What role was intended for them in wartime society (especially in the context of an all-encompassing national war hero)? Who were the key players in all propagandistic efforts? And why did the Austrian-Hungarian way fail?
The main methodological guidelines of the paper are the Social and Cultural history of War and Aerial Warfare in the context of First World War Studies, highlighting specific aspects of research on propaganda.

Noémia Malva Novais (CEIS20 – UC), As “balas de papel” ilustrado na Grande Guerra
A partir do mote «As balas de papel ilustrado na I Guerra Mundial» vou abordar, tão sucintamente como é obrigatório numa breve comunicação, algumas das principais publicações ilustradas de propaganda de guerra em língua portuguesa no período de tempo compreendido entre 1914 e 1918.
A imprensa ilustrada é um poderoso trunfo da propaganda de guerra, implementada para provocar a adesão da opinião pública à causa aliada na guerra. E Portugal, apesar de ser um país pequeno e de ter chegado à guerra apenas em 1917, tem também os seus periódicos ilustrados, entre os quais se salientam a Ilustração Portuguesa, Portugal na Guerra e O Espelho.
A Ilustração Portuguesa é um suplemento do jornal O Século, conta com as fotografias de Joshua Benoliel; Portugal na Guerra é uma revista quinzenal ilustrada, criada em 1917, e dirigida por Augusto Pina a partir de Paris; e O Espelho, embora não sendo português, é produzido em língua portuguesa, em Londres, e destinado a Portugal e ao Brasil.
Em Portugal, também havia, portanto, leitores para a imprensa ilustrada que, em tempo de guerra, se torna a mais procurada por todos. Ora, como a Ilustração Portuguesa é sobejamente conhecida, decidi estudar a revista Portugal na Guerra e o jornal O Espelho.
A revista Portugal na Guerra tem formato tablóide, é impressa em papel de jornal, simultaneamente em língua portuguesa e francesa, e é distribuída em França, em Portugal e no Brasil, com o objectivo de documentar o esforço de guerra de Portugal e manter o espírito nacional elevado. São objectivos grandiosos que não têm tempo para dar frutos, já que, depois dos primeiros sete números, a revista Portugal na Guerra é suspensa por Sidónio Pais, em Dezembro de 1917.
O Espelho, cujo número um é publicado em Setembro de 1914, em Londres, é um dos jornais ilustrados de propaganda de guerra produzidos no âmbito do War Propaganda Bureau, directamente dependente do War Office. Como outros títulos, é feito à imagem do histórico The Illustrated London News com o objectivo de promover a causa dos aliados e culpabilizar os impérios centrais – o inimigo – em Portugal e no Brasil.
Em suma, a propaganda de guerra manipula o público dos jornais e revistas, persuadindo-os e convencendo-os dos benefícios da participação dos seus países na guerra. E, como a propaganda assenta no uso da imagem, a imprensa ilustrada é um dos meios privilegiados de persuasão, pelo que os estados em confronto produzem jornais e revistas de propaganda, simulando a sua origem em determinados países. É assim dos dois lados da guerra, mas é em Inglaterra que esse expediente é mais utilizado. Aliás, é em Inglaterra que a propaganda de guerra é mais desenvolvida durante a I Guerra Mundial.
Em Portugal, apesar da imprensa não ser tão poderosa quanto a imprensa britânica, francesa, americana ou alemã, e apesar da máquina de propaganda montada por Norton de Matos não ser tão evoluída nem ter meios tão numerosos quanto a propaganda dos principais Estados beligerantes, o certo é que a imprensa, em geral, e a imprensa ilustrada, em particular, é, durante a I Guerra Mundial, uma arma poderosa, quer no combate que se trava entre intervencionistas e anti-intervencionistas quer no acto de persuadir e convencer a opinião pública portuguesa para a causa aliada nesta guerra.

Olga Duarte, Elisabete Freitas e Menezes e José Miguel Moreira Freire (Academia Militar), A imagem e a palavra para combater em França: da origem à catarse
A presente comunicação versa a temática da propaganda levada a cabo pela República Portuguesa durante os anos da Grande Guerra, em alguns periódicos nacionais, como meio de justificação para o seu envolvimento no conflito que se travava no continente europeu.

No eclodir da Grande Guerra, Portugal era um país dilacerado por guerras internas, com um regime fragilizado internacionalmente, em particular face à Espanha e à Grã‑Bretanha. No mar e em terra, a República Portuguesa via-se obrigada a defender os interesses perenes do seu império.
A participação de Portugal na Frente Ocidental do teatro europeu consumou-se nos anos de 1917 e 1918, ainda que a intenção para tal tivesse sido veiculada logo nos primeiros meses da guerra. A entrada no conflito europeu foi uma opção política do governo republicano, principalmente com propósitos de legitimação do novo regime, mas também de afirmação face à Grã-Bretanha.
O governo português de então, que se pode qualificar como um governo pouco representativo da vontade nacional e da vontade, em particular, do corpo de oficiais do exército – no que diz respeito à necessidade de combater na Europa -, teve que realizar um esforço significativo para “vender”, à população em geral e aos contingentes a mobilizar, em particular, a ideia de combater em França. Nesse esforço, foi determinante “diabolizar” o inimigo, legitimar a causa a defender e, facto incontornável,  relembrar a obrigação moral de Portugal se bater, lado a lado, com a sua velha aliada, a Grã-Bretanha.
A presente comunicação tem como objetivos identificar e analisar o esforço feito pelo poder político nacional em três vertentes: primeiro, na propagação da importância da participação portuguesa na guerra da Europa; segundo, na ideia de difundir o esforço em curso, quando um numeroso contingente português já se encontrava em França a receber preparação militar especifica e a assumir, gradualmente, responsabilidades no setor defensivo; e, finalmente, já no pós-guerra, compreender de que forma se tentou fazer a catarse dos traumas físicos e psicológicos da participação, bem como a gestão das consequências políticas dessa participação.
Para este efeito, os objetos de estudo serão três periódicos da época que permitem observar as três conjunturas acima referidas:
– A Ilustração Portuguesa, revista semanal editada pelo jornal O Século, no período específico dos anos de 1914 a 1918;
– A revista Portugal na Guerra, revista quinzenal publicada, em Paris, no ano de 1917 e especificamente orientada para a divulgação do esforço militar de Portugal na guerra;
– A revista A Guerra, revista mensal e órgão da Liga dos Combatentes, publicada a partir de 1926, com o objetivo de realizar a união dos combatentes.
Na análise a realizar pretende-se, por um lado, demonstrar o uso da imagem, na forma de fotografia, ilustração e caricatura, mas também da prosa e poesia de autores e personalidades tidos como referências à época, como instrumentos para moldar a mensagem do necessário envolvimento de Portugal no conflito europeu, que o regime pretendia fazer chegar à maioria da população portuguesa.
No caso da Ilustração Portuguesa, não sendo uma revista do tipo jornalístico mas sim de informação numa perspetiva de lazer, permite identificar até que ponto a propaganda para participar e a participação efetiva na guerra entraram no domínio deste tipo de informação; Por outro lado, é também objectivo desta comunicação analisar, através das publicações acima referidas, se o regime português acompanhava as dinâmicas e metodologias de propaganda dos seus aliados e, em caso afirmativo, quais os mecanismos de que dispunha para o fazer. A análise da revista Portugal na Guerra tem esse objetivo pois é editada em França e conta com colaboração estrangeira. Com a análise de A Guerra – uma publicação do pós‑guerra especialmente dirigida para quem, nas trincheiras da Flandres, concretizou o projeto político de combater no coração da europa – pretende-se identificar até que ponto as ideias propagadas antes e durante o esforço de guerra se mantiveram e fizeram parte do reportório justificativo e atenuador das perdas e do sofrimento infligidos.
Pretende-se que esta comunicação possa contribuir para um maior conhecimento dos meios de propaganda utilizados pela Primeira República como forma de justificação da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial.

Pablo Herrera Asensio (University of Zaragoza), The demonization of the Serbian folk Western propaganda with geopolitical purposes during the Kosovo War
The Yugoslav Wars, between 1991 and 2001, turned out to be the bloodiest conflict in Europe after the Second World War.
The last one of them, the Kosovo conflict, gave birth to what has been called “Humanitarian Bombing”, a term nowadays omnipresent in conflicts such as Libya or Syria, which embodies a sinister hypocrisy to mask militaryintervention wherever western countries have any kind of interest.
As in any war action in the postmodern world carried out by liberal democracies, the endorsement of sending troops has to be supported by public opinion. In order to gain this, the common citizen must be galvanized and convinced of the intrinsic wickedness of the enemy, in this case, the Serbians. The paroxysm of this pure action of propaganda reached its height when Bill Clinton, USA president, affirmed that the Kosovo War “was fair and necessary” and he appealed to “humanitarian principles”, whilst national sovereignty principles and historical facts were negligently omitted
This process,ultimately, obeyed to strategic geopolitical interests more than peaceful and tolerant reasons. Officially, it was affirmed that NATO intervention was justified by three factors: to protect the Kosovan people, stability of the region and its own military credibility.
Nevertheless, in this epoch, Rwanda or Sierra Leone were in a much worse situation than Kosovo,with genocides in their zones, a conflict of low intensity with up to 2000 deathsat the beginning of the hostilities in June 1999, no more than the ones during this time in Northern Ireland.
No, definitely, the true motives of the NATO intervention were not the so called humanitarian ones.
After the end of the Cold War, Serbia, historic ally of Russia, was totally unprotected. Without the soviet giant, and with religious, cultural and economic inner tensions among the different Yugoslav folks, it started to disintegrate.
Kosovo, immersed in this centrifugal process as well, was an easy victim for american purposes.
The debilitation of Serbia, historical opponent of the Atlanticism, the construction project of an important oleo duct -called AMBO-, and the geopolitical control of the southeastern Europe with the biggest base, and at the same time not known, out of USA -Camp Bondsteel. Moreover, the totally illegal activities such as drug trafficking and money laundering were the true motives of the intervention.
This conflict perfectly embodies the relationship in our current world of war propaganda, though calling to Human Rights with the worst cynicism and Machiavellian politics. As Jules Lobel and Michael Ratner claimed in an article of Foreign Policy Magazine ‘The history of “humanitarian” military intervention is replete with invocations of humanitarian intentions by strong powers or coalitions, in order to conceal their own geopolitical interests’.

Paula Ribeiro Lobo (Instituto de História da Arte – FCSH-UNL), Propaganda e soberania: o Estado Novo e a exaltação do império em finais dos anos 30
Consagrada juridicamente pelo Acto Colonial de 1930, a unidade do império português esteve na base de uma política de afirmação ideológica que teve forte expressão na propaganda da ditadura, desenvolvida tanto no plano externo como no plano interno. Indissociável do “trauma” gerado pelo Ultimato de 1890 e dos deveres decorrentes do Tratado de Versalhes de 1919, a propaganda imperial intensificou-se na década de 30 quer por motivos económicos quer como instrumento diplomático e meio de doutrinação da população portuguesa, em reacção a velhas e novas ameaças que colocavam em causa a soberania sobre as colónias, a continuidade do regime e a própria independência do País.
Apesar das evidentes afinidades com outras ditaduras de cariz totalitário e do apoio à facção nacionalista espanhola, durante a Guerra Civil de Espanha o Estado Novo de Salazar endureceu a acção e o discurso, justificando o combate ao comunismo com a “defesa da Nação” mas sem descurar as pretensões de Franco e dos seus aliados numa altura em que se tornava já previsível nova Guerra Mundial.
É atendendo a este contexto que o paper analisará as principais acções que nesse período exaltaram Portugal e o seu império, de que são exemplos a Exposição Histórica da Ocupação e a participação na Exposição Internacional de Paris, ambas realizadas em 1937, bem como a Exposição do Mundo Português de 1940. Fazendo uso das artes plásticas, do cinema, da arquitectura, da palavra impressa e da rádio, a “lição” encenada para dentro e fora de fronteiras acabou por actualizar os meios, os métodos e as técnicas de propaganda até então utilizados. Numa tradução a que a “política do espírito” prosseguida por António Ferro no SPN deu enquadramento e expressão estética, e que deixaria marcas na imagem mitificada que o País fabricou de si mesmo.

Regan Buck Bardeen (University of California, Los Angeles), Propaganda in a contested space: British rule in Nigeria during and after the Second World War
With an increasing number of Nigerians participating in formal schooling and mass education programs from the Second World War onwards, control of the means of literacy and book provision became an urgent matter to the government of the British-ruled colony. Policy-makers and administrators viewed literacy as a gateway to access and influence Nigerian attitudes towards Britain and, more generally, so-called Western economic and political ideals. Propaganda, therefore, became a key tool to foster support amongst Nigerians for their imperial rulers. This paper will examine the British government’s program to disseminate propaganda by means of local reading rooms, dedicated information spaces for the use of the public. Reading rooms had been established as early as the 1930s through the initiative of individuals within local British colonial administrations and Native Authorities. The rooms initially served only to house periodicals and bulletins put out by the London Public Relations Office [PRO], a government bureau charged with circulating information throughout the colony. However, the outbreak of the Second World War and the British enlistment of Nigerian soldiers generated an increasing amount of public interest in events happening in Europe and other theatres of war. The colonial government responded by funding the opening of new reading rooms, this time called ‘propaganda reading rooms,’ to provide British-approved material for eager readers. Propaganda officers also recognized the need to combine their advocacy of literacy and British book production for Africa with the use of technologies such as film and radio broadcasting, in order to reach and interest greater numbers of people. The reading rooms, therefore, typically housed radios and provided space for program listening and film viewing.
In the decade following the Second World War, the propaganda reading room program was validated as a larger collaborative project of the central colonial government, local administrations and outside funding agencies. Galvanized by the public’s favorable response to PRO publications and the additional propaganda reading rooms that were opened in Nigeria during the war, officials expanded the project as more money became available in the post-war period. This paper will conclude with an exploration of the ways in which the British colonial government continued its propaganda enterprise in Nigeria after the end of the war. For British colonial administrators, the reading rooms were repositories of Western knowledge, filled with books and other materials that promulgated their own views on appropriate ways of living. They contained civilizing literature that would assist Nigerians in becoming (in their view) more technologically and morally competent. Perhaps more importantly, the reading rooms served as Western-oriented community spaces that could be easily observed, studied and controlled by colonial agencies. With their shelves full of British publications, reading rooms encouraged new readers to strengthen their engagement with the colonial metropole through increased literacy skills. Nigerians, on the other hand, seemed to have impeded official plans by using reading room resources to their own advantage. In the open space of the reading room, with its chairs and tables already in place, they organized meetings and lectures or played games. They utilized the non-text resources of the rooms by listening to phonographs and tuning into radio programs. In the end, it propaganda became a secondary function of the reading room spaces

Rocio Velasco de Castro (Universidad de Extremadura), The power of propaganda in Spanish Civil War: the instrumentalization of Moroccan troops
Although the Spanish Civil war is an extensively studied topic, the role of Spanish
Morocco in this conflict still requires attention. By framing the historical background of Spanish-Moroccan relations, this paper analyse how the military leaders of the coup d’état used the propaganda inside and outside the Protectorate for their objectives and what were its consequences in social and historical dimensions.
On the one hand, an idealistic concept of Spanish-Moroccan “brotherhood” was promoted inside the Protectorate to increase the recruitment of Muslim soldiers. On the other hand, Nationals conceived the demonization of Moroccan troops in Spain as a psychological weapon to inspire terror in the enemy meanwhile Republican Forces were encouraged to fight against an “underdeveloped state” imposed by Fascists and Muslims.
The ideological basis of this unfavourable perception have been developed over the past five centuries, throughout Spaniards depicted Moroccans as a bloodthirsty and savage murderer. As Spanish armies were entering into collision with Moroccans starting from the War of Tetouan in 1859, most books and newspapers started adding a new attribute to the myriad of derogatory adjectives being used to portray the enemy that their country was facing in its endeavours to bring “civilization” to Moroccans.
The ultimate goal of this description was to mobilize the Spanish population behind its army and provide it with the necessary support in its military campaigns against Morocco. Since then, the image of Moroccans as hordes of uncivilized and unsavoury people had remained ingrained in the collective memory of Spaniards to the present day.
Indeed, Spanish military officials in northern Morocco would use that same image of Moroccans in order to frighten their political adversaries and attain power. Since the beginning of the Spain’s civil war in 1936, Franco utilised Moroccan soldiers as cannon fodder in order to advance as far as possible. The rapid progress was due to several reasons: the lack of resistance of Republican troops, the tactics they used, as well as the terror caused by Moroccan fighters and barbaric methods they employed to eliminate their opponents. Thus it has been concluded that the re-emergence of the mythical image of the “dangerous Moor” of the re-conquest period of Spanish history was intentionally promoted. Such was the determining role of Moroccan soldiers in the Spanish Civil War. It would explain why they were present on all battlefronts and participated in the most decisive and deadly military campaigns.
Nevertheless, the use of Moroccan soldiers had destructive effects in the Protectorate and its native population. It created rifts within the Moroccan communities themselves, dividing villages into those who sympathized with the Spanish colonizer or those who fought for Moroccan nationalism, and created greater poverty.
All these consequences will be exanimated in the complete version of the text. For that purpose, the Moroccan and Spanish points of view have been contrasted. Contemporary testimonies and Arabic bibliography may contribute to complete some of the arguments concerning this matter.

Ronit Fisher, (University of Haifa), “How do we get their support ? WW2 Propaganda in Palestine

Rubén Domínguez Méndez (Instituto Universitario de Historia Simancas), La Guerra Civil española y la estratégia de penetración cultural del fascismo

Rui Vieira (IHC-FCSH-UNL), As relações culturais com a Espanha franquista

Sérgio Neto (CEIS20-UC), “Mãe ! Manda-nos a tua luz!” Ecos da Grande Guerra na Imprensa de Cabo Verde
Distante dos palcos bélicos da Frente Ocidental e, de um modo geral, pouco consciente dos enfrentamentos militares travados em Angola e Moçambique, o arquipélago de Cabo Verde, durante a Grande Guerra de 1914-1918, não deixou de viver debruçado sobre os seus próprios estruturais e graves problemas. Contudo, apesar de o arquipélago continuar a enfrentar as usuais estiagens cíclicas que, não raras vezes, redundavam em mortíferas crises de subnutrição, com os jornais da metrópole a publicitarem subscrições públicas para auxiliar os ilhéus, o certo é que as fomes não tiveram, neste lapso de tempo, o impacto de períodos anteriores. Por outro lado, continuavam vivas as condições miseráveis de vida dos cabo-verdianos que procuravam fugir à penúria, rumando às roças de cacau de S. Tomé e Príncipe em busca de subsistência. Foi, deste modo, que começou a apossar-se das elites letradas algum desencanto pela obra da República, a qual (ainda) não teria cumprido os seus ideais de liberdade e igualdade, patente numa célebre ilustração do jornal A Voz de Cabo Verde (1911-1919), vinda a lume no terceiro aniversário da implantação do novo regime, onde alegorias de cada uma das colónias, com a de Cabo Verde em destaque, rogavam a Portugal: “Mãe! Manda-nos a tua Luz! Nós também somos filhos”. A imprensa, aguerrida e animada por alguns vultos da intelectualidade local, como Eugénio Tavares e Pedro Cardoso, chamava a terreiro os tempos do regime anterior – “em plena República, pior que nos mais calamitosos tempos da monarquia”! – e ponderava uma hipotética independência, tema que vinha sendo retomado e discutido, um tanto platonicamente, nas épocas mais tocadas pelo espectro da
crise económica.
Ainda que a experiência directa do conflito se cingisse, na generalidade, ao avistamento e algumas investidas a navios fundeados no Porto Grande de S. Vicente, por parte de submarinos alemães, o certo é que o arquipélago se ressentiu. Com efeito, aprofundou-se a decadência daquelas instalações portuárias, devido à diminuição do tráfego marítimo, que, cada vez mais, demandava Dakar e as Canárias. Apetrechados e melhor defendidos, estes portos de reabastecimento de carvão foram-se, gradualmente, impondo enquanto chave da navegação transatlântica, na “encruzilhada de três continentes” (Europa, África e América do Sul).
Seja como for, os ecos da Primeira Guerra Mundial perpassaram os vários periódicos existentes, na forma de notícia, crónica, reflexão pessoal e poema. Em diálogo com os jornais da metrópole, com os soldados portugueses que, em Cabo Verde, faziam escala, a fim de rumar aos campos de batalha de Angola e Moçambique, ou através do cabo submarino que assegurava parte das comunicações entre hemisférios, a imprensa local ensaiou dar conta dos avanços e dos impasses das forças em combate, tendo privilegiado a Frente Ocidental. Da guerra, sentida como longínqua, mas omnipresente na degradação das condições de vida, compuseram os músicos cabo-verdianos mornas, das quais se destaca a dedicada ao presidente norte-americano, Woodrow Wilson, a qual atesta a ligação à causa dos aliados.
A presente comunicação pretende, assim, revisitar os jornais do arquipélago deste período, de forma a compreender o seu grau de empenhamento na propaganda de guerra, detectar eventuais vozes discordantes, porque pacifistas, e avaliar a acção da censura. Por outro lado, propõe-se, a partir do Boletim Oficial de Cabo Verde e de alguns escritos da época, acompanhar a evolução do conflito e o impacto das instâncias do poder na imprensa e populações locais.

Sheena M. Eagan Chamberlin (Institute of the Medical Humanities, University of Texas Medical Branch), Using medicine to “win Hearts and Minds” – Medical Civilian Assistance Programs, Propaganda & Psychological Operations in the US. Military
This paper examines the use of medicine as a tool of propaganda used by the US military. Medical civilian assistance programs were formalized under the name Medical Civic Action Programs or MEDCAPs during the Vietnam War with the explicit purpose of accomplishing strategic military goals, as outlined by Psychological Operations (PSYOP). PSYOP have been understood as influencing the behaviour of foreign audiences in order to support the national objectives and strategies of the U.S. government. This is accomplished using information and specific missions that influence the emotions, motives, reasoning, and behaviour of target audiences. MEDCAPs were understood to be a key component of psychological warfare operations. This belief continues today. Military command believes that these operations are indispensable because they allow for the use of “non-lethal weapon.”
This paper will provide a historico-ethical analysis of these programs, from the MEDCAPs of Vietnam to the MEDCAPs and Medical Readiness Training Exercises (MEDRETEs) of the late twentieth century and today. The general purpose of these missions has been to use medicine to “win the hearts and minds” of civilian foreign populations, fostering positive international perceptions of the US, its government and military, while simultaneously expanding the American sphere of influence.
The clear strategic intent is apparent in the doctrine that shaped these programs, the reports and narratives of participants and the primary source documents. Example of the types of propaganda employed by these programs includes not only the actual medical care provided, and gifts given, but also the information disseminated in the form of pamphlets and loudspeaker announcements. During MEDCAP operations medication was not dispensed in regular bottles, rather it was dispensed in special envelopes specifically designed by the psychological operation battalion. These envelopes listed not only specific directions for taking the prescribed medication, as well as warning labels, it also included messages meant to win the civilian population over to the side of the Government of Vietnam and the United States. One such envelope was inscribed with the following text: “The Viet Cong kill the people and steal their rice while the GVN looks after the people and provides medicine for them.” Another medication envelope included the text; “The Government of Vietnam is looking after the people’s health by providing them medical care. The Vietnamese and American Navy Medical teams are constantly striving to help the people.” The importance of these documents cannot be dismissed as a single unit reports handed out over two million leaflets over the course of their deployment. Loudspeaker announcements, gifts and t-shirts that promoted similar messages, specifically crafted by psychological warfare operations units complemented these pamphlets and medication envelopes.
Other propaganda efforts sought to gain intelligence, by using the goodwill surrounding medical care and practice for strategic ends. These documents informed the civilian population of the need to protect the MEDCAP and requests intelligence from the patients as a means of protecting the medical team and ensuring medical care for the village. The collection of intelligence was a widely recognized benefit of MEDCAP and often a prioritized goal, which physicians found problematic as we saw earlier. Many operational reports note using MEDCAPs as a means of gathering intelligence. Commanders recognized the special relationship of the provider and patient, and the willingness of those receiving medical care to share information. Medicine was a good way to build trust with locals who desperately wanted western medicine and placed trust in medical personnel. MEDCAPs were also occasionally used to gather intelligence regarding missing persons.
Recently, security policy has shifted towards stability operations that often prioritize medical operations such as these programs. Stability operations, including Humanitarian and civic assistance has become an important part of the military mission. According to Department of Defense (DOD) Instruction 3000.05 Military stability operations (MSOs) are a “core U.S. military mission,” that “shall be given priority comparable to combat operations…”[20] This shift signifies formal recognition of America’s new self-perceived role on the international level, and new technique in achieving American military goals. In light of this, it is crucial to learn from the history of medical civilian assistance. This history has themes rife for ethical analysis. Analysis will focus highlight this strategic intent and explore the ethics of using medicine as a tool of propaganda.

Shubranshu Mishra (Brussels School of International Studies, University of Kent), Permanence of war: life and death and the nuclear behaviour of states
This paper spells out and demonstrates Foucault’s framework in order to show how the nuclear discourse exercises a certain kind of power over the ‘species bodies/populations’ in the name of security. It is suggested that the ‘political rationality’ around acquiring nuclear weapons is practised through policies, which are not coercive in nature, as a mode to put into effect ‘hegemony’ and therefore sort of ‘rule by consent’. There is a ‘preservation of life’ argument that may rest on the ‘murderous’ justification of the modern nation-state in which one is either with nation-state (normal) or against it (abnormal) and the enemy population is perceived to be eternally ‘evil’, ‘impure’ and ‘abnormal’ and thus need to be annihilated. With the help of a Foucauldian interpretation, this paper attempts to unmask the not-so- visible techniques of biopolitics that are applied on the population through which a nation- state legitimizes its actions of ‘pledging life’. The techniques modern nation-states pursue to ‘manufacture consent’ create, what I call, homo bellum, i.e. humans for war, to highlight the permanence of war in contemporary times driven by the dominance of nuclear weapons. The unmasking makes it possible to think differently which the primary task of a research endevour is. The scholarship on biopolitics offers a potential platform to rethink issues of war and peace and put them to thorough scrutiny in novel and innovative ways. Therefore, nuclearisation/denuclearisation/disarmament can be analysed using the biopolitical framework and an attempt can be made to show that it is the interplay between the sovereign power and the biopower, the interplay between death and life, which shapes the decision of the nation-states to go nuclear. The approach can help to elucidate and disentangle the paradox of biopower: whether the possession of nuclear assets veritably protects the ‘life’ of the ‘population’ or puts it at risk instead.

Stefano Santoro (University of Florence), Culture and propaganda in World War II: Fascist Italy and Eastern Europe

Stéphanie Gonçalves (Université Libre de Bruxelles), “Dance as a weapon”: ballet and propaganda in the Cold War, 1947-1968
This paper will be devoted to the study of ballet as a cultural weapon and a propaganda tool in the Cold War. Beyond the battlefront, the home front had been mobilized to conquer hearts and minds, and also in this case, bodies.
The Cold War represents a climax in the development of cultural strategies to conquer the other block and to gain supporters (Caute, 2003). Cinema, art exhibitions, theater or music have been intensively explored. Ballet tours constituted the realization of one of these cultural confrontations (Prevots, 1998), mainly on the European “battlefield”, which has been forgotten by scholars till now. Paris and London however became major places for the representation of American ballets (Balanchine and his New York City Ballet) and Soviet ballets (Bolshoi and Kirov). Through diplomatic papers such as French Ministry of Foreign Affairs or British Foreign Office, artistic documents from the Opéra de Paris or Royal Opera House Covent Garden and general and specialized press as well as interviews, we will analyze how this propaganda tool has been used by both blocks. Did the States trust the choreographic art to spread their ideology? Was this weapon efficient? How did these tours concretely take place?
A functional approach, lighting the various actors, factors and effects will be used (Dulphy, Frank, Matard-Bonucci, Ory, 2010). French, British, American and Soviet institutions such as Foreign Offices or devoted bodies, diplomats and impresarios were at the core of these tours, anchoring ballet in the propaganda system. On stage, propaganda could either be obviously present in the stories (i.e. the ballet Spartacus by the Soviets, which was a huge success in the 1960’s in Europe) or suggested by style, choreographies and repertoire. A special focus on bodies and the confrontation of an American and a Soviet body will be done. American mainly danced neo- classical (Balanchine is the great representative of this style) whereas Soviets danced a imperial- rooted ballet, with a very (too?) classical repertoire including Swan Lake, Cinderella or Giselle.
Three paradoxes in the propaganda ballet will be thus underlined. The first paradox is about the Americans, who managed to “americanize” European culture (d’Almeida, 2003), except in ballet because their elitist modern dance did not conquer popular audiences. Secondly, the paradox of the Soviets who mainly danced imperial and “old-fashioned” ballet, which is in contradiction with their ideology of revolution and changes. In the case of ballet, they stuck to what they knew best i.e. technical and impressive positions, realistic style and pantomimes. This tradition was highly appreciated by popular audiences in Paris and London. And the third paradox lays in the general discourse of a “dance for peace” from both superpowers, which in reality was absolutely not a peaceful tool but an artistic confrontation on European stages.
Concretely, we will explore different tours in Paris and London from 1947 to 1968, with specific “hot” years such as 1954 or 1956. 1954 represents the first Soviet ballet outside the Iron Curtain in Paris, a historical event in the cultural and political exchanges. But, it has been cancelled one day before because of the Dîen-Bîen-Phû Battle in the Indochina War, and fear of demonstrations in Paris. This event, seen by the French press as the “Affaires des ballets soviétiques” became a diplomatic issue during months. Another example of ballet at the heart of political propaganda is the first tour of the Bolshoi in London in 1956, which is the result of months of negotiations. How the Soviets were finally welcomed? A final part will be devoted to the reactions of the audience. How was the reception of these two different approaches in ballet? How could France and Great-Britain welcome Soviet and American dancers on their territory, at a time where anti-Soviet discourses where everywhere? Can we identify, as in politics, two different polarized sides?
As a conclusion, we can assert that prestige, publicity and propaganda were gathered in the propagation of ballet on European stages. Using ballet as an artistic media to spread a vision of the world was not new (Louis the XIVth for example) but was fully utilized in the context of the Cold War, when nuclear weapons could not be used.

CAUTE David, The dancer defects, The Struggle for cultural diplomacy during the Cold War, Oxford, Oxford University Press, 2003.

D’ALMEIDA Fabrice, « L’américanisation de la propagande en Europe de l’Ouest (1945-2003) », Vingtième Siècle. Revue d’histoire, No. 80, Numéro spécial : Propagande et communication politique dans les démocraties européennes (1945-2003), Oct. – Dec., 2003, pp. 5-14

DULPHY Anne, FRANK Robert, MATARD-BONUCCI Marie-Anne, ORY Pascal (dir.), Les relations culturelles internationales au XXème siècle, De la diplomatie culturelle à l’acculturation, Bruxelles, Peter Lang, 2010.

PREVOTS Naïma, Dance for export, Cultural Diplomacy and the Cold War, Middletown, Wesleyan University press, 1998.

Susana Wichels (Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra), O homem por detrás do mito Hoffmann, o fotografo oficial de Hitler
Heinrich Hoffmann foi o fotógrafo oficial do regime Nazi e amigo pessoal de Hitler. Teve um papel fundamental na construção da imagem mitificada do Führer, como líder forte e carismático.
Hoffmann era capaz de traduzir em fotografia os ideais do Social Nacionalismo, criava elementos estético-expressivos que corporizavam as estratégias propagandísticas de Josef Goebbels.
Mais do que fotógrafo, era confidente, amigo íntimo
e o consultor de imagem do líder. A produção
artística de Hoffmann combinava luz, enfoques,
cenários, poses, roupas, expressões de forma a
conseguir textos-imagem propagandísticos, carregados de ideologia. Desenvolveu um trabalho notável de assessoria de imagem, tentando por um lado humanizar a imagem do líder e por outro criar uma figura invencível. Publicou vários livros com fotografias de Hitler sendo um dos mais conhecidos “O Hitler que ninguém conhece: 100 fotografias da vida do Führer” (1933), um absoluto êxito de vendas: as 420.000 copias impressas esgotaram. Na capa do livro, Heinrich Hoffmann, apresentava-se com o título “O repórter fotográfico do Império do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”.
As reportagens fotográficas de Hoffmann exaltavam os princípios ideológicos sob os quais estava fundado o Nacional-Socialismo: o autoritarismo e expansão militar próprios da herança prussiana; a tradição romântica alemã que se opunha ao racionalismo, o liberalismo e à democracia; diversas doutrinas racistas que consideravam que os povos nórdicos, os arianos, não só eram fisicamente superiores às outras raças, como também o eram na sua cultura e moral. Sabia muito bem incorporar nas suas criações fotográficas os princípios elementares da propaganda, nomeadamente o uso de símbolos e estereótipos. Ao analisar a sua obra, encontramos símbolos relacionados com a igreja, mitos e tradições, apelando ao que de mais germânico existia na mente e alma dos alemães. Por exemplo, uma das imagens de Hitler a sair casualmente de uma Igreja com a cruz estrategicamente colocada em cima da sua cabeça, dando-lhe uma aura messiânica. A família, as crianças, os animais apelando ao sentimentalismo para defender a pátria, alentando assim os homens a ir à guerra para lutar por uma vida melhor e pelo futuro dos seus filhos. Em algumas das fotografias, observa-se a apurada estética, os cabelos rigorosamente penteados, os fatos impolutos, o olhar frio e cativante, enigmático do Führer. As fotografias de Hoffmann engrandecem o líder, mitificam o homem.
Um dos trabalhos de Hoffman mais notáveis é uma “box monográfica” publicada em 1941 que contém 12 revistas com fotografias de Hitler organizadas por temas: Hitler e os Jovens, Hitler na Montanha, Hitler na Polónia, Como Hitler construiu a grande Alemanha, Hitler em casa, etc. É um exemplo idóneo da cuidada comunicação politica, a propaganda ao serviço do regime e que retrata em fotografia, o conceito de Ein Volk, Ein Reich, ein Führer (um povo, um império, um líder).
Com esta coleção pretendia mostrar as diferentes facetas do líder: o carismático político; o grande estratega de guerra; o homem sensível e amante dos animais; o coração terno que amava as crianças e a natureza. Uma das curiosidades desta coleção, é que foi selecinada e recebeu um Prémio de Honra por Richard Darré, na altura, ministro da Alimentação e Agricultura (1933-1942) e general honorário/honorífico das SS, o responsável por alimentar uma nação e um Exército com mais de 80 milhões de pessoas.
As fotografias produzidas por Hoffmann tiveram um papel preponderante na construção e fortalecimento da imagem do líder. Não obstante das qualidades pessoais de Hitler, Hoffmann tinha o talento de captar essa aura de magia e misticismo que embriagava multidões. “Hitler, o sedutor” foi o resultado do trabalho de Hoffman e efeito da propaganda do Nacional Socialismo ideada por Goebbels.

Teresa Lopes Moreira (IHC-FCSH-UNL), A Grande Guerra nas Páginas dos jornais O Debate e o Correio da Extremadura
Durante a Grande Guerra, Santarém também viu partir os seus jovens para um conflito incompreendido em palcos desconhecidos. Muitas das zonas rurais do concelho, menos esclarecidas e politizadas virão o sustento de muitas famílias transformar-se em pesadelo. A partir de 1916, com a entrada de Portugal na Guerra e especialmente durante o ano seguinte com a partida das primeiras tropas do Corpo Expedicionário Português aceleraram a propaganda nomeadamente entre os jornais afectos ao partido Democrático de Afonso Costa. Sendo Santarém o espaço privilegiado do estudo, pretende analisar-se essa propaganda expressa no jornal escalabitano O Debate (1907-1926) que seguiu a linha orientadora do partido Democrático, através do tipógrafo José Avelino de Sousa e do caixeiro Manuel António das Neves, proprietários e jornalistas deste semanário republicano e com fortes laços aos seus correligionários da capital. Simultaneamente analisa-se o jornal afecto ao partido Unionista, Correio da Extremadura (1891-) dirigido pelo seu proprietário, tipógrafo e jornalista João Arruda, amigo de António Ginestal Machado. Ao longo dos anos de 1917 e 1918, os dois jornais confrontaram os mesmos acontecimentos à luz do seu ideário partidário.
De que maneira a propaganda da imprensa regional republicana influenciou a sociedade escalabitana na época? Quais as diferenças mais significativos entre os dois jornais quando abordavam o cenário de guerra especialmente na Europa? De que maneira a sociedade escalabitana se organizou perante o quotidiano da guerra? Como se receberam as notícias dos primeiros mortos, feridos e traumatizados de guerra?
A partir do estudo e cruzamento das referidas fontes estudaram-se dois anos de guerra e as suas consequências na sociedade escalabitana tentando responder a algumas das questões levantadas e considerando a ausência de estudos sobre a cidade durante esse período e sobre os dois semanários abordados.

Thais Janaina Wenczenovicz (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul), A repercussão da I e II Guerra Mundial nos Imigrantes Poloneses do Sul do Brasil

Tiago Tadeu (CEIS20-UC), O anúncio publicitário como propaganda durante a II Guerra Mundial
A II Guerra Mundial foi o conflito mais marcante do século XX, quer pelo nível inaudito de carnificina provocado, quer pela mobilização sem precedentes a que foram sujeitas as populações, assumindo-se como o verdadeiro exemplo de guerra total. O conflito deixou de acabar nas trincheiras e passou a alastrar-se a diversos campos (económico, diplomático, político, social, cultural), fazendo da frente doméstica (home front) um dos mais importantes cenários da guerra. Neste novo tipo de guerra o apoio e adesão da população passaram a ser decisivos no desenrolar do conflito, conferindo desse modo um papel chave à propaganda. A guerra chegava assim aos leitores, ouvintes e telespectadores que eram transformados em soldados sem armas, peças essenciais nas indústrias de guerra e na manutenção da moral.
Portugal assumiu uma posição de neutralidade durante a II Guerra Mundial, contudo as relações económicas e políticas do país potenciaram uma estreita relação com os países em conflito. Tal situação transformou o território nacional numa das múltiplas frentes de batalha, onde os beligerantes procuraram através da propaganda obter a simpatia e adesão da população portuguesa às suas causas.
O trabalho que pretendo apresentar centrar-se-á na análise dos anúncios publicitários, com teor propagandístico, publicados no Diário de Lisboa entre Setembro de 1939 e Agosto de 1945, por parte dos países beligerantes durante a II Guerra Mundial. O foco da investigação estará dirigido para a mensagem e a imagética dos anúncios, sem esquecer o balanço quantitativo deste combate que se travou no periódico português. Procuraremos mostrar como se utilizou a publicidade para criticar os adversários, ao mesmo tempo que se dava a conhecer os valores que defendiam. O enaltecimento das máquinas de guerra em contenda e as respetivas conquistas militares também tiveram o seu espaço no jornal, pelo menos enquanto o conflito se encontrou num impasse. Finalmente, mostraremos também como as derrotas do Eixo na frente oriental e a entrada dos EUA na guerra conduziram a uma mudança na dinâmica da mensagem publicitária.

Timothy Sayle (Temple University, Filadélfia) What we really have in mind is a political warfare campaign: French Propaganda, British Counter-Propaganda, and the Cold War between NATO Allies, 1965
A II Guerra Mundial foi o conflito mais marcante do século XX, quer pelo nível inaudito de carnificina provocado, quer pela mobilização sem precedentes a que foram sujeitas as populações, assumindo-se como o verdadeiro exemplo de guerra total. O conflito deixou de acabar nas trincheiras e passou a alastrar-se a diversos campos (económico, diplomático, político, social, cultural), fazendo da frente doméstica (home front) um dos mais importantes cenários da guerra. Neste novo tipo de guerra o apoio e adesão da população passaram a ser decisivos no desenrolar do conflito, conferindo desse modo um papel chave à propaganda. A guerra chegava assim aos leitores, ouvintes e telespectadores que eram transformados em soldados sem armas, peças essenciais nas indústrias de guerra e na manutenção da moral.
Portugal assumiu uma posição de neutralidade durante a II Guerra Mundial, contudo as relações económicas e políticas do país potenciaram uma estreita relação com os países em conflito. Tal situação transformou o território nacional numa das múltiplas frentes de batalha, onde os beligerantes procuraram através da propaganda obter a simpatia e adesão da população portuguesa às suas causas.
O trabalho que pretendo apresentar centrar-se-á na análise dos anúncios publicitários, com teor propagandístico, publicados no Diário de Lisboa entre Setembro de 1939 e Agosto de 1945, por parte dos países beligerantes durante a II Guerra Mundial. O foco da investigação estará dirigido para a mensagem e a imagética dos anúncios, sem esquecer o balanço quantitativo deste combate que se travou no periódico português. Procuraremos mostrar como se utilizou a publicidade para criticar os adversários, ao mesmo tempo que se dava a conhecer os valores que defendiam. O enaltecimento das máquinas de guerra em contenda e as respetivas conquistas militares também tiveram o seu espaço no jornal, pelo menos enquanto o conflito se encontrou num impasse. Finalmente, mostraremos também como as derrotas do Eixo na frente oriental e a entrada dos EUA na guerra conduziram a uma mudança na dinâmica da mensagem publicitária.

Vera Félix Mariz (Instituto de História da Arte e Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), Os monumentos portugueses em Moçambique como actores e cenários de encenação da propaganda colonial estadonovista
Na sequência do final da Segunda Guerra Mundial e da criação da Organização das Nações Unidas, o Estado Novo compreendeu a importância de reproduzir nas províncias ultramarinas uma das peças da sua poderosa máquina de propaganda: a política de conservação e restauro dos monumentos nacionais.
Efectivamente, na eminência do triunfo dos múltiplos movimentos independentistas nas colónias africanas, o regime salazarista descortinou nos monumentos portugueses ultramarinos, tal como acontecera com aqueles da Metrópole, a eloquência de necessários testemunhos memoriais e materiais da ancestralidade e legitimidade da administração portuguesa naqueles territórios.
Assim, com este estudo, pretendemos demonstrar o modo como os monumentos portugueses erguidos, ao longo dos séculos, em Moçambique, foram utilizados, sobretudo a partir da década de 60 do século XX, como instrumentos de uma poderosa máquina de propaganda que pretendia, inegavelmente, justificar e manter a presença portuguesa ultramarina em tempos de contestação anticolonial.
Deste modo, pretendemos demonstrar o modo como, através da estratégica renovação da pré-existente Comissão dos Monumentos e Relíquias Históricas de Moçambique, a administração colonial procurou divulgar a ideia nacionalista segundo a qual os governantes portugueses eram, legitimamente, herdeiros dos ocupantes do Palácio dos Governadores da Ilha de Moçambique ou dos fundadores da fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Lourenço Marques.
Assim, como forma de demonstrar a real utilização dos monumentos de Moçambique como instrumentos de propaganda na eminência e decurso da Guerra Colonial, pretendemos analisar o segundo momento de actividade da Comissão dos Monumentos e Relíquias Históricas de Moçambique, estabelecendo o paralelismo entre as actividades de conservação, restauro e divulgação dos monumentos, e a política diplomática e bélica portuguesa.
De resto pretendemos, ainda, demonstrar como a intervenção patrimonial em Moçambique se associou, inteligentemente, às formas mais recorrentes de propaganda, como o cinema e a imprensa – caso da revista Monumenta – para amplificar os resultados alcançados. Afinal, conforme defendeu António de Oliveira Salazar, “Politicamente só existe o que o público sabe que existe”, não sendo suficiente realizar as obras de restauro/legitimação sem a sua divulgação.
Afinal, como pretendemos asseverar, os protagonistas da Guerra Colonial não foram somente os militares que, obedecendo às ordens dos dirigentes, empunharam espingardas, morteiros ou canhões, mas, também, os líderes e arquitectos que, como Luís Benavente ou Pedro Quirino da Fonseca, celebraram e prolongaram, através das intervenções nos monumentos de Moçambique, a presença portuguesa no Ultramar.
Efectivamente, como escreveu o poeta Mia Couto, a importância da pedra que, emparelhada, constitui os monumentos de Moçambique, não reside na sua materialidade, mas sim na sua memória e eloquência, características atractivas para a propaganda política e que, como veremos, foram reconhecidas e exploradas de forma exímia pelo Estado Novo durante a Guerra Colonial:

“Não é a pedra.
O que me fascina
É o que a pedra diz.
A voz cristalizada,
O segredo da rocha rumo ao pó.”
(Mia Couto, Ilha de Moçambique)

Viktoria Mirotshnik (CESNOVA-FCSH-UNL), Manuais de História como instrumentos de propaganda na URSS
Nesta comunicação, recorrendo à análise dos manuais de Historia dedicados à II Guerra Mundial, em vigor na União Soviética nos anos 1970-1980, como livros únicos, pretende-se mostrar como o poder, através do discurso oficial educativo no âmbito do saber histórico escolar, procurava promover entre os alunos, não somente um espirito patriótico, mas uma representação do mundo constituída por um sistema de referências e de avaliação do real, baseada na doutrina comunista.
A memória de uma guerra em geral, e sobretudo de uma guerra vitoriosa, tem desempenhado sempre um papel importante na formação e evolução de todas as nações. Num país como a União Soviética, onde o poder político teve sempre um papel proeminente na visão do mundo que defendia e no modelo de desenvolvimento socioeconómico que praticava, o interesse em preservar a memória da Guerra foi fortemente relacionado com a percepção do seu potencial ideológico. Por isso o trabalho com a “memória colectiva” da Guerra ao longo dos anos do domínio soviético passou a ser uma das principais direções da propaganda ideológica, que, utilizando variadas estratégias e técnicas, actuava em todas as áreas da vida. Neste processo, a educação, nomeadamente, o ensino da História, desempenhou uma função fundamental – servir como elo de continuidade entre várias gerações de cidadãos soviéticos, para que estas assimilassem as crenças, as convicções e as tradições histórico-culturais do seu país, vistas como altos valores nacionais. Assim, o estudo dos manuais escolares de Historia permite que se descodifiquem os mecanismos que a propaganda (e através dela o poder) usou para disseminar a doutrina entre a população jovem e garantir que esta se identifique com os seus postulados.
Tomando por referência a abordagem que considera a construção da memória sobre a Guerra como um sistema de significados padronizados (Wertsch, 2002, 2010), que se cria pelo poder e se insere através do sistema educativo, principalmente nas aulas de História, procurou-se perceber como, com que material simbólico e de que forma foi construído o padrão da imagem da Guerra no manual de História em análise, de como os significados ideológicos foram transmitidos e que novas fontes de legitimação do regime comunista foram fornecidos pela propaganda soviética.
A análise do manual de História da URSS (10 ano, 1978) permitiu evidenciar que a imagem da Guerra, cuja vitória aparece como a vitória do sistema, foi construída em torno de vários elementos-chave:

O retorno ao nacionalismo
A glorificação do heroísmo excecional do povo soviético
A perceção do inimigo e do país como “fortaleza cercada”
A necessidade de um Estado poderoso
A necessidade de sacrifícios individuais em prol do Estado e da Nação

Os anos 80-90 marcaram um ponto de viragem de grande importância internacional na dinâmica da memória histórica das guerras do século XX. Devido ao colapso do sistema socialista e da União Soviética, da renúncia dos seus princípios ideológicos, foram reavaliados todos os eventos militares do século, e especialmente, a Segunda Guerra Mundial, divulgados novos factos e preenchidas as “páginas em branco” com temas que tinham sido proibidos, como o estalinismo, o Pacto Molotov-Ribbentrop ou as barbaridades praticadas pelo Exército Vermelho nos territórios ocupados.
Face a esta reinterpretação e até mesmo uma verdadeira reescrita do passado, era lógico esperar que as imagens da Guerra inscritas na memória e no conhecimento dos indivíduos nascidos e formados na União Soviética sejam postas à prova e sofram tensões ou mesmo alterações expressivas. Contudo, os estudos de opinião pública realizados na Rússia pós-soviética (Gudkov, 2005; Levada, 2012) e entre os imigrantes da ex-URSS em Portugal (Mirotshnik, 2008, 2012) mostram uma surpreendente força de persuasão do padrão da memória da Guerra, a persistência do seu impacto emocional e uma força de atracção de inabalável crença na vitória da União Soviética formada e exaltada pela propaganda do regime comunista em grande escala, fazendo parte do núcleo identitário destas pessoas.
E como o uso da propaganda, cuidadosamente ajustada às características das populações, continua a ser um assessório importante da vida política, os resultados deste trabalho levam, também, a reflectir sobre o poder da propaganda, dos instrumentos e meios que ela manipula e dos efeitos a longo prazo que provoca nas consciências daqueles a quem é dirigida.


[1] Erez Manela, The Wilsonian Moment: Self-Determination and the International Origins of Anticolonial Nationalism (Oxford, 2007).

[2] P. Taylor, Munitions of the mind : a history of propaganda from the ancient world to the present era, (Manchester: 1995), pp. 190-191 and G. Jowett and V. O’Donnell, Propaganda and persuasion, (California: 2012), p. 106.

[3] O Século. Lisboa. Ano 37.º, N.º: 12808, sexta-feira, 3 de Agosto de 1917, p. 1.

[4] Idem – Ibidem.

[5] CASTRO, Augusto de – Campo de Ruínas. Impressões da Guerra. 2.ª Edição. Porto: Empresa Literária Fluminense, 1922, p. 9.

[6] Entry 31.5.1939 in Die Tagebücher von Joseph Goebbels. Im Auftrag des Instituts für Zeitgeschichte ind mit Unterstützung des Staatlichen archivienstes Rußlands. Hg. v. Elke Fröhlich. Teil I, Aufzeichnungen 1923-1941. Band 6, August 1938-Juni 1939. (München: K.G. Saur, 1998), 363.

[7] Peter Monteath, Writing the Good Fight. Political Commitment in the International Literature of the Spanish Civil War. (London: Greenwood, 1994), 27; Jutta Sywottek, Mobilmachung für den totalen Krieg. Die propagandistische Vorbereitung der deutschen Bevölkerung auf den Zweiten Weltkrieg. (Oplanden: Westdeutscher Verlag, 1976), 176- 178.

[8] René Schilling, Kriegshelden. Deutungsmuster heroischer Männlichkeit in Deutschland 1813-1945. (München, 2002), 319-320.

[9] Monteath, the Good Fight, 34.

[10] Measure prohibiting the free movement of goods.

[11] Activity aimed at spreading ideas.

[12] O Marquês de Olhão na Obra de Alberto Iria. Atas do Congresso Histórico OLHÃO, O ALGARVE & PORTUGAL no tempo das Invasões Francesas, 14-16 Nov.2008. Edição Município de Olhão.

[13] Esta comunicação insere-se no desenvolvimento do trabalho da Unidade de Investigação e Desenvolvimento em Educação e Formação, sob a orientação científica do professor Doutor Justino de Magalhães- Atlas – Repertório dos Municípios na Educação e na Cultura em Portugal (1820-1986), PTDC/CPE-PEC/116938/1010. Este projecto tem a parceria institucional da Torre do Tombo.

[14] TT- Ministério do Reino maço 607- 1761-1761; maço 608 – 1762-1766 maço 609 – 1774-1775.

[15] TT- Ministério do Reino – maço 593

[16] Lisboa, 1999, coordenação de Maria do Carmo Jasmim Dias. Farinha,Paulo Tremoceiro, Teresa Revés Jorge. Secretaria de Estado dos Negócios do Reino Ministério do Reino – Inventário. Publicação do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Direcção de Serviços de Arquivística IANT/TT.

 [17] Torre do Tombo. Relatório manuscrito em depósito inscrito no livro 379, do Ministério da Instrução Pública, Maço 3, Caixa 4.

[18] J. Salvado Sampaio refere na sua obra, editada em 1975, O Ensino Primário 1911 -1969 Contribuição Monográfica Volume I- 1º período -1911-1922.

[19] Cândido, Armando, “Aviso Prévio acerca do excesso demográfico português relacionado com a colonização e a emigração”, Diário das Sessões nº 132, 5 de Março de 1952.

[20] Stanley, “Number 6000.16 Military Health Support for Stability Operations.”

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